{"id":140,"date":"2023-07-15T02:42:09","date_gmt":"2023-07-15T02:42:09","guid":{"rendered":"http:\/\/sinaisdostempos.org\/?p=140"},"modified":"2023-07-15T02:46:00","modified_gmt":"2023-07-15T02:46:00","slug":"revelacoes-publicas-privadas-e-aparicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinaisdostempos.org\/?p=140","title":{"rendered":"Revela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, Privadas e Apari\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\" style=\"font-style:normal;font-weight:300\">Qual a posi\u00e7\u00e3o da B\u00edblia e da Igreja em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mensagens, profecias e vis\u00f5es que envolvem Maria e os Santos?<\/p>\n\n\n\n<p>O pronunciamento oficial da Igreja sobre apari\u00e7\u00f5es e revela\u00e7\u00f5es est\u00e3o nestes dois documentos, o primeiro \u00e9 o pref\u00e1cio, o segundo s\u00e3o as normas para procedimentos de aprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/documents\/rc_con_cfaith_doc_20111214_prefazione-levada_po.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/documents\/rc_con_cfaith_doc_20111214_prefazione-levada_po.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/documents\/rc_con_cfaith_doc_19780225_norme-apparizioni_po.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/documents\/rc_con_cfaith_doc_19780225_norme-apparizioni_po.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">1. O que s\u00e3o Revela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas e Privadas<\/h2>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">1.1 Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Ao falarmos de mensagens, profecias e apari\u00e7\u00f5es devemos distingui-las da B\u00edblia em v\u00e1rios aspectos, e todas s\u00e3o classificadas como revela\u00e7\u00f5es pela Igreja. As primeiras s\u00e3o chamadas pela Igreja de revela\u00e7\u00f5es privadas e a B\u00edblia chamada de revela\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Primeiro vamos distinguir entre o que \u00e9 revela\u00e7\u00e3o p\u00fablica e revela\u00e7\u00e3o privada para em segundo lugar discorrer sobre como as revela\u00e7\u00f5es privadas se manifestam, e em outros cap\u00edtulos a sua import\u00e2ncia na hist\u00f3ria da Igreja ontem e hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato de a \u00fanica revela\u00e7\u00e3o de Deus destinada a todos os povos ter ficado conclu\u00edda com Cristo e o testemunho que d&#8217;Ele nos d\u00e3o os livros do Novo Testamento, vincula a Igreja com o acontecimento \u00fanico que \u00e9 a hist\u00f3ria sagrada e a palavra da B\u00edblia, que garante e interpreta tal acontecimento, mas n\u00e3o significa que agora a Igreja pode apenas olhar para o passado, ficando assim condenada a uma est\u00e9ril repeti\u00e7\u00e3o. Eis o que diz o&nbsp;<em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica&nbsp;<\/em>: \u00ab No entanto, apesar de a Revela\u00e7\u00e3o ter acabado, n\u00e3o quer dizer que esteja completamente explicitada. E est\u00e1 reservado \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3 apreender gradualmente todo o seu alcance no decorrer dos s\u00e9culos \u00bb (n. 66).<\/p>\n\n\n\n<p>Estes dois aspectos &#8211; o v\u00ednculo com a unicidade do acontecimento e o progresso na sua compreens\u00e3o &#8211; est\u00e3o otimamente ilustrados nos discursos de despedida do Senhor, quando Ele declara aos disc\u00edpulos: \u00ab Ainda tenho muitas coisas para vos dizer, mas n\u00e3o as podeis suportar agora. Quando vier o Esp\u00edrito da Verdade, Ele guiar-vos-\u00e1 para a verdade total, porque n\u00e3o falar\u00e1 de Si mesmo (&#8230;) Ele glorificar-Me-\u00e1, porque h\u00e1 de receber do que \u00e9 meu, para vo-lo anunciar \u00bb (&nbsp;<em>Jo&nbsp;<\/em>16, 12-14). Por um lado, o Esp\u00edrito serve de guia, desvendando assim um conhecimento cuja densidade n\u00e3o se podia alcan\u00e7ar antes porque faltava o pressuposto, ou seja, o da amplid\u00e3o e profundidade da f\u00e9 crist\u00e3, e que \u00e9 tal que n\u00e3o estar\u00e1 conclu\u00edda jamais. Por outro lado, esse ato de guiar \u00e9 \u00ab receber \u00bb do tesouro do pr\u00f3prio Jesus Cristo, cuja profundidade inexaur\u00edvel se manifesta nesta condu\u00e7\u00e3o por obra do Esp\u00edrito. A prop\u00f3sito disto, o&nbsp;<em>Catecismo&nbsp;<\/em>cita uma densa frase do Papa Greg\u00f3rio Magno: \u00ab As palavras divinas crescem com quem as l\u00ea \u00bb (&nbsp;<em>CIC&nbsp;<\/em>, n. 94; S. Greg\u00f3rio Magno,&nbsp;<em>Homilia sobre Ezequiel&nbsp;<\/em>1, 7, 8).