{"id":137,"date":"2023-07-15T02:30:15","date_gmt":"2023-07-15T02:30:15","guid":{"rendered":"http:\/\/sinaisdostempos.org\/?p=137"},"modified":"2023-07-15T02:31:11","modified_gmt":"2023-07-15T02:31:11","slug":"entrevista-de-ratzinger-sobre-profecia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinaisdostempos.org\/?p=137","title":{"rendered":"Entrevista de Ratzinger sobre profecia"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O Cristianismo traz sempre consigo uma estrutura de esperan\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Faz-se cada vez mais urgente apresentar de modo compreens\u00edvel e viv\u00edvel a verdadeira estrutura de promessa e de cumprimento presente na f\u00e9 crist\u00e3&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Entrevista com o\u00a0<strong>Cardeal Joseph Ratzinger<\/strong> para a revista 30 Dias, Nr. 1 &#8211; 1999<\/p>\n\n\n\n<p>por Niels Christian Hvidt<\/p>\n\n\n\n<p><em><br>Quando se ouve pronunciar a palavra&nbsp;<\/em>&#8220;profecia&#8221;&nbsp;<em>, a maior parte dos te\u00f3logos pensa, de imediato, nos profetas do Antigo Testamento, em Jo\u00e3o Baptista, ou na dimens\u00e3o prof\u00e9tica do Magist\u00e9rio. E deste modo, na Igreja crist\u00e3, o tema dos profetas raramente \u00e9 abordado e constitui um dom\u00ednio particularmente pouco conhecido, em que muitas quest\u00f5es ficam ainda em aberto. E, no entanto, o decurso da hist\u00f3ria da Igreja est\u00e1 marcadamente sulcado de figuras prof\u00e9ticas, que ela pr\u00f3pria tantas vezes n\u00e3o canonizar\u00e1 sen\u00e3o bem mais tarde e que, durante a sua vida, transmitiram mensagens que essas mesmas figuras prof\u00e9ticas compreenderam como Palavra de Deus, e n\u00e3o como simples palavras de homens ou como uma sua pessoal mensagem.<br>Uma vez que quase se n\u00e3o tem reflectido, deforma sistem\u00e1tica, na especificidade dos profetas, naquilo que os distingue da Igreja Institucional, nas rela\u00e7\u00f5es entre a mensagem que lhes \u00e9 revelada e aquela que \u00e9 revelada em Cristo ou a Palavra transmitida pelos Ap\u00f3stolos, acontece que, praticamente, jamais foi desenvolvida uma verdadeira e pr\u00f3pria teologia da profecia crist\u00e3. De facto, existem poucos estudos sobre este problema&nbsp;<\/em><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#1\">1&nbsp;<\/a><em>.<br><\/em><br><em>Na sua actividade teol\u00f3gica, o Cardeal Ratzinger, h\u00e1 tempos, ocupou-se j\u00e1, de uma forma aprofundada, do conceito de Revela\u00e7\u00e3o. Nesse tempo, a sua tese de doutoramento&nbsp;<\/em><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#2\">2&nbsp;<\/a><em>sobre a&nbsp;<\/em><strong>&#8216;Teologia da Hist\u00f3ria de S\u00e3o Boaventura&#8221;&nbsp;<\/strong><em>tinha tido um tal impacto inovador, que o seu trabalho acabou por ser rejeitado de in\u00edcio&nbsp;<\/em><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#3\">3&nbsp;<\/a><em>. Nesse tempo, a Revela\u00e7\u00e3o era ainda concebida como uma recolha ou conjunto de propostas diversas; era considerada, sobretudo e acima de tudo como uma quest\u00e3o de conhecimentos racionais. Mas Ratzinger, pelo contr\u00e1rio, nas suas investiga\u00e7\u00f5es, viu em S\u00e3o Boaventura que o conceito de revela\u00e7\u00e3o se referia \u00e0 ac\u00e7\u00e3o de Deus na Hist\u00f3ria, na qual a Verdade se revela pouco a pouco, se bem que \u00e9 necess\u00e1rio compreender a Revela\u00e7\u00e3o como uma cont\u00ednua crescente da Igreja, que se desenrola na plenitude do Verbo de Deus, o Logos&nbsp;<\/em><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#4\">4&nbsp;<\/a><em>.<br>Quanto \u00e0 sua tese, foi finalmente aceite, mas apenas depois de algumas passagens terem sido de novo elaboradas e outras mais desenvolvidas. A partir de ent\u00e3o, o Cardeal Ratzinger defende uma compreens\u00e3o din\u00e2mica da Revela\u00e7\u00e3o, \u00e0 luz da qual Cristo, como Palavra de Deus, \u00e9 sempre maior que qualquer outra palavra de homem, que jamais poder\u00e1 estar em condi\u00e7\u00f5es de A exprimir plenamente. E assim se conclui que \u00e9 a Palavra de Deus que confere um sentido, um significado \u00e0s palavras humanas e n\u00e3o o inverso. Com efeito, estas \u00faltimas participam na natureza viva e inesgot\u00e1vel da Palavra divina que \u00e9 Cristo, enquanto \u00e9 \u00e0 luz da Palavra de Deus que elas se compreendem, evoluem no decurso da Hist\u00f3ria, passando de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, e assim se revestem de significados sempre novos&nbsp;<\/em><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#5\">5&nbsp;<\/a><em>.<br>Dito isto, \u00e9 apenas no quadro de um conceito din\u00e2mico da Revela\u00e7\u00e3o que \u00e9 poss\u00edvel saber exactamente o que \u00e9 a profecia crist\u00e3. J\u00e1 em 1993, o Cardeal Ratzinger emitia a seguinte averigua\u00e7\u00e3o:&nbsp;<strong>&#8220;A fim de compreender o que \u00e9 ser profeta no sentido crist\u00e3o do termo, assim como aquilo que o n\u00e3o \u00e9, imp\u00f5e-se uma aprofundada discuss\u00e3o a este respeito&#8221;&nbsp;<\/strong><\/em><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#6\">6&nbsp;<\/a>.<br><em>E \u00e9 isto mesmo que explica a raz\u00e3o pela qual uma entrevista sobre o tema da profecia crist\u00e3 foi pedida ao Cardeal, que logo se declarou amavelmente disposto a d\u00e1-la, no dia 16 de Mar\u00e7o de 1998&nbsp;<\/em><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#7\">7&nbsp;<\/a><em>.<br><\/em><br><strong>1 &#8211; Na hist\u00f3ria da Revela\u00e7\u00e3o do Antigo Testamento, os profetas, assim como a sua mensagem fazem essencialmente parte dele. E que, pela sua cr\u00edtica, abrem o caminho a Israel e acompanham-no sempre ao longo de toda a sua hist\u00f3ria. A seu ver, que se passa com a profecia, na vida da Igreja?<br><br><\/strong><em>&#8211; Detenhamo-nos, por instante, na profecia, no sentido veterotestament\u00e1rio do termo. Conv\u00e9m esclarecer com precis\u00e3o o que \u00e9 no fundo um profeta, para dissipar, de vez, todo o mal entendido poss\u00edvel.<br>Um profeta n\u00e3o \u00e9 um adivinho do futuro. A caracter\u00edstica essencial do profeta n\u00e3o consiste em predizer os acontecimentos futuros. O profeta \u00e9 aquele que diz a verdade, em virtude do seu contacto com Deus e, tratando-se da verdade v\u00e1lida para hoje, acaba por iluminar tamb\u00e9m, naturalmente, o futuro. Todavia, n\u00e3o se trata de predizer o futuro em todos os seus pormenores. Pelo contr\u00e1rio, trata-se de tornar presente, num determinado momento, a Verdade divina, o que permite indicar o bom caminho a seguir.