{"id":146,"date":"2023-07-18T01:25:10","date_gmt":"2023-07-18T01:25:10","guid":{"rendered":"http:\/\/sinaisdostempos.org\/?p=146"},"modified":"2023-07-18T01:25:10","modified_gmt":"2023-07-18T01:25:10","slug":"conspiracao-na-historia-exemplos-do-antigo-testamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinaisdostempos.org\/?p=146","title":{"rendered":"Conspira\u00e7\u00e3o na Hist\u00f3ria: exemplos do Antigo Testamento"},"content":{"rendered":"\n<p>Conspira\u00e7\u00e3o na Hist\u00f3ria: exemplos do Antigo Testamento<\/p>\n\n\n\n<p>Orlando Fedeli<\/p>\n\n\n\n<p>A tese conspirativa da Hist\u00f3ria \u00e9 rejeitada pelos liberais, pois \u00e9 incompat\u00edvel com sua cren\u00e7a na bondade natural do homem. De outro lado, ela \u00e9 exposta de modo rid\u00edculo por certa literatura anti-ma\u00e7\u00f4nica, que em tudo v\u00ea a\u00e7\u00f5es secretas, concili\u00e1bulos, maquina\u00e7\u00f5es fantasmag\u00f3ricas, intrigas rocambolescas e que imagina simbologias cabal\u00edsticas misteriosas nas coisas mais simples. Foi a cosmovis\u00e3o conspirativa que Umberto Eco caricaturou na obra &#8220;Il Pendolo de Foucault&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de duas posi\u00e7\u00f5es antag\u00f4nicas. Uma nega quaisquer conspira\u00e7\u00f5es, porque o homem \u00e9 bom e a conspira\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e maquiavelismo e maldade inexistentes. Outra em tudo v\u00ea o mal, vislumbrando o ma\u00e7om embu\u00e7ado, o judeu marrano e revolucion\u00e1rio, o terrorista atr\u00e1s de cada esquina da Hist\u00f3ria. Ambas pecam por excesso. E se de fato existe uma conspira\u00e7\u00e3o na Hist\u00f3ria, tanto o liberalismo ing\u00eanuo, quanto o imaginativo anti-ma\u00e7onismo direitista ajudam a ocult\u00e1-la: o primeiro pela sua tola nega\u00e7\u00e3o; o segundo pelo excesso caricato.<\/p>\n\n\n\n<p>Conspirar vem do latim conspirare , que significa literalmente aspirar com outros, aspirar coletivamente, isto \u00e9, trabalhar junto com outros para obter um fim.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo o homem um ser racional e social, \u00e9 natural que ele procure se associar a outros para alcan\u00e7ar finalidades que, sozinho, n\u00e3o pode atingir. Literalmente, o homem est\u00e1 sempre conspirando. Quando ele organiza uma festa ou um jogo com amigos, ele aspirou junto, conspirou. Quando se inscreve num curso ou organiza uma firma com s\u00f3cios, ele conspirou, isto \u00e9, aspirou junto com outros alcan\u00e7ar o saber ou o lucro.<\/p>\n\n\n\n<p>Se um grupo de bandidos organiza um assalto, um seq\u00fcestro, uma revolu\u00e7\u00e3o, eles tamb\u00e9m est\u00e3o conspirando. Nestes casos, em que se visam fins il\u00edcitos, \u00e9 claro que a conspira\u00e7\u00e3o tem que ser secreta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m organiza p\u00fablica e abertamente um cartel como o de Medellin. Mascara-se uma associa\u00e7\u00e3o criminosa com fins publicamente inocentes. Quer a associa\u00e7\u00f5es com objetivos criminosos secretos quer a sociedades secretas, a ambas cabe, em sentido pr\u00f3prio, o termo conspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, o homem comum tem dificuldade para crer em conspira\u00e7\u00f5es. \u00c9 custoso para a inoc\u00eancia e a honestidade imaginar a mal\u00edcia e o crime. Elas tendem a verem tudo corre\u00e7\u00e3o e liceidade. Acres\u00e7a-se a isso o romantismo sentimental, a influ\u00eancia das id\u00e9ias liberais sobre a bondade do homem, a dificuldade ou incapacidade da maioria das pessoas em arquitetar planos a longo prazo e a cren\u00e7a na inexist\u00eancia ou na aposentadoria do dem\u00f4nio, e se compreender\u00e1 como hoje \u00e9 dif\u00edcil mostrar que na Hist\u00f3ria &#8211; desde os primeiros tempos &#8211; h\u00e1 uma enorme conspira\u00e7\u00e3o diab\u00f3lica para perder as almas.<\/p>\n\n\n\n<p>O que torna explic\u00e1vel a Hist\u00f3ria \u00e9 a luta entre duas conspira\u00e7\u00f5es, a conspira\u00e7\u00e3o de Deus e a do dem\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p>Para salvar as almas, Deus organizou a divina &#8220;conspira\u00e7\u00e3o&#8221; da Igreja. Para perd\u00ea-las, o dem\u00f4nio organiza aquilo que o Papa S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno chamou nos Morales de Anti-Igreja. \u00c9 o que Santo Agostinho descreveu com maestria na Civitas Dei:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Dois amores deram nascimento a duas cidades: a cidade terrestre procede do amor de si at\u00e9 ao desprezo de Deus; a cidade celeste procede do amor de Deus levado at\u00e9 ao desprezo de si&#8221; (De Civit. Dei, lib. XIV, c. 28).