<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos agora compreender o conceito de revela\u00e7\u00f5es privadas, no qual segundo Ratzinger: &#8220;se aplica a todas as vis\u00f5es e revela\u00e7\u00f5es verificadas depois da conclus\u00e3o do Novo Testamento&#8221; e que se aplica a mensagem de F\u00e1tima, inclusive as de Vassula Ryden, Padre Gobbi e muitas outras que ainda est\u00e3o processo de averigua\u00e7\u00e3o e contam com certa aprova\u00e7\u00e3o n\u00e3o oficiais, mas por parte da Igreja.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o \u00e9 papel da revela\u00e7\u00e3o privada tomar lugar da b\u00edblia, mas de ajudar a aproveitar melhor a Palavra.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos o que diz o&nbsp;<em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica&nbsp;<\/em>sobre isto tamb\u00e9m: \u00ab No decurso dos s\u00e9culos tem havido revela\u00e7\u00f5es ditas &#8220;privadas&#8221;, algumas das quais foram reconhecidas pela autoridade da Igreja. (&#8230;) O seu papel n\u00e3o \u00e9 (&#8230;) &#8220;completar&#8221; a Revela\u00e7\u00e3o definitiva de Cristo, mas ajudar a viv\u00ea-la mais plenamente numa determinada \u00e9poca da hist\u00f3ria \u00bb (CIC 67). Isto deixa claro duas coisas: (prossegue Ratzinger)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp; &#8220;<em>1. A autoridade das revela\u00e7\u00f5es privadas \u00e9 essencialmente diversa da \u00fanica revela\u00e7\u00e3o p\u00fablica: esta exige a nossa f\u00e9; de fato, nela, \u00e9 o pr\u00f3prio Deus que nos fala por meio de palavras humanas e da media\u00e7\u00e3o da comunidade viva da Igreja. A f\u00e9 em Deus e na sua Palavra \u00e9 distinta de qualquer outra f\u00e9, cren\u00e7a, opini\u00e3o humana. A certeza de que \u00e9 Deus que fala, cria em mim a seguran\u00e7a de encontrar a pr\u00f3pria verdade; uma certeza assim n\u00e3o se pode verificar em mais nenhuma forma humana de conhecimento. \u00c9 sobre tal certeza que edifico a minha vida e me entrego ao morrer.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>2. A revela\u00e7\u00e3o privada \u00e9 um aux\u00edlio para esta f\u00e9, e manifesta-se cred\u00edvel precisamente porque faz apelo \u00e0 \u00fanica revela\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/em>&#8220;<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, Ratzinger vai confirmando no documento [1] que para medir a verdade e o valor de uma revela\u00e7\u00e3o privada \u00e9 a sua orienta\u00e7\u00e3o para o pr\u00f3prio Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00abN\u00e3o extingais o Esp\u00edrito, n\u00e3o desprezeis as profecias. Examinai tudo e retende o que for bom\u00bb (5, 19-21). Em todo o tempo \u00e9 dado \u00e0 Igreja o carisma da profecia, que, embora tenha de ser examinado, n\u00e3o pode ser desprezado.<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos que Ratzinger ao falar do carisma de profecia, fala da profecia no sentido geral como as vis\u00f5es e locu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em todo o tempo \u00e9 dado \u00e0 Igreja o carisma da profecia, que, embora tenha de ser examinado,&nbsp;<strong>n\u00e3o pode ser desprezado<\/strong>. A este prop\u00f3sito, \u00e9 preciso ter presente que a profecia, no sentido da B\u00edblia, n\u00e3o significa predizer o futuro, mas aplicar a vontade de Deus ao tempo presente e consequentemente&nbsp;<strong>mostrar o reto caminho do futuro<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste sentido, pode-se relacionar o carisma da profecia com a no\u00e7\u00e3o \u00ab sinais do tempo \u00bb, redescoberta pelo Vaticano II: \u00ab Sabeis interpretar o aspecto da terra e do c\u00e9u; como \u00e9 que n\u00e3o sabeis interpretar o tempo presente? \u00bb (&nbsp;<em>Lc&nbsp;<\/em>12, 56). Por \u00ab sinais do tempo \u00bb, nesta palavra de Jesus, deve-se entender o seu pr\u00f3prio caminho, Ele mesmo. Interpretar os sinais do tempo \u00e0 luz da f\u00e9 significa reconhecer a presen\u00e7a de Cristo&nbsp;<strong>em cada per\u00edodo de tempo<\/strong>. Nas revela\u00e7\u00f5es privadas reconhecidas pela Igreja &#8211; e portanto na de F\u00e1tima -, trata-se disto mesmo: ajudar-nos a compreender os sinais do tempo e a encontrar na f\u00e9 a justa resposta para os mesmos.&#8221; (Cardeal Joseph Ratzinger, www.vatican.va)<br>&#8211; os grifos s\u00e3o nossos &#8211;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">1.2 Manifesta\u00e7\u00e3o no homem das revela\u00e7\u00f5es privadas<\/h2>\n\n\n\n<p>Sobre a profecia em forma de vis\u00e3o no qual tamb\u00e9m inclui as apari\u00e7\u00f5es, Ratzinger pelo Vaticano explica:<\/p>\n\n\n\n<p>A antropologia teol\u00f3gica distingue, neste \u00e2mbito, tr\u00eas formas de percep\u00e7\u00e3o ou \u00ab vis\u00e3o \u00bb: a vis\u00e3o pelos sentidos, ou seja, a percep\u00e7\u00e3o externa corp\u00f3rea; a percep\u00e7\u00e3o interior; e a vis\u00e3o espiritual (&nbsp;<em>visio sensibilis&nbsp;<\/em>,&nbsp;<em>imaginativa&nbsp;<\/em>,&nbsp;<em>intellectualis&nbsp;<\/em>). \u00c9 claro que, nas vis\u00f5es de Lourdes, F\u00e1tima, etc, n\u00e3o se trata da percep\u00e7\u00e3o externa normal dos sentidos: as imagens e as figuras vistas n\u00e3o se encontram fora no espa\u00e7o circundante, como est\u00e1 l\u00e1, por exemplo, uma \u00e1rvore ou uma casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob a forma de Deus comunicar-se a essas pessoas o padre carmelita Marie-Eugene de l\u00b4Enfant ao tratar da Espiritualidade de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz e Santa Tereza d`\u00c1vila diz o seguinte sobre os favores e dons extraordin\u00e1rios:&nbsp;<em>&#8220;Os favores extraordin\u00e1rios s\u00e3o produzidos por uma a\u00e7\u00e3o direta de Deus, que elimina toda e qualquer coopera\u00e7\u00e3o da alma que n\u00e3o seja uma passividade receptiva.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Vis\u00f5es imaginarias e vis\u00f5es intelectuais, afirmam os dois santos&nbsp;<\/em>(S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz e Santa Teresa d`\u00c1vila),&nbsp;<em>s\u00e3o produzidas nas faculdades, sem qualquer atividade da sua parte e s\u00e3o-lhes comunicadas por via sobrenatural.&#8221;&nbsp;<\/em>[3] Sobre a discuss\u00e3o de que linguagem Deus usa:&nbsp;<em>&#8220;Deus adapta-se, mesmo nos Seus modos de agir extraordin\u00e1rio, \u00e0 ordem natural que nos rege. Vis\u00f5es e&nbsp;<strong>revela\u00e7\u00f5es divinas n\u00e3o apresentam nada de chocante&nbsp;<\/strong>. Deus fala, nelas, a nossa linguagem.&#8221;<\/em>S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz um dos maiores m\u00edsticos fala sobre as comunica\u00e7\u00f5es sobrenaturais, inclusive as locu\u00e7\u00f5es:&nbsp;<em>&#8220;Assim Deus aperfei\u00e7oando o homem ao modo do homem, pelo mais baixo e exterior ate o mais alto e interior. Primeiro, aperfei\u00e7oa-lhe o sentido corporal&#8230; (&#8230;) E quando esses sentidos j\u00e1 est\u00e3o algo dispostos, costuma aperfei\u00e7o\u00e1-los mais, fazendo-lhes algumas merc\u00eas sobrenaturais e regalos, para os confirmar mais no bem, oferecendo-lhe algumas&nbsp;<strong>comunica\u00e7\u00f5es sobrenaturais<\/strong>, tal como, corporalmente, vis\u00f5es de Santos ou de coisas santas, odores suav\u00edssimos e&nbsp;<strong>locu\u00e7\u00f5es.