<br>No que se refere ao Povo de Israel, a palavra do profeta possui uma fun\u00e7\u00e3o particular, no sentido em que a f\u00e9 judaica \u00e9 orientada essencialmente para o futuro, isto \u00e9, para aquilo que est\u00e1 para vir. Conclui-se que a palavra do profeta apresenta um duplo car\u00e1cter: apoia-se na F\u00e9 do Povo de Israel, por um lado e, pelo outro, pede que se ou\u00e7a e se cumpra. Por outras palavras, a palavra do profeta, que ser\u00e1 sempre uma palavra humana, inscreve-se, antes de mais, na pr\u00f3pria estrutura da esperan\u00e7a do Povo de Israel, notoriamente, naquilo que ele espera, naquilo para o qual est\u00e1 orientado.<br>Dito isto, o que faz o profeta, \u00e9 guardar viva a esperan\u00e7a do Povo eleito, fazendo-a seguir sempre em frente. Depois, importa sublinhar que o profeta n\u00e3o \u00e9 um apocal\u00edptico, se bem que tantas vezes o pare\u00e7a. A sua miss\u00e3o principal n\u00e3o \u00e9 descrever realidades \u00faltimas do mundo, mas fazer compreender a f\u00e9 em Deus, no momento em que fala, como uma esperan\u00e7a.<br>Do mesmo modo, embora o profeta deva intervir na hist\u00f3ria, proclamando a Palavra de Deus, comparada como esta \u00e9 a uma espada cortante, ele n\u00e3o \u00e9 algu\u00e9m que procure essencialmente exercer cr\u00edticas ao culto e \u00e0 institui\u00e7\u00e3o. \u00c9 verdade que o profeta deve sempre lembrar aos chefes de Israel, como institui\u00e7\u00e3o que n\u00e3o deixam de ser, a exig\u00eancia vital posta por Deus; e isto, apesar do mal entendido e abuso que se faz da Palavra divina. Mas \u00e9 falso conceber o Antigo Testamento como uma dial\u00e9ctica puramente antagonista entre o profeta e a Lei. Pelo facto de ambos terem a sua origem em Deus, ambos possuem igualmente uma fun\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica. \u00c9 um ponto que me parece muito importante, porque ele mesmo nos deve acompanhar na leitura do Novo Testamento. Sabemos como no fim do livro do Deuteron\u00f3mio&nbsp;<\/em>(18,15)&nbsp;<em>, Mois\u00e9s nos \u00e9 apresentado como profeta e \u00e9 ele mesmo que se nos apresenta como tal. Mois\u00e9s anuncia a Israel o seguinte:&nbsp;<\/em>&#8220;O Senhor, teu Deus, suscitar\u00e1 em teu favor um profeta sa\u00eddo das tuas fileiras, um dos teus irm\u00e3os, como eu&#8221; (Dt 18,15)&nbsp;<em>. Ora, p\u00f5e-se-nos uma quest\u00e3o: que quer dizer &#8220;um profeta como eu&#8221;? O ponto decisivo aqui, creio eu, \u00e9 que sempre, segundo o livro do Deuteron\u00f3mio, a caracter\u00edstica de Mois\u00e9s consiste em que ele fala com Deus como a um amigo&nbsp;<\/em><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#8\">8&nbsp;<\/a><em>. E \u00e9 a\u00ed mesmo que eu vejo o n\u00facleo, a quinta ess\u00eancia do ser prof\u00e9tico, que \u00e9 justamente esse &#8220;face a face&#8221; com Deus: conversar com Ele como um amigo. No Antigo Testamento, o profeta n\u00e3o pode falar na hist\u00f3ria de Israel sen\u00e3o em virtude deste encontro directo entre ele mesmo e Deus.<br><\/em><br><strong>2- Como se deve ent\u00e3o conceber este termo&nbsp;<em>&#8220;profecia&#8221;&nbsp;<\/em>em rela\u00e7\u00e3o a Cristo? Poderemos chamar a Cristo um profeta?<br><br><\/strong><em>&#8211; Na verdade, os Padres da Igreja compreenderam a profecia do Deuteron\u00f3mio que acaba de ser mencionada como uma promessa feita relacionada com Cristo. E eu penso que eles t\u00eam raz\u00e3o. Mois\u00e9s diz bem claramente: &#8220;um profeta como eu&#8221;. E ele mesmo transmitiu a Israel uma mensagem da parte de Deus, que faz de Israel um povo. E verdade \u00e9 que, pelo seu pr\u00f3prio &#8220;face a face&#8221; com Deus, ele cumpriu a sua miss\u00e3o; ele pr\u00f3prio conduziu os Israelitas ao seu encontro com Deus. E ao servi\u00e7o da profecia desse modelo que todos os demais profetas ulteriores s\u00e3o chamados, pois o seu dever \u00e9 libertar constantemente a Lei mosaica do seu aspecto r\u00edgido e transform\u00e1-la numa via que se abra \u00e0 vida.<br>Por conseguinte, o verdadeiro Mois\u00e9s, que \u00e9 tamb\u00e9m maior, \u00e9 Cristo, que vive realmente num &#8220;face a face&#8221; com Deus, na medida em que \u00e9 o Filho de Deus. Neste contexto, constitu\u00eddo por um lado pelo Deuteron\u00f3mio e pelo outro, pela pr\u00f3pria Vinda de Cristo, percebe-se um ponto muito importante para compreender a unidade dos dois Testamentos: Cristo \u00e9 o novo Mois\u00e9s, perfeito e insuper\u00e1vel porque, como Filho de Deus que \u00e9, vive face a face com Deus. N\u00e3o s\u00f3 nos conduz a Deus pela palavra e pelas leis, mas tamb\u00e9m nos assume a todos n&#8217;Ele pela Sua vida e pela Sua paix\u00e3o, Ele cuja Incarna\u00e7\u00e3o faz de n\u00f3s o Seu Corpo M\u00edstico. Isto significa que o ser prof\u00e9tico se enraiza igualmente no Novo Testamento, gra\u00e7as a Cristo, que nele \u00e9 revelado como o profeta mais perfeito, porque Ele Mesmo \u00e9 o Filho de Deus. De tudo isto resulta que, pelo que se refere ao Novo Testamento, \u00e9 da comunh\u00e3o com Cristo que prov\u00e9m a dimens\u00e3o cristol\u00f3gica e prof\u00e9tica da voca\u00e7\u00e3o de um crist\u00e3o.<br><\/em><br><strong>3-A seu ver, como se deve considerar tudo isto, concretamente, no Novo Testamento? A morte do \u00faltimo Ap\u00f3stolo, S\u00e3o Jo\u00e3o, n\u00e3o por\u00e1 um freio a toda a profecia ulterior? Acaso n\u00e3o ser\u00e1 verdade que exclui mesmo a sua simples possibilidade?<br><\/strong><br><em>&#8211; Sim, que a redac\u00e7\u00e3o final do livro do Apocalipse p\u00f5e fim a toda a profecia, \u00e9 uma tese que existe, mas que, a meu ver, procede de um duplo desprezo.