<\/p>\n\n\n\n<p>Esta mesma id\u00e9ia \u00e9 descrita por Santo In\u00e1cio como a batalha das duas bandeiras, a de Cristo contra a do dem\u00f4nio. \u00c9 a luta que o Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o afirma existir entre os filhos da luz e os filhos das trevas, e que f\u00f4ra anunciado no G\u00eanesis pelo pr\u00f3prio Deus quando disse: &#8220;Porei inimizade entre ti (a serpente) e a mulher, entre a tua ra\u00e7a e a dela, e ela mesma te esmagar\u00e1 a cabe\u00e7a.&#8221; (Gn. III, 15).<\/p>\n\n\n\n<p>Deus, infinitamente s\u00e1bio, usa alguns homens para salvar outros. Tamb\u00e9m o dem\u00f4nio, astutamente, procura usar homens para perder outros. Deus organizou a Igreja. O dem\u00f4nio organiza os maus &#8211; seus filhos &#8211; numa anti-Igreja, que, por sua natureza &#8211; tendo em vista seus fins -, tem que ser secreta.<\/p>\n\n\n\n<p>Dissemos que desde os primeiros tempos houve uma conspira\u00e7\u00e3o diab\u00f3lica para perder as almas. Neste artigo, n\u00e3o pretendemos fazer uma demonstra\u00e7\u00e3o exaustiva de que na Hist\u00f3ria, desde todos os s\u00e9culos &#8211; como disse Le\u00e3o XIII na Humanum Genus &#8211; os maus se articulam para combater o bem, a Igreja e a Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p>Queremos apenas chamar a aten\u00e7\u00e3o para alguns sinais dessa conspira\u00e7\u00e3o nos tempos anteriores a Cristo tendo como base a pr\u00f3pria Sagrada Escritura. Com isso visamos abrir os olhos de mentes cat\u00f3licas que recusam-se a ver que h\u00e1 uma conspira\u00e7\u00e3o na Hist\u00f3ria, ou que imaginam ingenuamente que a conspira\u00e7\u00e3o come\u00e7ou em 1714 com a constitui\u00e7\u00e3o ma\u00e7\u00f4nica feita por Anderson, conforme dizem os livros ma\u00e7\u00f4nicos e anti-ma\u00e7\u00f4nicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Escritura se l\u00ea que, com a permiss\u00e3o de Deus, Satan\u00e1s destruiu os bens de J\u00f3, matou seus filhos e causou-lhe uma grave chaga da cabe\u00e7a aos p\u00e9s. Para fazer estes males, est\u00e1 escrito que Satan\u00e1s, al\u00e9m de utilizar for\u00e7as naturais (raios, furac\u00f5es), instigou os Sabeus e organizou os Caldeus em tr\u00eas esquadr\u00f5es (J\u00f3 I, 13-20). Deus revelou nesse texto que o dem\u00f4nio, com Sua permiss\u00e3o, pode usar quer os fen\u00f4menos naturais quer os homens e at\u00e9 organizar povos inteiros para fazer o mal.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso de J\u00f3, a a\u00e7\u00e3o diab\u00f3lica visava apenas um homem. Mas com a propaga\u00e7\u00e3o da idolatria, o que o dem\u00f4nio visava era a perda de povos inteiros, porque &#8211; \u00e9 preciso n\u00e3o esquecer &#8211; os deuses pag\u00e3os eram dem\u00f4nios, como se l\u00ea nos Salmos e em S\u00e3o Paulo. &#8220;Porque todos os deuses pag\u00e3os s\u00e3o dem\u00f4nios&#8221; (Sl. XCV, 5) e &#8220;Ou o \u00eddolo \u00e9 alguma coisa? Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos dem\u00f4nios&#8221; (S\u00e3o Paulo, I Cor. X, 19-20).<\/p>\n\n\n\n<p>Com a idolatria, o dem\u00f4nio dominou todos os povos gentios. Narra o Evangelho que quando Cristo foi tentado, &#8220;o dem\u00f4nio o transportou a um monte muito alto e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua magnific\u00eancia. E lhe disse: Tudo isto te darei, se prostrado me adorares&#8221; (Jo. IV, 8-9).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;E o dem\u00f4nio conduziu-o a um alto monte, e mostrou-lhe num momento todos os reinos da terra, e disse-lhe:<\/p>\n\n\n\n<p>Dar-te-ei o poder de tudo isso, e a gl\u00f3ria desses (reinos) porque eles me foram dados, e eu os dou a quem me parece. Portanto, se tu me adorares, todos eles ser\u00e3o teus&#8221; (S\u00e3o Lucas IV, 5-8).<\/p>\n\n\n\n<p>Cristo repeliu a tenta\u00e7\u00e3o, dizendo que s\u00f3 a Deus devia se adorar, mas n\u00e3o negou o que Satan\u00e1s afirmava: que todos os reinos do mundo eram dele na \u00e9poca em que Cristo veio \u00e0 terra. Eram seus pela idolatria, porque ao adorar os \u00eddolos todos esses povos adoravam ao pr\u00f3prio dem\u00f4nio. Tanto eram dele que seus reis e dirigentes maquinavam planos contra Deus e contra o seu Cristo. Conspiravam e Deus se ria de suas pretens\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Por que raz\u00e3o se amotinam as na\u00e7\u00f5es, e os povos maquinam planos v\u00e3os? Os reis da terra sublevam-se e os pr\u00edncipes coligam-se contra o Senhor e contra o seu Messias. Quebremos (disseram) as suas cadeias e sacudamos de n\u00f3s seus la\u00e7os. Aquele que habita nos c\u00e9us ri-se, o Senhor zomba deles&#8221; (Sl. II, 1-4).