<\/strong>&#8220;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>[3] P. Marie-Eugene de l&#8217;E. &#8211; J.O.C.D., Je veux voir Dieu &#8211; ed. Carmelo, Venasque, 1988, 1160 pg<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">1.3 Profetas no tempo da Igreja e import\u00e2ncia<\/h2>\n\n\n\n<p>Poder\u00edamos levantar a quest\u00e3o: Com a morte do \u00faltimo apostolo S\u00e3o Jo\u00e3o teria colocado um freio na profecia posterior ? \u00c9 apenas uma tese que existe, afirma Ratzinger, e que procede de um grande desprezo conforme Ratzinger vai explicando na entrevista sobre&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.sinaisdostempos.org\/entrevista-profecia\">profecia crist\u00e3<\/a>:<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;\u00c9 que a primeira vinda de Cristo restabeleceu, entre Deus e o homem, uma liga\u00e7\u00e3o nova que \u00e9 sempre de refor\u00e7ar. Assim, gra\u00e7as \u00e0 sua pr\u00f3pria liga\u00e7\u00e3o com o Verbo feito carne, o homem descobre o que Este lhe ofereceu. \u00c9 precisamente esta nova rela\u00e7\u00e3o que ir\u00e1 introduzir o homem na verdade total, mas tamb\u00e9m de uma forma nova, como o pr\u00f3prio Jesus o diz no Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o, em que fala da descida do Esp\u00edrito Santo&nbsp;<\/em>9<em>. A cristologia pneumatol\u00f3gica que prov\u00e9m do \u00faltimo discurso, no Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o, constitui, a meu ver, um ponto pertinente, nesta nossa reflex\u00e3o, na medida em que o pr\u00f3prio Cristo explica que a Sua vida terrestre, em carne, n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o um primeiro passo. A verdadeira vinda de Cristo realiza-se no momento em que Cristo j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 ligado a um lugar fixo ou a um corpo f\u00edsico, mas em Esp\u00edrito, depois da Sua Ressurrei\u00e7\u00e3o, at\u00e9 aos nossos dias, capaz, pois, de vir a todos os homens de todas as gera\u00e7\u00f5es, para os introduzir na Verdade, de uma forma cada vez mais profunda. Importa lembrar este dado teol\u00f3gico, pois ele esclarece o tempo da Igreja em que n\u00f3s estamos em vias de viver&#8230;&#8221;&nbsp;<\/em>ler o resto da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.sinaisdostempos.org\/entrevista-profecia\">entrevista<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Veja que o sentido do termo profetas \u00e9 amplo:&nbsp;<strong>&#8220;A Igreja \u00e9 fundada nos Ap\u00f3stolos e nos profetas&#8221;&nbsp;<\/strong>(Cf. Ef 2,20: Ef 4,11)&nbsp;<em>. Ao tempo, pensava-se que se tratava apenas dos doze Ap\u00f3stolos e dos profetas do Antigo Testamento, enquanto os exegetas modernos nos dizem que o termo &#8220;ap\u00f3stolo&#8221; tem uma acep\u00e7\u00e3o muito mais larga, tal como o termo &#8220;profeta&#8221;, que inclui tamb\u00e9m os profetas do tempo da Igreja.&nbsp;<\/em>(J. Ratzinger)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quanto ao seu papel na Igreja:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Ora, segundo o cap\u00edtulo 12 da primeira Ep\u00edstola aos Cor\u00edntios, os profetas de outrora organizavam-se como membros de um col\u00e9gio*. O col\u00e9gio dos profetas \u00e9 tamb\u00e9m mencionado na Didakh\u00e9, o que quer dizer que existia ainda, quando a obra foi escrita.<br>Com o tempo, o col\u00e9gio dos profetas foi dissolvido. A dissolu\u00e7\u00e3o do col\u00e9gio dos profetas n\u00e3o \u00e9 certamente um acaso. De fato, como no-lo mostra o Antigo Testamento, a fun\u00e7\u00e3o de um profeta n\u00e3o \u00e9 algo que se possa institucionalizar**, na medida em que os profetas dirigiam a sua cr\u00edtica, n\u00e3o apenas aos sacerdotes, mas tamb\u00e9m aos profetas institucionalizados. Isto parece bem claro no livro do Profeta Am\u00f3s, em que este fala contra os profetas do Reino de Israel. Acontece mesmo muitas vezes que os profetas livres e independentes falam contra os que pertencem a um col\u00e9gio. \u00c9 que, entre os primeiros, Deus encontra, por assim dizer, mais margem de manobra, mais liberdade de agir por si mesmos, no momento em que \u00e9 necess\u00e1rio que eles intervenham ou tomem iniciativas. Visto que os dois tipos de profetas que embelezam a hist\u00f3ria da Igreja t\u00eam a sua raz\u00e3o de ser, parece-me que se n\u00e3o pode falar de uma reforma do col\u00e9gio dos profetas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><br>No que respeita aos profetas do tipo dito institucional, importa confessar que o col\u00e9gio dos Ap\u00f3stolos, a exemplo de S\u00e3o Paulo que tamb\u00e9m foi um profeta a seu jeito, se reconhece ter n\u00e3o menos o seu car\u00e1ter prof\u00e9tico. E \u00e9 assim que a Igreja se v\u00ea perante desafios que lhe s\u00e3o pr\u00f3prios, na medida em que o Esp\u00edrito Santo encontra, no momento crucial, uma porta de entrada para intervir.