<br>Primeiro, esta tese pode dar a impress\u00e3o de que, do facto de Cristo ter vindo, a Sua pr\u00f3pria vinda nos autorizaria a pensar que n\u00e3o h\u00e1 nada mais a esperar e que o profeta j\u00e1 n\u00e3o tem a sua raz\u00e3o de ser, precisamente porque a miss\u00e3o do profeta \u00e9 essencialmente uma miss\u00e3o de esperan\u00e7a. Ora, \u00e9 um erro porque Cristo veio em carne e, bem mais, Ele Pr\u00f3prio ressuscitou &#8220;no Esp\u00edrito Santo&#8221;. Esta nova presen\u00e7a de Cristo na hist\u00f3ria da humanidade, a saber, nos Sacramentos, na Sua Palavra, assim como no cora\u00e7\u00e3o de cada homem, \u00e9 a express\u00e3o mas tamb\u00e9m o princ\u00edpio do Advento definitivo de Cristo, que tomar\u00e1 posse de tudo e em tudo&nbsp;<\/em>(cf. Ef 1,23; 4,10)&nbsp;<em>. Isto leva-nos a dizer que o Cristianismo \u00e9 por natureza, em si mesmo, um movimento porque vai ao encontro do Senhor, que voltar\u00e1 a vir, uma vez mais. E o encontro com Cristo, pela segunda vez, n\u00e3o ser\u00e1 j\u00e1 o mesmo que pela primeira, muito simplesmente porque j\u00e1 veio uma vez, mas subiu ao C\u00e9u. E esta \u00e9 a raz\u00e3o pela qual a esperan\u00e7a continua a ser algo de inerente ao Cristianismo como estrutura, porque \u00e9 orientada para o Senhor ressuscitado e subido ao C\u00e9u, e que prometeu regressar em gl\u00f3ria. A este prop\u00f3sito, a Eucaristia foi sempre compreendida como um movimento da nossa parte para o Senhor, para O encontrar na f\u00e9. \u00c9 um sacramento que incorpora a Igreja.<br>Por conseguinte, \u00e9 um desprezo pensar que pelo facto de o maior profeta, Cristo, cuja presen\u00e7a pode cumular tudo, ter j\u00e1 vindo uma vez, essa dimens\u00e3o de esperan\u00e7a que encontramos no tempo dos profetas do Antigo Testamento j\u00e1 n\u00e3o existe no Cristianismo, inaugurado pelo Novo Testamento. \u00c9 um mal entendido que se deve evitar. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 necess\u00e1rio dizer que mesmo o Novo Testamento cont\u00e9m necessariamente nele pr\u00f3prio uma dimens\u00e3o de esperan\u00e7a, como esp\u00e9cie de estrutura que lhe \u00e9 inerente. \u00c9 sempre necess\u00e1rio, acreditar primeiro, e a seguir esperar. E ser servidor da esperan\u00e7a crist\u00e3 faz parte essencial da f\u00e9 do novo Povo de Deus que todos n\u00f3s somos.<br>O segundo desprezo \u00e9 uma compreens\u00e3o reducionista e intelectualista da Revela\u00e7\u00e3o, que pretende consider\u00e1-la como um tesouro, verdades reveladas a conhecer que s\u00e3o t\u00e3o completas, que nada mais se lhes pode j\u00e1 acrescentar. Ora, a verdadeira Revela\u00e7\u00e3o \u00e9 um acontecimento em que todos n\u00f3s somos convidados a encontrar Deus face a face. No fundo, a Revela\u00e7\u00e3o quer dizer que Deus Se d\u00e1 a todos n\u00f3s, participa na nossa hist\u00f3ria, associa-Se e une-Se a n\u00f3s. Na medida em que a Revela\u00e7\u00e3o se define como o encontro entre dois seres, um humano e o outro divino, ela tem tamb\u00e9m um car\u00e1cter comunicativo, cognitivo. E \u00e9 neste sentido que ela implica e mesmo necessita do conhecimento das verdades reveladas.<br>Compreendendo a Revela\u00e7\u00e3o desta forma, pode agora dizer-se que, com Cristo, a Revela\u00e7\u00e3o atingiu o seu fim. De facto, segundo a bela express\u00e3o de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz: &#8220;Se Deus falou pessoalmente, n\u00e3o h\u00e1 nada mais a completar&#8221;. Do mesmo modo, j\u00e1 ningu\u00e9m pode deixar de dizer que o Verbo de Deus est\u00e1 presente, no meio de n\u00f3s. Deus j\u00e1 n\u00e3o pode dar ou dizer algo maior que Ele Mesmo. Quanto a n\u00f3s, n\u00e3o nos resta mais do que penetrar dia-a-dia neste mist\u00e9rio da F\u00e9, justamente porque n\u00f3s, os Crist\u00e3os, recebemos esse dom total de Si, que Deus nos fez pelo Seu Verbo feito carne. Isto, lembremo-nos, n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o um ponto, nesta nossa compreens\u00e3o da &#8220;profecia&#8221; isto \u00e9, como liga\u00e7\u00e3o com o acto de esperar do crente. Mas este ponto da nossa reflex\u00e3o d\u00e1 lugar a um outro ponto.<br>\u00c9 que a primeira vinda de Cristo restabeleceu, entre Deus e o homem, uma liga\u00e7\u00e3o nova que \u00e9 sempre de refor\u00e7ar. Assim, gra\u00e7as \u00e0 sua pr\u00f3pria liga\u00e7\u00e3o com o Verbo feito carne, o homem descobre o que Este lhe ofereceu. \u00c9 precisamente esta nova rela\u00e7\u00e3o que ir\u00e1 introduzir o homem na verdade total, mas tamb\u00e9m de uma forma nova, como o pr\u00f3prio Jesus o diz no Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o, em que fala da descida do Esp\u00edrito Santo&nbsp;<\/em><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#9\">9&nbsp;<\/a><em>. A cristologia pneumatol\u00f3gica que prov\u00e9m do \u00faltimo discurso, no Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o, constitui, a meu ver, um ponto pertinente, nesta nossa reflex\u00e3o, na medida em que o pr\u00f3prio Cristo explica que a Sua vida terrestre, em carne, n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o um primeiro passo. A verdadeira vinda de Cristo realiza-se no momento em que Cristo j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 ligado a um lugar fixo ou a um corpo f\u00edsico, mas em Esp\u00edrito, depois da Sua Ressurrei\u00e7\u00e3o, at\u00e9 aos nossos dias, capaz, pois, de vir a todos os homens de todas as gera\u00e7\u00f5es, para os introduzir na Verdade, de uma forma cada vez mais profunda. Importa lembrar este dado teol\u00f3gico, pois ele esclarece o tempo da Igreja em que n\u00f3s estamos em vias de viver e que \u00e9 tamb\u00e9m o tempo do Esp\u00edrito Santo, pois \u00e9 em Esp\u00edrito que Cristo vem a n\u00f3s e ao meio de n\u00f3s, numa vinda espiritual. Compreende-se que, num tal contexto, o elemento prof\u00e9tico que, por natureza, torna presente o que Deus deu aos homens, a saber, a Esperan\u00e7a que \u00e9 o pr\u00f3prio Deus, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o pode desaparecer, mas jamais poder\u00e1 t\u00e3o pouco diminuir.<br><\/em><br><strong>4 &#8211; Se assim \u00e9, a quest\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 antes saber como \u00e9 necess\u00e1rio ver este elemento prof\u00e9tico no tempo da Igreja, a come\u00e7ar por S\u00e3o Paulo?<br><br><\/strong><em>&#8211; No que se refere a S\u00e3o Paulo, cuja miss\u00e3o se desempenha entre os pag\u00e3os, \u00e9 claro que o seu apostolado universal tem tamb\u00e9m um alcance prof\u00e9tico. Gra\u00e7as ao seu encontro com Cristo ressuscitado, S\u00e3o.Paulo p\u00f4de penetrar no mist\u00e9rio da Ressurrei\u00e7\u00e3o, compreendendo em profundidade a Boa Nova de Jesus. Do mesmo modo, gra\u00e7as ao seu encontro com Cristo Ressuscitado, aprendeu a compreender a Sua Palavra de uma forma nova, e t\u00e3o bem que lhe revela o car\u00e1cter, o aspecto de esperan\u00e7a, fazendo valer de repente a sua capacidade de discernimento.