<\/p>\n\n\n\n<p>E Israel estava inclu\u00eddo no &#8220;tudo isso \u00e9 meu&#8221; afirmado por L\u00facifer, quando tentou a Cristo?<\/p>\n\n\n\n<p>A cegueira com que se negaram a ver a luz de Cristo mostra que sim. Ademais o pr\u00f3prio Cristo afirmou que os fariseus, que eram os dirigentes do povo judeu, eram filhos do dem\u00f4nio. &#8220;V\u00f3s sois filhos do dem\u00f4nio e quereis satisfazer os desejos de vosso pai (&#8230;) o pai da mentira&#8221; (Jo\u00e3o VIII, 44).<\/p>\n\n\n\n<p>Como e quando o pai da mentira dominou os judeus?<\/p>\n\n\n\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m por Nabucodonosor no VI s\u00e9culo a.C. comprova que j\u00e1 ent\u00e3o os judeus se tinham entregue ao dem\u00f4nio. Deus mostrou ent\u00e3o ao profeta Ezequiel, em vis\u00e3o, que permitira tal castigo pelos pecados de idolatria cometidos secretamente pelos sacerdotes e dirigentes do povo. A descri\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o lembra um enredo de mist\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;E conduziu-me \u00e0 entrada do \u00e1trio e olhei, e eis que havia ali um buraco na parede. E disse-me: filho do homem, escava a parede. E tendo eu escavado a parede, apareceu uma porta. E Ele me disse: entra e v\u00ea as p\u00e9ssimas abomina\u00e7\u00f5es que estes aqui cometem. E tendo entrado, olhei, e eis que havia ali imagens de toda a sorte de r\u00e9pteis e de animais, a abomina\u00e7\u00e3o de todos os \u00eddolos da casa de Israel estavam pintados na parede por toda a roda. E setenta homens dos anci\u00e3os da casa de Israel estavam em p\u00e9 diante destas pinturas, e Jezonias, filho de Safar, tamb\u00e9m em p\u00e9 no meio deles; e cada um tinha na sua m\u00e3o um tur\u00edbulo;<\/p>\n\n\n\n<p>e o fumo do incenso, que deles sa\u00eda como uma n\u00e9voa, elevava-se para o alto. E Ele me disse: v\u00eas bem, filho do homem, o que os anci\u00e3os da casa de Israel fazem nas trevas, o que cada um deles pratica no segredo de sua c\u00e2mara; porque eles dizem: O Senhor n\u00e3o nos v\u00ea, o Senhor desamparou a Terra&#8221; (Ez. VIII, 7-13).<\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida Deus lhe faz ver que at\u00e9 mesmo &#8220;entre o vest\u00edbulo e o altar&#8221; havia quem &#8220;adorava o sol que nascia&#8221; (Ez. VIII, 16).<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa curiosa vis\u00e3o, Deus mostra que os sacerdotes de Israel, nas trevas, em segredo, se entregavam \u00e0 idolatria. Para chegar ao local dos seus crimes havia que utilizar passagens secretas&#8230; Na superf\u00edcie, os sacerdotes ensinavam a religi\u00e3o verdadeira. Nas trevas, em segredo, praticavam outra. Quase 600 anos antes de Cristo, os sacerdotes e chefes judeus haviam renegado a religi\u00e3o verdadeira, ocultamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Se eles agiam secretamente \u00e9 porque o povo ainda era suficientemente fiel para n\u00e3o tolerar a idolatria p\u00fablica. Contudo, Deus destruiu Jerusal\u00e9m punindo todo o povo pelo pecado dos chefes, porque o crime dos governantes afeta a na\u00e7\u00e3o enquanto tal.<\/p>\n\n\n\n<p>Continuamente se l\u00ea nas profecias que a apostasia do povo \u00e9 atribu\u00edda especificamente aos sacerdotes, anci\u00e3os e governantes judeus.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Verdadeiramente o ponteiro mentiroso dos escribas gravou a mentira&#8221; (&#8230;) &#8220;desde o profeta at\u00e9 o sacerdote todos forjam a mentira&#8221; (Jer. VIII, 8-10).<\/p>\n\n\n\n<p>Foram os sacerdotes que perderam a f\u00e9, duvidando da Escritura e adorando Baal. O Deus invis\u00edvel estava al\u00e9m das nuvens, distante. O \u00eddolo, o dem\u00f4nio, lhes parecia mais pr\u00f3ximo e acess\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os sacerdotes n\u00e3o disseram: `Onde est\u00e1 o Senhor?&#8217;. Os deposit\u00e1rios da lei n\u00e3o me conheceram, e os pastores prevaricaram contra mim, e os profetas profetizaram em nome de Baal, e seguiram os \u00eddolos&#8221; (Jer. II, 8).<\/p>\n\n\n\n<p>Ao inv\u00e9s de cuidar do povo, seus dirigentes o maltratavam e desencaminhavam.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O Senhor entrar\u00e1 em ju\u00edzo com os anci\u00e3os de seu povo e com os seus pr\u00edncipes; porque v\u00f3s devorastes a minha vinha, e as rapinas feitas ao pobre encontram-se em vossa casa&#8221; (Js. III, 14).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Porque os pastores obraram loucamente, e n\u00e3o buscaram o Senhor; por isso n\u00e3o entenderam e todo o seu rebanho se dispersou&#8221; (Jer. X, 21).