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>*col\u00e9gio, \u00f3rg\u00e3o ou conselho que faz parte de uma institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>**Institui\u00e7\u00e3o nesse caso significa a Igreja.<\/p>\n\n\n\n<p>Resumindo, Ratzinger explica no texto acima que sempre houve profetas como &#8220;\u00f3rg\u00e3o&#8221; da Igreja, e assim com o tempo entravam em conflito com alguma pessoa da Igreja na \u00e9poca, nunca com a doutrina da Igreja, e assim aos profetas eram dado o papel de tomar iniciativa e agir apara ajudar a resguardar a f\u00e9, conforme Deus intervia.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Quanto aos profetas ditos livres ou independentes, \u00e9 bom lembrar que Deus Se reserva a liberdade de intervir diretamente na Sua Igreja para a despertar, para a avisar, para a promover e santificar, justamente pelos carismas que lhe d\u00e1. Sempre na hist\u00f3ria da Igreja existiram personagens carism\u00e1ticos e prof\u00e9ticos.&nbsp;<strong>E eles surgiram sobretudo numa reviravolta, num momento decisivo da hist\u00f3ria da Igreja.&#8221;<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A seguir Ratzinger responde por uma das grandes duvidas sobre revela\u00e7\u00f5es privadas:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>14 &#8211; Muitos profetas, na Igreja, tais como Catarina de Sena, Br\u00edgida da Su\u00e9cia e Sor Faustina Kowalska, atribu\u00edram as suas mensagens prof\u00e9ticas a Cristo, que lhas revelou. Contudo, em Teologia, estas mensagens prof\u00e9ticas s\u00e3o correntemente chamadas &#8221;&nbsp;<em>revela\u00e7\u00f5es privadas&#8221;,&nbsp;<\/em>termo que se presta a mal entendidos, porque toda a profecia aut\u00eantica \u00e9 dirigida ao Povo de Deus enquanto Igreja, e n\u00e3o pode ser privada, propriamente falando.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Em mat\u00e9ria de teologia, o termo &#8220;privado&#8221; n\u00e3o quer dizer que uma s\u00f3 pessoa est\u00e1 implicada, e n\u00e3o as outras. \u00c9 um termo que significa o grau e que determina o contexto. Encontramo-lo, por exemplo, na express\u00e3o &#8220;missa privada&#8221;. O que importa fixar aqui, \u00e9 pura e simplesmente que as &#8220;revela\u00e7\u00f5es&#8221; dos m\u00edsticos crist\u00e3os ou dos profetas do tempo da Igreja jamais ter\u00e3o o mesmo lugar que ocupa a revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica, e que elas se subordinam a esta, nos enviam para ela e por ela se explicam. Por conseguinte, n\u00e3o se pode dizer que tais revela\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam import\u00e2ncia para a Igreja. Basta citar as apari\u00e7\u00f5es de Lourdes ou de F\u00e1tima, para provar o contr\u00e1rio. Estas apari\u00e7\u00f5es s\u00e3o, afinal, uma mem\u00f3ria da revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica. E \u00e9 justamente porque elas o s\u00e3o que t\u00eam uma aut\u00eantica import\u00e2ncia.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qual a posi\u00e7\u00e3o da B\u00edblia e da Igreja em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mensagens, profecias e vis\u00f5es que envolvem Maria e os Santos? O pronunciamento oficial da Igreja sobre apari\u00e7\u00f5es e revela\u00e7\u00f5es est\u00e3o nestes dois documentos, o primeiro \u00e9 o pref\u00e1cio, o segundo s\u00e3o as normas para procedimentos de aprova\u00e7\u00e3o. https:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/documents\/rc_con_cfaith_doc_20111214_prefazione-levada_po.html http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/documents\/rc_con_cfaith_doc_19780225_norme-apparizioni_po.html 1. 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