<br>Ser um ap\u00f3stolo como S\u00e3o Paulo \u00e9 um fen\u00f4meno \u00fanico. Podemos interrogar-nos sobre o que se passa na Igreja, depois do tempo dos Ap\u00f3stolos. Para responder a esta pergunta, \u00e9 necess\u00e1rio referirmo-nos a uma passagem do cap\u00edtulo II da Ep\u00edstola de S\u00e3o Paulo aos Ef\u00e9sios, em que ele escreveu:&nbsp;<\/em><strong>&#8220;A Igreja \u00e9 fundada nos Ap\u00f3stolos e nos profetas&#8221;&nbsp;<\/strong><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#10\">10<\/a><em>. Ao tempo, pensava-se que se tratava apenas dos doze Ap\u00f3stolos e dos profetas do Antigo Testamento, enquanto os exegetas modernos nos dizem que o termo &#8220;ap\u00f3stolo&#8221; tem uma acep\u00e7\u00e3o muito mais larga, tal como o termo &#8220;profeta&#8221;, que inclui tamb\u00e9m os profetas do tempo da Igreja.<br>Ora, segundo o cap\u00edtulo 12 da primeira Ep\u00edstola aos Cor\u00edntios, os profetas de outrora organizavam-se como membros de um col\u00e9gio. O col\u00e9gio dos profetas \u00e9 tamb\u00e9m mencionado na Didakh\u00e9, o que quer dizer que existia ainda, quando a obra foi escrita.<br>Com o tempo, o col\u00e9gio dos profetas foi dissolvido. A dissolu\u00e7\u00e3o do col\u00e9gio dos profetas n\u00e3o \u00e9 certamente um acaso. De facto, como no-lo mostra o Antigo Testamento, a fun\u00e7\u00e3o de um profeta n\u00e3o \u00e9 algo que se possa institucionalizar, na medida em que os profetas dirigiam a sua cr\u00edtica, n\u00e3o apenas aos sacerdotes, mas tamb\u00e9m aos profetas institucionalizados. Isto parece bem claro no livro do Profeta Am\u00f3s, em que este fala contra os profetas do Reino de Israel. Acontece mesmo muitas vezes que os profetas livres e independentes falam contra os que pertencem a um col\u00e9gio. \u00c9 que, entre os primeiros, Deus encontra, por assim dizer, mais margem de manobra, mais liberdade de agir por si mesmos, no momento em que \u00e9 necess\u00e1rio que eles intervenham ou tomem iniciativas. Visto que os dois tipos de profetas que embelezam a hist\u00f3ria da Igreja t\u00eam a sua raz\u00e3o de ser, parece-me que se n\u00e3o pode falar de uma reforma do col\u00e9gio dos profetas.<br>No que respeita aos profetas do tipo dito institucional, importa confessar que o col\u00e9gio dos Ap\u00f3stolos, a exemplo de S\u00e3o Paulo que tamb\u00e9m foi um profeta a seu jeito, se reconhece ter n\u00e3o menos o seu car\u00e1cter prof\u00e9tico. E \u00e9 assim que a Igreja se v\u00ea perante desafios que lhe s\u00e3o pr\u00f3prios, na medida em que o Esp\u00edrito Santo encontra, no momento crucial, uma porta de entrada para intervir. A hist\u00f3ria da Igreja fornece-nos bem muitas provas de que o ap\u00f3stolo e o profeta podem ser uma s\u00f3 e mesma pessoa. Basta ver grandes figuras, tais como Greg\u00f3rio Magno e Santo Agostinho. H\u00e1 muitos e bons ap\u00f3stolos prof\u00e9ticos: foram prof\u00e9ticos na medida em que souberam abrir a porta ao Esp\u00edrito Santo com a ajuda do seu poder. E foi como profetas desse modo que conseguiram exercer o seu poder, como muito bem no-lo descreve a Did\u00e1kh\u00e9.<br>Quanto aos profetas ditos livres ou independentes, \u00e9 bom lembrar que Deus Se reserva a liberdade de intervir directamente na Sua Igreja para a despertar, para a avisar, para a promover e santificar, justamente pelos carismas que lhe d\u00e1. Sempre na hist\u00f3ria da Igreja existiram personagens carism\u00e1ticos e prof\u00e9ticos. E eles surgiram sobretudo numa reviravolta, num momento decisivo da hist\u00f3ria da Igreja. Pensemos, por exemplo, no nascimento do movimento dos monges, num Santo Ant\u00e3o, no impacto que teve este Padre do deserto. Foram os monges que protegeram a cristologia do arianismo e do nestorianismo. E o mesmo acontece com S\u00e3o Bas\u00edlio, um grande bispo, mas tamb\u00e9m um verdadeiro profeta do seu tempo. Depois, n\u00e3o podemos deixar de constatar que o movimento das Ordens mendicantes foi igualmente um fen\u00f4meno novo, mas cuja origem era carism\u00e1tica. Nem S\u00e3o Domingos nem S\u00e3o Francisco fizeram profecia sobre o futuro, mas souberam ler os sinais dos tempos e reconhecer que, para a Igreja, chegara o momento de se libertar do sistema feudal; que chegara a hora de p\u00f4r em evid\u00eancia a universalidade e a pobreza evang\u00e9lica, assim como a &#8220;vida apost\u00f3lica&#8221;. E fazendo-o, devolveram \u00e0 Igreja o seu verdadeiro rosto, uma Igreja conduzida por Cristo e animada pelo Esp\u00edrito Santo. E foi assim que eles contribu\u00edram para a reforma da hierarquia da Igreja, criando no interior desta \u00faltima um estilo de vida religiosa inteiramente novo. Ou ainda outros grandes personagens, semelhantes mas femininos, como por exemplo Catarina de Sena ou Br\u00edgida da Su\u00e9cia.<br>Dito isto, creio que \u00e9 importante sublinhar que cada vez que a Igreja atravessava um momento particularmente dif\u00edcil, tal como a crise de Avinh\u00e3o e o cisma que se lhe seguiu, houve mulheres que se ergueram para anunciar que Cristo vivo \u00e9 tamb\u00e9m Cristo sofredor, na Sua Igreja.<br><\/em><br><strong>5 &#8211; Quando se l\u00ea de perto a hist\u00f3ria da Igreja, apercebemo-nos de que a maior parte dos m\u00edsticos prof\u00e9ticos s\u00e3o mulheres. \u00c9 um facto muito interessante que, com toda a evid\u00eancia, poderia contribuir para a discuss\u00e3o sobre o sacerd\u00f3cio das mulheres. Que pensa disto?<br><\/strong><em><br>&#8211; H\u00e1 uma antiga tradi\u00e7\u00e3o patr\u00edstica que chama a Maria, n\u00e3o &#8220;sacerdotisa&#8221; mas &#8220;profetisa&#8221;, de sorte que o t\u00edtulo de profetisa \u00e9 na patr\u00edstica o t\u00edtulo de Maria por excel\u00eancia: \u00e9 em Maria que a &#8220;profecia&#8221;, no sentido crist\u00e3o do termo, se define melhor, a saber, em raz\u00e3o da capacidade interior de escuta de Maria, da sua capacidade de percep\u00e7\u00e3o e da sua sensibilidade espirituais, que Lhe permitem captar o murm\u00fario inaud\u00edvel do Esp\u00edrito Santo, assimilando-o perfeitamente, fecundando-o, oferecendo-o ao mundo imediatamente depois de o ter fecundado. Por esta raz\u00e3o, pode dizer-se que, num certo sentido, mas sem se ser categ\u00f3rico: \u00e9 o princ\u00edpio mariano que incarna o car\u00e1cter prof\u00e9tico da Igreja. Ora, se os Padres da Igreja sempre viram Maria como o arqu\u00e9tipo dos profetas crist\u00e3os, \u00e9 porque Ela colocou, por assim dizer, os marcos da tradi\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica da Igreja, aponto de esta linha prof\u00e9tica ser concomitante ao tempo da Igreja.