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Foram confundidos os da casa de Israel, eles e os seus reis, os pr\u00edncipes e sacerdotes, e os seus profetas, os quais diziam a um pau: `Tu \u00e9s meu pai&#8217;; e a uma pedra: `Tu me geraste.'&#8221; (Jer. II, 26-27).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Coisas espantosas e estranhas se tem feito nesta terra: os profetas profetizam a mentira, e os sacerdotes aplaudiam-nos com as suas m\u00e3os; e o meu povo amou essas coisas&#8221; (Jer. V, 30).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;E aos profetas de Jerusal\u00e9m vi imitar os ad\u00falteros (ou id\u00f3latras) e ir ap\u00f3s a mentira; e fortificaram a m\u00e3o dos malvados para que nenhum se convertesse de sua mal\u00edcia&#8221; (Jer. XXIII, 30).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Porque dos profetas de Jerusal\u00e9m \u00e9 que se derramou a corrup\u00e7\u00e3o sobre toda a terra&#8221; (Jer. XXIII, 15).<\/p>\n\n\n\n<p>Esses textos curios\u00edssimos afirmam sempre que foram os chefes, os sacerdotes e os profetas que perderam o povo de Deus, acreditando na mentira (no singular) e adorando ocultamente os \u00eddolos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o adiantava, por\u00e9m, conspirar ocultamente, pois o Deus que tudo v\u00ea, conhece as maquina\u00e7\u00f5es secretas e os mais \u00edntimos arcanos dos cora\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Poder\u00e1 algu\u00e9m ocultar-se em lugares ocultos, sem que eu o veja? (&#8230;) Eu ouvi o que disseram os profetas, que em meu nome profetizavam a mentira (&#8230;) profetas que vaticinaram a mentira (&#8230;) os quais querem fazer que meu povo se esque\u00e7a de meu nome&#8221; (Jer. XXIII, 24-27).<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, os castigos infligidos por Deus ao Reino de Jud\u00e1 foram causados por uma apostasia oculta concertada pelos sacerdotes que pretendiam corromper o povo ensinando a mentira em nome do Deus da Verdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Que houve uma conspira\u00e7\u00e3o no sentido etimol\u00f3gico e pr\u00f3prio est\u00e1 declarado na Sagrada Escritura pelo profeta Isa\u00edas que registra estas palavras de Deus:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Porque o Senhor Deus me falou assim, (tomando-me) com sua m\u00e3o poderosa e avisando-me para n\u00e3o seguir pelo caminho deste povo dizendo: `N\u00e3o digais: Conspira\u00e7\u00e3o; porque tudo o que este povo diz \u00e9 uma conspira\u00e7\u00e3o&#8221; (Isa\u00edas VIII, 12).<\/p>\n\n\n\n<p>A finalidade dessa conspira\u00e7\u00e3o est\u00e1 expl\u00edcita em Jeremias:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;E o Senhor me disse: Uma conjura\u00e7\u00e3o se descobriu entre os var\u00f5es de Jud\u00e1, e entre os moradores de Jerusal\u00e9m. Tornaram \u00e0s antigas maldades de seus pais, que n\u00e3o quiseram ouvir minhas palavras; e estes tamb\u00e9m foram ap\u00f3s deuses estranhos para os servir; a casa de Israel e a casa de Jud\u00e1 romperam a alian\u00e7a que eu fiz com seus pais&#8221; (Jer. XI, 9-10).<\/p>\n\n\n\n<p>A conspira\u00e7\u00e3o dos chefes de Israel e Jud\u00e1 foi feita para levar o povo eleito \u00e0 idolatria, isto \u00e9, a cultuar o dem\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Por esta causa ouvi a palavra do Senhor, homens escarnecedores que dominais sobre o meu povo, que est\u00e1 em Jerusal\u00e9m. Porque v\u00f3s dissestes: `N\u00f3s fizemos um concerto com a morte, e fizemos um pacto com o inferno (&#8230;) porque pusemos nossa confian\u00e7a na mentira, e pela mentira fomos protegidos&#8221; (Isa\u00edas XXVIII, 14-15).<\/p>\n\n\n\n<p>A conspira\u00e7\u00e3o dos dirigentes judeus no Antigo Testamento para levar o povo a adorar os \u00eddolos foi selada com um pacto com o pr\u00f3prio inferno, isto \u00e9, com o dem\u00f4nio. A conspira\u00e7\u00e3o era diab\u00f3lica porque visava levar \u00e0 adora\u00e7\u00e3o do dem\u00f4nio e era dirigida por ele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;E puseram os seus \u00eddolos na casa em que o meu nome foi invocado para o profanarem&#8221; (Jer. XXXII, 34).<\/p>\n\n\n\n<p>Pois ao dem\u00f4nio n\u00e3o basta ser adorado: ele quer profanar o Templo de Deus, fazendo colocar a abomina\u00e7\u00e3o no lugar santo.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo esse mal era resultado de uma ades\u00e3o consciente \u00e0 mentira, uma vontade decidida a fazer o mal que levava os conspiradores a arquitetarem e estudarem o modo mais eficaz para levar o povo ao pecado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Jerusal\u00e9m (&#8230;) confiou na mentira&#8221; (Jer. XIII, 25).