<br>Dito isto, conv\u00e9m pensar agora nas irm\u00e3s dos Santos, tanto no sentido pr\u00f3prio como no sentido espiritual do termo. \u00c9 sobretudo a sua irm\u00e3 que Santo Ambr\u00f3sio deve o caminho espiritual que havia podido percorrer. O mesmo acontece com S\u00e3o Bas\u00edlio e S\u00e3o Greg\u00f3rio de Nissa, como tamb\u00e9m com S\u00e3o Bento. Mais tarde, na segunda metade da Idade M\u00e9dia, vemos outras grandes figuras m\u00edsticas, entre as quais se deve tamb\u00e9m mencionar Francisca Romana. Seguidamente, no s\u00e9culo XVI, vem Teresa d&#8217;\u00c1vila, que exerceu um papel muito importante na evolu\u00e7\u00e3o espiritual e doutrin\u00e1ria de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz.<br>A linha prof\u00e9tica ligada \u00e0s mulheres tem, pois, uma enorme import\u00e2ncia na hist\u00f3ria da Igreja. Catarina de Sena e Brigida da Su\u00e9cia podem servir de paradigma, de grelha de leitura. Ambas falaram a uma Igreja em que existia ainda o col\u00e9gio apost\u00f3lico e onde os sacramentos eram administrados. Por conseguinte, o essencial existia ainda; todavia, devido a lutas internas, estava em risco de cair. Essa Igreja, reavivaram-na elas mesmas, restaurando nela o carisma da Unidade, reinstalando nela a humildade e a coragem evang\u00e9licas e pondo em evid\u00eancia o seu dever de evangeliza\u00e7\u00e3o.<br><\/em><br><strong>6 &#8211; Acaba de dizer que a revela\u00e7\u00e3o em Cristo se fez de uma forma &#8221;&nbsp;<em>definitiva&#8221;&nbsp;<\/em>&#8211; que se n\u00e3o deve confundir com&nbsp;<em>&#8220;\u00faltima&#8221;,&nbsp;<\/em>que quer dizer&nbsp;<em>&#8220;aquilo depois do qual nada mais se seguir\u00e1 &#8211; n\u00e3o se identifica com a \u00faltima palavra das doutrinas reveladas, como um ponto de chegada&#8221;.&nbsp;<\/em>Esta pertinente afirma\u00e7\u00e3o apresenta um grande interesse a esta nossa tese sobre a profecia crist\u00e3. De improviso, p\u00f5e-se-nos uma delicada pergunta: em que medida os profetas, num dado momento da hist\u00f3ria da Igreja, ter\u00e3o algo de radicalmente novo a dizer em mat\u00e9ria de teologia? De facto, a hist\u00f3ria dos dogmas parece confirmar uma coisa: os \u00faltimos grandes dogmas remontam, na verdade, \u00e0s revela\u00e7\u00f5es dos grandes santos de car\u00e1cter prof\u00e9tico, como por exemplo as de Catarina Labour\u00e9, no que se refere ao dogma da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o. \u00c9 ainda um tema pouco explorado nas obras teol\u00f3gicas.<br><br><\/strong><em>&#8211; Absolutamente. Importa tratar esse problema como deve ser. Parece-me que nas suas investiga\u00e7\u00f5es, Balthasar descobriu que por detr\u00e1s de cada grande te\u00f3logo, h\u00e1 primeiro a influ\u00eancia de um profeta: n\u00e3o se pode conceber um Santo Agostinho que n\u00e3o tenha conhecido os monges do deserto, particularmente Santo Ant\u00e3o. E o mesmo acontece com Atan\u00e1sio, Padre da Igreja. Paralelamente, sem um S\u00e3o Domingos e o carisma da evangeliza\u00e7\u00e3o que lhe era pr\u00f3pria, n\u00e3o teria havido certamente um S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino. Lendo os escritos de S\u00e3o Tom\u00e1s, v\u00ea-se como ele tinha bem a peito a miss\u00e3o, mais claramente no conflito entre as Ordens mendicantes e o clero da \u00e9poca, \u00fanico a ter, at\u00e9 ent\u00e3o, a prerrogativa de ensinar, como professor, a teologia, na Universidade de Paris. A pr\u00f3pria necessidade de evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9, pois, inerente \u00e0 miss\u00e3o da Igreja, que levou S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino a repensar o estatuto da Ordem dominicana e a justificar o apostolado de evangeliza\u00e7\u00e3o pela via do ensino, afirmando que, na origem da Regra da sua Ordem, est\u00e3o as Sagradas Escrituras, e que ela \u00e9 composta pelo quarto cap\u00edtulo dos Actos dos Ap\u00f3stolos (&#8220;num s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e numa s\u00f3 alma&#8221;) por um lado e, pelo outro, do d\u00e9cimo cap\u00edtulo do Evangelho de S\u00e3o Mateus&nbsp;<\/em>(&#8220;anunciar o Evangelho sem possuir nada&#8221;).&nbsp;<em>Isto, aos olhos de S\u00e3o Tom\u00e1s, \u00e9 a Regra de todas as regras religiosas. Toda a forma de vida mon\u00e1stica n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o a realiza\u00e7\u00e3o deste modelo do tempo da Igreja primitiva, de car\u00e1cter apost\u00f3lico, naturalmente, mas tamb\u00e9m em que foi S\u00e3o Domingos quem o fez redescobrir e o avaliou pela sua vida e pela sua pessoa. Quanto a S\u00e3o Tom\u00e1s, transp\u00f4s, tanto a vida como o carisma de S\u00e3o Domingos para um plano intelectual e acad\u00eamico, concebendo uma teologia da evangeliza\u00e7\u00e3o, a sua. Para o fazer, respeitava e seguia de bem perto o preceito b\u00edblico de tudo abandonar por amor do Evangelho, mas tamb\u00e9m com amor, a fim de que uma comunidade crist\u00e3&nbsp;<\/em>&#8220;de um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e de uma s\u00f3 alma&#8221;&nbsp;<em>possa ver a luz do dia. Ainda outros casos mostram como uma figura prof\u00e9tica pode ser importante para o te\u00f3logo, tais como S\u00e3o Francisco de Assis, para S\u00e3o Boaventura, ou Adriana von Speyr, para Hans Urs von Balthasar.<br>Os grandes te\u00f3logos confirmam de certo modo pelo seu trabalho, esta l\u00f3gica na rela\u00e7\u00e3o entre a profecia e a teologia: antes que a teologia possa evoluir ou dar um salto qualitativo, \u00e9 necess\u00e1ria primeiro a entrada em cena de um personagem prof\u00e9tico, a um dado momento da hist\u00f3ria da Igreja. Enquanto o te\u00f3logo trabalha de uma forma puramente racional, nada de novo acontecer\u00e1; conseguir\u00e1 talvez sistematizar melhor as verdades conhecidas, revelar-lhes aspectos mais subtis. No entanto, verdadeiros progressos no plano doutrin\u00e1rio, descobertas teol\u00f3gicas t\u00e3o novas que revolucionem a pr\u00f3pria teologia, n\u00e3o \u00e9 o te\u00f3logo que os pode fazer com o seu trabalho puramente racional, mas muito mais depressa o faz um personagem prof\u00e9tico, pelo carisma que recebeu de Deus. E \u00e9 nesse sentido que a profecia e a teologia caminham sempre a par. Como ci\u00eancia, estritamente falando, a teologia n\u00e3o \u00e9 prof\u00e9tica; apesar disso, torna-se viva, quando alimentada e iluminada por uma inspira\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica.<br><\/em><br><strong>7 &#8211; No Credo de Niceia, diz-se do Esp\u00edrito Santo: &#8221;&nbsp;<em>falou pelos profetas&#8221;.&nbsp;<\/em>Pode saber-se se os profetas em quest\u00e3o s\u00e3o apenas os do Antigo Testamento ou tamb\u00e9m os do Novo Testamento?<br><\/strong><br><em>&#8211; Para responder a esta pergunta, seria necess\u00e1rio lembrar primeiro a hist\u00f3ria do Credo de Niceia. Segundo os termos e o tempo utilizado, os profetas de que aqui se fala s\u00e3o os profetas do Antigo Testamento (cf. o passado composto: Ele tem falado). De uma vez s\u00f3, \u00e9 sublinhada e posta em evid\u00eancia a dimens\u00e3o pneumatol\u00f3gica da Revela\u00e7\u00e3o. Na economia da salva\u00e7\u00e3o, o Esp\u00edrito Santo precede Cristo, primeiro para Lhe preparar o caminho, depois para o fazer compreender, conduzindo assim todos os homens \u00e0 Verdade. H\u00e1 diferentes simbolismos que p\u00f5em o acento sobre este aspecto. A Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja oriental considera a obra do Esp\u00edrito Santo como uma obra de prepara\u00e7\u00e3o, na economia da salva\u00e7\u00e3o. Aquele que fala pelos profetas, \u00e9 o Esp\u00edrito Santo, que fala, acima de tudo, de Cristo; eu estou persuadido de que, na tem\u00e1tica desta nossa quest\u00e3o, se trata sobretudo de afirmar que \u00e9 o Esp\u00edrito Santo que aplaina o caminho para que Cristo possa ser concebido&nbsp;<\/em>&#8220;ex Spiritu Sancto&#8221;.&nbsp;<em>Por outras palavras, o que aconteceu em Maria&nbsp;<\/em>&#8220;ex Spiritu Sancto&nbsp;<em>&#8220;, \u00e9 um evento cuidadosa e longamente preparado. Do mesmo modo que Maria traz consigo toda a profecia do Antigo Testamento, assim tamb\u00e9m assume em si toda a economia do Esp\u00edrito Santo, concebendo Cristo&nbsp;<\/em>&#8220;ex Spiritu Sancto&#8221;.<br><em>Eu creio que se pode mesmo ir ainda mais longe, nesta nossa perspectiva: at\u00e9 dizer que Cristo n\u00e3o cessa de ser concebido&nbsp;<\/em>&#8220;ex Spiritu Sancto&#8221;.&nbsp;<em>Parece manifesto que o Evangelista S\u00e3o Lucas p\u00f4s conscientemente em paralelo o relato da inf\u00e2ncia de Jesus no seu evangelho e o nascimento da Igreja, no segundo cap\u00edtulo dos Actos dos Ap\u00f3stolos, em que Maria se encontra rodeada pelos doze Ap\u00f3stolos, todos cheios do Esp\u00edrito Santo. Num caso como no outro, assiste-se a uma&nbsp;<\/em>&#8220;conceptio ex Spiritu Sancto&#8221;,&nbsp;<em>uma concep\u00e7\u00e3o sobrenatural, cujo autor \u00e9 sempre o Esp\u00edrito Santo e que se actualiza de novo, para oferecer ao mundo um outro Cristo que \u00e9 a Igreja. Em resumo, mesmo que o artigo de F\u00e9, no credo de Niceia, se refira apenas aos profetas do Antigo Testamento, isso n\u00e3o quer dizer que a economia ou ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo se d\u00ea com isso por conclu\u00edda.<br><\/em><br><strong>8 &#8211; S\u00e3o Jo\u00e3o Baptista \u00e9 muitas vezes designado como o \u00faltimo dos profetas. A seu ver, como dever\u00e1 compreender-se esta afirma\u00e7\u00e3o?<br><\/strong><em><br>&#8211; H\u00e1 v\u00e1rias raz\u00f5es que fazem que S\u00e3o Jo\u00e3o Baptista seja chamado o \u00faltimo dos profetas. E uma delas \u00e9 que o pr\u00f3prio Jesus disse:&nbsp;<\/em>&#8220;Porque todos os profetas e a Lei vaticinaram at\u00e9 Jo\u00e3o&#8221; (Mt 11, 13).&nbsp;<em>Dizendo isto, Jesus declara que a Antiga Alian\u00e7a terminou em Jo\u00e3o e que, depois dele, vem algu\u00e9m que \u00e9 mais pequenino na apar\u00eancia, mas maior no Reino de Deus: o pr\u00f3prio Jesus&nbsp;<\/em><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#11\">11&nbsp;<\/a><em>. O facto de ser Jo\u00e3o a preceder imediatamente Jesus significa que Jo\u00e3o p\u00f5e termo a uma \u00e9poca, inaugurando ao mesmo tempo uma era nova, a da Nova Alian\u00e7a. E \u00e9 nesse mesmo sentido que Jo\u00e3o \u00e9 o \u00faltimo profeta: contempor\u00e2neo de Jesus, Jo\u00e3o Baptista \u00e9 o profeta em que se concentra todo o movimento prof\u00e9tico do Antigo Testamento, como a chama de uma s\u00f3 tocha de que Jo\u00e3o \u00e9 o portador e que ele mesmo devolve a Jesus. Deste modo, Jo\u00e3o Baptista completa a obra dos profetas no sentido veterotestament\u00e1rio do termo, porque indica a esperan\u00e7a do Povo de Israel: o Messias, Jesus. Importa notar igualmente que Jo\u00e3o Baptista n\u00e3o anuncia nada que se relacione com o futuro, mas apenas a urg\u00eancia de se converter, uma vez presente o Messias, actualizando e renovando ao mesmo tempo a promessa da Antiga Alian\u00e7a. E \u00e9 assim que ele fala de Jesus:&nbsp;<\/em>&#8220;Ele est\u00e1 j\u00e1 no meio de v\u00f3s, mas v\u00f3s n\u00e3o O conheceis&#8221;&nbsp;<a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#12\">12&nbsp;<\/a><em>. Muito embora este apelo se pare\u00e7a com uma predi\u00e7\u00e3o, Jo\u00e3o Baptista acabou por ser fiel \u00e0 linha prof\u00e9tica: em lugar de predizer o futuro, Jo\u00e3o n\u00e3o faz sen\u00e3o anunciar que &#8220;\u00e9 tempo de se converter&#8221;. A mensagem de Jo\u00e3o Baptista tem, pois, por fim convidar o Povo de Israel a examinar-se, interrogar-se e arrepender-se, a fim de poder acolher essa salva\u00e7\u00e3o que acreditou e aguardou desde sempre. E essa mesma salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 j\u00e1 presente: \u00e9 Jesus, de quem Jo\u00e3o Baptista \u00e9 o precursor, que personifica neste sentido a expectativa de todo o Povo de lsrael. O acerto de cham\u00e1-lo o &#8220;\u00faltimo profeta&#8221; est\u00e1, pois, em ser o \u00faltimo da era pr\u00e9-messi\u00e2nica. Em contra partida, a partir da Nova Alian\u00e7a, da era comumente chamada messi\u00e2nica, a profecia ser\u00e1 completamente diferente, isto \u00e9, de um outro tipo, assim como o s\u00e3o tamb\u00e9m os profetas da era messi\u00e2nica.<br>Por conseguinte, a raz\u00e3o de considerar Jo\u00e3o Baptista como o \u00faltimo profeta deve agora ser bem clara: outros profetas o precederam, ao servi\u00e7o de uma esperan\u00e7a que se aguardava, a salva\u00e7\u00e3o prometida por Deus. Entretanto, isso n\u00e3o quer dizer que j\u00e1 n\u00e3o haver\u00e1 profecia depois de Jo\u00e3o Baptista; ver-nos-\u00edamos assim em contradi\u00e7\u00e3o com o ensinamento de S\u00e3o Paulo, que diz na sua primeira Ep\u00edstola aos Tessalonicenses:&nbsp;<\/em>&#8220;N\u00e3o extingais o esp\u00edrito. N\u00e3o desprezeis os dons da profecia&#8221; (1 Ts 5, 19-20)&nbsp;<a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#13\">13&nbsp;<\/a>.