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Abra\u00e7aram a mentira e n\u00e3o quiseram voltar&#8221; (Jer. VIII, 5).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Habituaram a sua l\u00edngua a dizer a mentira; estudaram como haviam de fazer o mal.&#8221; (Jer. IX, 5) e imitaram &#8220;os maus costumes das na\u00e7\u00f5es&#8221; (Jer. X, 2).<\/p>\n\n\n\n<p>Por que dizem os profetas continuamente que os dirigentes judeus abra\u00e7aram, registraram e ensinaram a mentira, empregando o termo no singular?<\/p>\n\n\n\n<p>Isto deve ser relacionado com a afirma\u00e7\u00e3o de Cristo, que chamou o diabo de &#8220;pai da mentira&#8221; (S\u00e3o Jo\u00e3o VIII, 44), na ocasi\u00e3o de sua grande discuss\u00e3o com os fariseus, aos quais chamou de filhos do dem\u00f4nio, isto \u00e9, os membros da ra\u00e7a da serpente (Gen. III, 15). Qual \u00e9 essa mentira por excel\u00eancia de que o dem\u00f4nio \u00e9 pai?<\/p>\n\n\n\n<p>Deus \u00e9 a Verdade e, como Ele \u00e9 um, h\u00e1 uma s\u00f3 Verdade. Nota essencial da f\u00e9 verdadeira \u00e9 a unidade (S. Paulo, EF. IV, 5-13). Ora, o dem\u00f4nio ataca a \u00fanica f\u00e9 com mil heresias diversas, pois que \u00e9 pr\u00f3prio do erro a multiplicidade e n\u00e3o a unidade. Contudo, se estudarmos as heresias, veremos que h\u00e1 nelas algo subjacente comum a todas, a par de seu \u00f3dio e sua nega\u00e7\u00e3o da Verdade \u00fanica. Isto faz com que na multiplicidade infinda dos erros haja uma certa forma de unidade (unidade secundum quid ), escondida sob os mitos e<\/p>\n\n\n\n<p>mentiras dos sistemas her\u00e9ticos. Esse substrato comum, matriz de todos os erros, nega as verdades mais profundas e fundamentais a respeito de Deus, isto \u00e9, do Ser. O substrato comum a todas as heresias \u00e9 a Gnose. Ela \u00e9 a mentira por antonom\u00e1sia. \u00c9 a revolta anti-metaf\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p>O termo Gnosis, em grego, significa conhecimento. Essa doutrina pretende dar ao homem um conhecimento salv\u00edfico, redentor, ao lhe proporcionar:<\/p>\n\n\n\n<p>1) o conhecimento da ess\u00eancia divina;<\/p>\n\n\n\n<p>2) o da natureza secreta e divina do homem;<\/p>\n\n\n\n<p>3) o conhecimento do que s\u00e3o o mal e o pecado. (cfr H. C. Puech, Enqu\u00eate de la Gnose, Gallimard, Paris,1978, vol. I, pp. 168-236; Robert M. Grant, La Gnose et les origines chereti\u00e8nes, Seuil, Paris, 1964, pp. 18-19).<\/p>\n\n\n\n<p>A respeito da unidade gn\u00f3stica subjacente \u00e0s diversas seitas her\u00e9ticas conv\u00e9m ler o que diz S. Irineu no Adversus Haeresis, Migne, vol. VII; S. Hip\u00f3lito de Roma, La Gnose et le temps, Gallimard, Paris, vol., p. 235;<\/p>\n\n\n\n<p>Serge Hutin, Les gnostiques, pp. 6-9; Robert M. Grant, op. cit., p. 17.<\/p>\n\n\n\n<p>O que a Gnose pretende conhecer, antes de tudo, \u00e9 a ess\u00eancia da divindade, ou seu processo interior.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, nos Prov\u00e9rbios, sintomaticamente Deus previne contra essa pretens\u00e3o, dizendo:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Assim como n\u00e3o faz bem o mel \u00e0quele que o come em demasia, assim o que quer sondar a majestade (divina) ser\u00e1 oprimido pela sua gl\u00f3ria&#8221; (Prov. XXV, 27). Se Deus repreendeu essa pretens\u00e3o, \u00e9 que j\u00e1 nos tempos do Antigo Testamento havia entre os judeus quem procurasse &#8220;sondar a majestade divina&#8221;, como faziam os gn\u00f3sticos.(&#8220;Sabemos que j\u00e1 no per\u00edodo do Segundo Templo uma doutrina esot\u00e9rica era ensinada em c\u00edrculos fariseus&#8221; (G.G. Scholem &#8211; A m\u00edstica judaica &#8211; Major trends in jewish mysticism &#8211; Perspectiva. S. Paulo, 1972, p. 41)<\/p>\n\n\n\n<p>Para a Gnose, Deus n\u00e3o \u00e9 aquele que \u00e9 (Ex. III, 14), e sim um constante vir-a-ser. Ele seria a mudan\u00e7a. Ora, \u00e9 interessante que Deus tenha prevenido os judeus contra essa mentira dizendo:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Pois eu sou o Senhor e n\u00e3o mudo&#8221;, &#8220;Ego enim Dominus et non mutor&#8221; (Mal. III, 6).<\/p>\n\n\n\n<p>Para v\u00e1rias seitas gn\u00f3sticas, a divindade original \u00e9 chamada contradit\u00f3ria ou dialeticamente de Tudo e Nada ao mesmo tempo. Na Gr\u00e9cia, essa divindade era o Pan (tudo) e Bythos (o vazio). Na India \u00e9 Brahman (tudo) e o Nirvana (nada absoluto). O Bhagavad Gita diz que essa divindade \u00e9 ser e n\u00e3o-ser, \u00e9 aquele que est\u00e1 al\u00e9m&#8221; (Bhagavad Gita, XI, 37).