<br><br><strong>9 &#8211; Dado que Cristo entrou na hist\u00f3ria, deve por isso haver uma diferen\u00e7a entre a profecia do Antigo Testamento e a do Novo Testamento. Ora, compreendendo a profecia como uma mensagem recebida de Deus e dirigida \u00e0 Igreja, a profecia do Antigo Testamento e a do Novo Testamento n\u00e3o parecem, no fundo, diferen\u00e7ar-se consideravelmente uma da outra.<br><\/strong><br><em>&#8211; H\u00e1 efectivamente uma diferen\u00e7a entre os dois tipos de profecias, que reside na sua estrutura interna. No que se refere \u00e0 estrutura interna da profecia do Antigo Testamento, Cristo \u00e9 a salva\u00e7\u00e3o prometida, que est\u00e1 para vir, enquanto na estrutura interna da profecia do Novo Testamento, Cristo \u00e9 a salva\u00e7\u00e3o que j\u00e1 veio e que vir\u00e1 ainda uma vez mais. Esta quest\u00e3o teol\u00f3gica merece ser mais estudada e aprofundada. O cerne desta quest\u00e3o \u00e9 saber, por um lado, a raz\u00e3o pela qual o tempo da Igreja, no seu plano estrutural, tem muito mais afinidade com o Antigo Testamento ou, pelo menos, se assemelha mais com ele e, por outro, que novidade nos foi trazida pela primeira vinda de Cristo, que novidade h\u00e1 no tempo da Igreja.<br><\/em><br><strong>10 &#8211; Muitas vezes, v\u00ea-se em certas reflex\u00f5es teol\u00f3gicas, a tend\u00eancia para querer diferen\u00e7ar absolutamente a Nova Alian\u00e7a da Antiga, levando as suas diferen\u00e7as ao ponto de as duas Alian\u00e7as com Deus se verem praticamente em ruptura uma com a outra. Ora, uma tal dedu\u00e7\u00e3o de considerar as duas Alian\u00e7as como diferentes parece muit\u00edssimas vezes artificial, quando a verdade \u00e9 que elas constituem antes um s\u00f3 facto, uma \u00fanica realidade&#8230;<br><\/strong><br><em>&#8211; \u00c9 certamente falso n\u00e3o querer ver sen\u00e3o diferen\u00e7as entre as duas Alian\u00e7as, n\u00e3o querer sen\u00e3o confront\u00e1-las uma com a outra, numa aposta de compara\u00e7\u00e3o &#8211; o que os Padres da Igreja ali\u00e1s jamais fizeram &#8211; de tal modo que se perde de vista a continuidade, na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, esta fidelidade absoluta de Deus para com o homem. Pelo contr\u00e1rio, para melhor compreender a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, os Padres da Igreja prop\u00f5em o tr\u00edplice esquema: &#8220;umbra, imago, veritas&#8221;. Segundo este esquema, o Novo Testamento \u00e9 &#8220;imago&#8221;, isto \u00e9, a imagem, enquanto o Antigo Testamento \u00e9 &#8220;umbra&#8221;, isto \u00e9, a sombra.<br>Uma vez que os dois Testamentos est\u00e3o ambos orientados e condicionados pela &#8220;veritas&#8221;, a verdade, no sentido em que estas duas eras, uma pr\u00e9-messi\u00e2nica e a outra messi\u00e2nica aguardam ambas&nbsp;<\/em>o&nbsp;<em>seu comprimento definitivo, n\u00e3o h\u00e1 oposi\u00e7\u00e3o entre si. A diferen\u00e7a entre as duas eras \u00e9, pois, uma quest\u00e3o de degrau ou dec\u00e1logo: o Novo Testamento, enquanto \u00e9 o tempo da Igreja, situa-se em rela\u00e7\u00e3o ao Antigo Testamento, num n\u00edvel por assim dizer mais avan\u00e7ado, na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, em raz\u00e3o daquilo que aguarda. \u00c9 um ponto que, at\u00e9 ao presente, me parece pouqu\u00edssimo considerado. Os Padres da Igreja, pelo contr\u00e1rio, sublinham com muita insist\u00eancia que mesmo o Novo Testamento cont\u00e9m certas promessas, na expectativa do seu cumprimento. \u00c9 verdade que Cristo veio em carne; no entanto, a Igreja espera sempre o regresso de Cristo, que prometeu revelar a Sua gl\u00f3ria em toda a plenitude.<br><\/em><br><strong>11 &#8211; Ser\u00e1 talvez esta, uma das raz\u00f5es que explicam o facto da espiritualidade de muitas figuras prof\u00e9ticas ser de car\u00e1cter fortemente escatol\u00f3gico?<br><br><\/strong><em>&#8211; Eu penso que o aspecto escatol\u00f3gico, que nada tem a ver com a exalta\u00e7\u00e3o apocal\u00edptica, pertence essencialmente \u00e0 natureza da profecia. Com efeito, a miss\u00e3o dos profetas \u00e9 lembrar a dimens\u00e3o de esperan\u00e7a da f\u00e9 crist\u00e3, se bem que eles se assemelhem a instrumentos capazes de transcender o tempo, no sentido em que eles pr\u00f3prios tornam presente o cumprimento de uma promessa que ainda se n\u00e3o realizou, mas que um dia se realizar\u00e1 definitivamente. De onde essa tens\u00e3o entre promessa e cumprimento, esse vaiv\u00e9m entre presente e futuro. Este car\u00e1cter escatol\u00f3gico faz certamente parte da espiritualidade dos profetas.<br><\/em><br><strong>12 &#8211; Colocando a profecia no seu justo contexto, um contexto de esperan\u00e7a escatol\u00f3gica, apercebemo-nos de que um quadro completamente diferente se desenha nesta nossa discuss\u00e3o. \u00c9 que uma mensagem prof\u00e9tica n\u00e3o \u00e9 uma mensagem que mete medo, mas uma mensagem que alarga os horizontes daquele a quem Cristo prometeu cumprir a Sua promessa feita no momento da sua pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o.<br><\/strong><br><em>&#8211; O que \u00e9 determinante na F\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 que ela n\u00e3o inspira, antes vence o medo. \u00c9 necess\u00e1rio que este princ\u00edpio fundamental seja o leit-motiv do nosso testemunho, a quinta ess\u00eancia da nossa espiritualidade. Voltemos uma vez mais \u00e0quilo de que fal\u00e1mos agora: \u00e9 extremamente importante precisar em que sentido o Cristianismo \u00e9 o cumprimento da promessa feita por Deus e em que sentido o n\u00e3o \u00e9. Eu sou da opini\u00e3o de que a crise de F\u00e9 que atravessamos actualmente est\u00e1 intimamente ligada a esta pergunta, cuja resposta continua a ser confusa para muitos. \u00c0 falta de uma resposta clara e precisa, surgem tr\u00eas perigos. O primeiro \u00e9 que se interprete de uma forma puramente imanente e horizontal a promessa feita por Deus no Antigo Testamento, assim como a expectativa da salva\u00e7\u00e3o, pelos homens, em termos de estruturas, de experi\u00eancias e de contributos cada vez melhores. Confinando o Cristianismo a este mundo, a um mundo que um dia ir\u00e1 desaparecer, n\u00e3o se conhece sen\u00e3o um Cristianismo encalhado, falhado. Com efeito, houve tentativas neste sentido, que queriam substituir o Cristianismo por ideologias prometedoras, de que surgiu o marxismo e suas diferentes variantes, identificando-o pura e simplesmente com o progresso humano em que se depositou toda a confian\u00e7a. O segundo perigo \u00e9 projectar o Cristianismo inteiramente no al\u00e9m, compreend\u00ea-lo e viv\u00ea-lo de uma forma puramente espiritual e individualista, negando assim a totalidade da realidade humana. O terceiro perigo, que \u00e9 particularmente agudo nos momentos de crise e nas reviravoltas hist\u00f3ricas, \u00e9 refugiar-se numa exalta\u00e7\u00e3o apocal\u00edptica. Face a estes tr\u00eas perigos, que deformam o verdadeiro rosto do Cristianismo, \u00e9 t\u00e3o urgente como imperativo apresentar a F\u00e9 crist\u00e3 na sua pureza, particularmente o que ela promete, o que ela vai cumprir e aquilo que no fundo ela exige.