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu sou o ser e o n\u00e3o-ser&#8221; (Bhagavad Gita, IX, 19).<\/p>\n\n\n\n<p>Nos fragmentos heraclitanos se l\u00ea: &#8220;Um \u00fanico ser, o \u00fanico s\u00e1bio, quer e n\u00e3o quer ser chamado Seus&#8221; (Her\u00e1clito, Frag. 32, Diels. ).<\/p>\n\n\n\n<p>O gn\u00f3stico Bas\u00edlides dizia que o nome do que existia e n\u00e3o existia era nada (S. Hip., Philosophoumena, I, 21, VII, 20-21, vol. II, p. 103).<\/p>\n\n\n\n<p>Na Cabala se ensina que o Em-Sof \u00e9 o nada (cfr. G. G. Scholem, Major trends in jewish mysticism &#8211; A m\u00edstica judaica, Perspectiva, S, Paulo, 1972, pp. 12-13). G. G. Scholem diz que &#8220;ser e n\u00e3o-ser n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o diferentes aspectos da realidade divina que no fundo \u00e9 um super-ser&#8221; (G. G. Scholem, Les origines dela Kabbale, p. 448).<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, \u00e9 curioso notar que Deus repreende, no Antigo Testamento, aqueles que confiaram no nada:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os vossos l\u00e1bios falaram a mentira e a vossa l\u00edngua profere a iniq\u00fcidade. N\u00e3o h\u00e1 quem invoque a justi\u00e7a, nem h\u00e1 quem julgue segundo a verdade, mas confiam no nada&#8221; (Isa\u00edas LIX, 3-4).<\/p>\n\n\n\n<p>A Gnose afirma que o homem possui no mais \u00edntimo de seu ser uma part\u00edcula divina, uma centelha de Deus, uma Funkenlein, como dizia mestre Eckhart. Por isso, a ess\u00eancia \u00faltima do homem seria divina. O homem seria um deus deca\u00eddo que era preciso libertar das pris\u00f5es da materialidade, da racionalidade, da moral.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando todas as part\u00edculas divinas esparramadas pela natureza de novo se reunirem, a divindade voltaria a existir e ela teria a forma de um Homem. Por isso, para o manique\u00edsmo, o Homem primordial era o pr\u00f3prio Deus:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Antes de tudo, conv\u00e9m sublinhar que o Homem primitivo \u00e9 apenas uma hip\u00f3stase do Pai da Grandeza, o pr\u00f3prio Deus (&#8230;). O Homem primitivo \u00e9 portanto id\u00eantico a esta Alma (de Deus) ou, como diz o maniqueu Faustus a S. Agostinho, ele \u00e9 feito &#8220;da subst\u00e2ncia de Deus, sendo isto mesmo que \u00e9 Deus&#8221; (H. C. Puech, Le manicheisme, in Histoire G\u00e9n\u00e9rale des Religions, vol. III, p. 96).<\/p>\n\n\n\n<p>Na India, o deus Supremo , Brahman, era chamado de Homem (Puruska).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tu \u00e9s o imperec\u00edvel supremo que \u00e9 preciso conhecer. Tu \u00e9s o supremo apoio de todo o universo, tu \u00e9s o eterno guardi\u00e3o da lei antiga, para mim, penso, tu \u00e9s o sempiterno Homem (Bhagavad Gita X, 12).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tu conheces a ti mesmo, por ti mesmo, \u00f3 Homem supremo, fonte dos seres, Senhor das criaturas, Deus dos deuses, Regedor do mundo (Bhagavad Gita X, 15).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tu \u00e9s o deus principal. \u00f3 Homem antigo (&#8230;) tu permeias o Universo, \u00f3 forma infinita (Bhagavad Gita, XI, 38).<\/p>\n\n\n\n<p>A Cabala, por sua vez, identifica o Deus manifestado nos sefirots como sendo o Homem Primordial, o Adam Kadmon. Para provar isto, um dos argumentos usados \u00e9 que, segundo o m\u00e9todo da guematria, as letras que formam o nome de Deus &#8211; iod, he, vau, he (IHWH) &#8211; tem valor num\u00e9rico de 45. Ora, as letras que formam a palavra Adam (alef, dalet, mem) d\u00e3o um total de 45 tamb\u00e9m. Logo (??), Ad\u00e3o \u00e9 igual a Deus pois ambos valem 45 (cfr. G. G. Scholem, A cabala e seu simbolismo, p. 125).<\/p>\n\n\n\n<p>O misterioso livro gn\u00f3stico judaico, o Schiur Kom\u00e1, descreve o corpo de Deus como sendo o de um imenso homem que se identifica tamb\u00e9m com o Universo. Assim Deus, Universo e Homem seriam uma coisa s\u00f3 (Cfr. G. G. Scholem, Major trends in jewish mysticism &#8211; tradu\u00e7\u00e3o portuguesa A m\u00edstica judaica, Perspectiva, S\u00e3o Paulo, 1972, pp. 64-65).<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, a mesma divindade que textos de religi\u00f5es e autores gn\u00f3sticos chamam de Nada, intitulam tamb\u00e9m Homem.<\/p>\n\n\n\n<p>Vimos j\u00e1 que Deus, em Isa\u00edas, exprobou os seguidores da mentira que &#8220;confiam no nada&#8221; (Isaias LIX, 3-4). Esse mesmo profeta clama a palavra de Deus contra os judeus:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Cessai, pois, de confiar no homem, em cujas narinas (n\u00e3o) h\u00e1 (sen\u00e3o) um sopro, porque somente Deus \u00e9 o que \u00e9 excelso&#8221; (Isaias II, 22).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se diga que h\u00e1 nesse texto apenas e t\u00e3o somente um conselho de ordem moral. Esse vers\u00edculo \u00e9 a conclus\u00e3o de um texto acerca das causas de humilha\u00e7\u00e3o dos maus no dia do ju\u00edzo, no qual Deus repreende a casa de Jac\u00f3 &#8211; o povo judeu &#8211; por estar cheio de supersti\u00e7\u00f5es como os filisteus (v. 6); de ter enchido o pa\u00eds de \u00eddolos que ser\u00e3o esmigalhados no dia do ju\u00edzo (v. 10-18) e que ent\u00e3o os que tra\u00edram Deus lan\u00e7ar\u00e3o fora os seus \u00eddolos (v. 21).<\/p>\n\n\n\n<p>O vers\u00edculo citado op\u00f5e a confian\u00e7a no homem \u00e0 confian\u00e7a em Deus excelso. Ele associa idolatria e confian\u00e7a no Homem. Deus, por Isa\u00edas, clama ent\u00e3o contra os que &#8220;confiam no Nada&#8221; e contra os que confiam no Homem, exatamente no Nada e no Homem, que Gnose e Cabala afirmam ser nomes de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a Gnose, a evolu\u00e7\u00e3o divina se faz por um processo dial\u00e9tico, visto que Deus e todo ser s\u00e3o formados por dois princ\u00edpios contr\u00e1rios e iguais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Her\u00e1clito, &#8220;Deus \u00e9 dia e noite, inverno e ver\u00e3o, guerra e paz, abund\u00e2ncia e fome&#8221; (Diels. 12 B, 67).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Vida e morte, vig\u00edlia e sono, juventude e velhice s\u00e3o a mesma coisa: s\u00e3o muitas metamorfoses&#8221; (Diels. 12B, 88).<\/p>\n\n\n\n<p>Vimos que para o Bhagavad Gita Deus \u00e9 &#8220;ser e n\u00e3o ser&#8221;, ao mesmo tempo (Bhagavad Gita XII, 37; IX, 19).<\/p>\n\n\n\n<p>Sabe-se bem que no manique\u00edsmo, o dualismo de Deus e o dualismo metaf\u00edsico s\u00e3o claramente ensinados (cfr. H.C. Puech, Le Manicheisme, in Histoire G\u00e9n\u00e9rale de Religions, vol. III, p. 96, 1\u00aa coluna).<\/p>\n\n\n\n<p>Como a Gnose, a Cabala afirma que em Deus h\u00e1 dois princ\u00edpios opostos: o do bem e o do mal (cfr. G.G. Scholem, A m\u00edstica judaica, ed. cit., pp. 237-291). &#8220;Tudo o que \u00e9 demon\u00edaco tem sua raiz em alguma parte do mist\u00e9rio de Deus&#8221; (G.G. Scholem, A m\u00edstica judaica, p. 240). Essa no\u00e7\u00e3o dualista de Deus foi explicitada mais claramente pelo sistema cabalista de Isaac Luria de Safed e por Natham de Gaza (cfr. G.G. Scholem,Sabbatai Sevi, The mystical Messiah, pp. 301-302, Princeton University Press, Princeton, New Jersey, 1975).<\/p>\n\n\n\n<p>Em conseq\u00fc\u00eancia decorrem da\u00ed n\u00e3o s\u00f3 um dualismo metaf\u00edsico, que afirma a igualdade de contr\u00e1rios, como tamb\u00e9m um dualismo dial\u00e9tico no campo da moral, que faz identificar santidade e iniq\u00fcidade, virtude e pecado. A Mischnah (Berahot IX, 5) afirma que se deve amar a Deus de todo o cora\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, com os bons e maus impulsos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8221; Man is bouns to bless (God) for the evil even as he blesses (God) for the good, for it is written. And thou shalt love the Lord thy God with all thy heart and with all thy soul, and with all thy might. (Deut. VI, 5). With all thy heart (lebab) &#8211; with both thine impulses, thy good impulses and thine evil impulses .&#8221; (The Mischnah, Oxford University Press, Oxford, 1980, 1\u00aa ed., 1933, trad. Herbert Dowley).<\/p>\n\n\n\n<p>O dualismo metaf\u00edsico e a moral dial\u00e9tica pr\u00f3prios da Gnose e da Cabala fazem identificar ser e n\u00e3o ser, bem e mal, luz e trevas, verdade e mentira, virtude e pecado. Ora, a prova de que j\u00e1 no Antigo Testamento essa dial\u00e9tica dualista gn\u00f3stica se infiltrara secretamente entre os judeus est\u00e1 em Isa\u00edas, onde o Deus que exprobou a ades\u00e3o dos escribas e sacerdotes \u00e0 mentira, diz:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ai de v\u00f3s que ao mal chamais bem, e ao bem mal, que tomais as trevas por luz e a luz por trevas, que tendes o amargo por doce e o doce por amargo.&#8221; (Is. V, 20).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa invers\u00e3o completa de verdade e de moral perpetuou-se secretamente entre os judeus at\u00e9 o tempo de Cristo e depois no Talmud, que afirma &#8220;que o mais perfeito cumprimento da lei est\u00e1 na sua viola\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o messianismo cabalista, o reino do Messias trar\u00e1 a aboli\u00e7\u00e3o da lei e mesmo a sua invers\u00e3o, tornando l\u00edcito o que era proibido (cfr. G.G. Scholem, A m\u00edstica judaica, p. 181 e p. 314).<\/p>\n\n\n\n<p>Na era messi\u00e2nica haveria &#8220;the abolition of the norm of permitted and forbidden pure and impure&#8221; (G.G. Scholem, Sabbatai Sevi, The Mystical Messiah, p. 321). Se havia uma conspira\u00e7\u00e3o de fundo gn\u00f3stico j\u00e1 no Antigo Testamento, fica claro porque Nosso Senhor Jesus Cristo preveniu os fariseus dizendo-lhes: &#8220;N\u00e3o julgueis que vim destruir a lei ou os profetas, mas sim (para os) cumprir. Porque em verdade vos digo que, enquanto n\u00e3o passar o c\u00e9u e a terra, n\u00e3o desaparecer\u00e1 da lei um s\u00f3 jota ou um s\u00f3 \u00e1pice, sem que tudo seja<\/p>\n\n\n\n<p>cumprido&#8221; (Mt. V, 17-18). E ele condena a seguir aqueles que violam mesmo um dos m\u00ednimos mandamentos da lei e &#8220;ensinam assim os homens&#8221; (Mt. V, 19).<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, Cristo afirma que os fariseus, por causa de sua tradi\u00e7\u00e3o, anularam a lei: &#8220;V\u00f3s, por causa de vossa tradi\u00e7\u00e3o, tornastes nulo o mandamento de Deus&#8221; (Mt. XV). &#8220;\u00c9 em v\u00e3o que me honram, ensinando doutrinas e mandamentos de homens&#8221; (Mt. XV, 9).<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, a Cabala judaica pretendia ser uma doutrina revelada por Deus a Mois\u00e9s e transmitida por tradi\u00e7\u00e3o oral, tanto que Cabala quer dizer tradi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se estranhe ent\u00e3o a afirma\u00e7\u00e3o de que j\u00e1 no Antigo Testamento, os rabinos judeus haviam abandonado a Verdade revelada para seguir a mentira da Gnose (que entre os judeus se chama Cabala). Os textos da Escritura que citamos indicam isso. Mas, para os que confiam no Homem, veja-se a confirma\u00e7\u00e3o do que dizemos na palavra de um homem que \u00e9 o maior conhecedor de Cabala em nosso dias:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sabemos que j\u00e1 no per\u00edodo do Segundo Templo uma doutrina esot\u00e9rica era ensinada em c\u00edrculos farisaicos.&#8221; (G.G. Scholem, A m\u00edstica judaica, p. 41).<\/p>\n\n\n\n<p>Por tudo isso, fica bem claro que os judeus se desviaram de sua miss\u00e3o e abandonaram a Revela\u00e7\u00e3o e a Lei de Deus devido a uma conspira\u00e7\u00e3o diab\u00f3lica dirigida pelos sacerdotes e escribas.<\/p>\n\n\n\n<p>Resta perguntar: ter\u00e1 essa conspira\u00e7\u00e3o diab\u00f3lica, visando perder as almas, cessado com o advento de Cristo? Ou ter\u00e1 ela se tornado mais oculta ainda, mais feroz e mais diabolicamente hip\u00f3crita?<\/p>\n\n\n\n<p>Os que negam a exist\u00eancia da &#8220;conspira\u00e7\u00e3o&#8221; dos maus na Hist\u00f3ria, ou s\u00e3o ing\u00eanuos, ou&#8230; s\u00e3o membros dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.montfort.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.montfort.org.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conspira\u00e7\u00e3o na Hist\u00f3ria: exemplos do Antigo Testamento Orlando Fedeli A tese conspirativa da Hist\u00f3ria \u00e9 rejeitada pelos liberais, pois \u00e9 incompat\u00edvel com sua cren\u00e7a na bondade natural do homem. De outro lado, ela \u00e9 exposta de modo rid\u00edculo por certa literatura anti-ma\u00e7\u00f4nica, que em tudo v\u00ea a\u00e7\u00f5es secretas, concili\u00e1bulos, maquina\u00e7\u00f5es fantasmag\u00f3ricas, intrigas rocambolescas e que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-146","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-apostasia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sinaisdostempos.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/146","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sinaisdostempos.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sinaisdostempos.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinaisdostempos.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinaisdostempos.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=146"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sinaisdostempos.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/146\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":147,"href":"https:\/\/sinaisdostempos.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/146\/revisions\/147"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sinaisdostempos.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=146"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinaisdostempos.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=146"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinaisdostempos.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}