<br><\/em><br><strong>13 &#8211; Entre o misticismo sem palavra, puramente contemplativo e o misticismo prof\u00e9tico com palavras, v\u00ea-se que existe uma grande tens\u00e3o. Karl Rahner fez tamb\u00e9m alus\u00e3o a esta tens\u00e3o entre as duas formas de misticismo&nbsp;<\/strong><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#14\">14<\/a>.&nbsp;<strong>Apoiando-se no ensinamento m\u00edstico de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, alguns pretendem que o misticismo sem palavra ou contemplativo \u00e9 mais elevado, mais puro e mais espiritual, enquanto outros pensam que esta forma de misticismo sem palavra \u00e9 completamente estranho ao Cristianismo, porque a F\u00e9 crist\u00e3 se liga a uma religi\u00e3o da palavra&nbsp;<\/strong><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#15\">15<\/a>.<br><br><br><em>&#8211; A dizer a verdade, o misticismo crist\u00e3o tem tamb\u00e9m uma dimens\u00e3o mission\u00e1ria. Ele n\u00e3o tem por fim suprimir o indiv\u00edduo, mas sim confiar-lhe uma miss\u00e3o, pondo-o em contacto com o Verbo, Cristo, que fala atrav\u00e9s do Esp\u00edrito Santo. \u00c9 um ponto que S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino sublinha com muita insist\u00eancia. Antes de S\u00e3o Tom\u00e1s, era o &#8220;ou monge e depois m\u00edstico, ou cl\u00e9rigo e depois te\u00f3logo&#8221;. S\u00e3o Tom\u00e1s n\u00e3o aceitava isto, pela simples raz\u00e3o de que todo o dom m\u00edstico leva a uma miss\u00e3o; e ele mesmo se recusava a considerar a miss\u00e3o como algo inferior \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o, uma esp\u00e9cie de vida de segunda classe, a despeito de Arist\u00f3teles, para quem a contempla\u00e7\u00e3o pura e sem nenhum compromisso pr\u00e1tico est\u00e1 no cimo da escala dos valores humanos. S\u00e3o Tom\u00e1s diz que n\u00e3o e afirma que a mais perfeita forma de vida \u00e9 uma vida &#8220;mista&#8221;, isto \u00e9, primeiro m\u00edstica e contemplativa e, depois disso, apost\u00f3lica e activa, ao servi\u00e7o do Evangelho. Esta afirma\u00e7\u00e3o ouve-se tamb\u00e9m clarissimamente em Santa Teresa d&#8217;\u00c1vila, que liga o misticismo \u00e0 cristologia. \u00c9 ela que confere a dimens\u00e3o mission\u00e1ria \u00e0 espiritualidade contemplativa carmelita. Com isto, n\u00e3o tenho de modo algum a inten\u00e7\u00e3o de excluir o facto de o Senhor poder suscitar m\u00edsticos autenticamente crist\u00e3os que n\u00e3o tenham nem uma miss\u00e3o particular no seio da Igreja. Mas desejaria simplesmente precisar que, na medida em que ela constitui, no plano doutrin\u00e1rio, o crit\u00e9rio de discernimento e o fundamento espirituais de todos os m\u00edsticos crist\u00e3os, a cristologia mostra, nesta nossa discuss\u00e3o, uma outra rela\u00e7\u00e3o entre misticismo e miss\u00e3o ou entre contempla\u00e7\u00e3o e ac\u00e7\u00e3o: Cristo e o Esp\u00edrito Santo ser\u00e3o verdadeiramente dissoci\u00e1veis? O &#8220;face-a-face&#8221; com Deus inclui por natureza o ser-para-os-outros. Se \u00e9 verdade que o misticismo, no sentido crist\u00e3o do termo, \u00e9 uma entrada na intimidade com Deus, na uni\u00e3o com Ele, escusado ser\u00e1 dizer que este ser\u00e1 um Cristo que vem para os outros, que ali\u00e1s se ir\u00e1 de imediato encontrar e descobrir, depois de se estar unido a Ele.<br><\/em><br><strong>14 &#8211; Muitos profetas, na Igreja, tais como Catarina de Sena, Br\u00edgida da Su\u00e9cia e Sor Faustina Kowalska, atribu\u00edram as suas mensagens prof\u00e9ticas a Cristo, que lhas revelou. Contudo, em Teologia, estas mensagens prof\u00e9ticas s\u00e3o correntemente chamadas &#8221;&nbsp;<em>revela\u00e7\u00f5es privadas&#8221;,&nbsp;<\/em>termo que se presta a mal entendidos, porque toda a profecia aut\u00eantica \u00e9 dirigida ao Povo de Deus enquanto Igreja, e n\u00e3o pode ser privada, propriamente falando.<br><\/strong><br><em>&#8211; Em mat\u00e9ria de teologia, o termo &#8220;privado&#8221; n\u00e3o quer dizer que uma s\u00f3 pessoa est\u00e1 implicada, e n\u00e3o as outras. \u00c9 um termo que significa o grau e que determina o contexto. Encontramo-lo, por exemplo, na express\u00e3o &#8220;missa privada&#8221;. O que importa fixar aqui, \u00e9 pura e simplesmente que as &#8220;revela\u00e7\u00f5es&#8221; dos m\u00edsticos crist\u00e3os ou dos profetas do tempo da Igreja jamais ter\u00e3o o mesmo lugar que ocupa a revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica, e que elas se subordinam a esta, nos enviam para ela e por ela se explicam. Por conseguinte, n\u00e3o se pode dizer que tais revela\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam import\u00e2ncia para a Igreja. Basta citar as apari\u00e7\u00f5es de Lourdes ou de F\u00e1tima, para provar o contr\u00e1rio. Estas apari\u00e7\u00f5es s\u00e3o, afinal, uma mem\u00f3ria da revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica. E \u00e9 justamente porque elas o s\u00e3o que t\u00eam uma aut\u00eantica import\u00e2ncia.<br><\/em><br><strong>15 &#8211; A hist\u00f3ria da Igreja testemunha um facto particular a respeito da profecia: \u00c9 que a profecia provoca sempre ofensas, tanto da parte do profeta como da parte do destinat\u00e1rio. Como explica este dilema?<br><\/strong><br><em>&#8211; Que uma profecia se n\u00e3o possa fazer ouvir sem provocar sofrimentos tanto no profeta como no destinat\u00e1rio, n\u00e3o \u00e9 nada de novo. O profeta \u00e9 chamado a sofrer de uma forma espec\u00edfica: a pedra-de-toque que verifica a autenticidade de um profeta \u00e9 saber se sim ou n\u00e3o ele est\u00e1 disposto a sofrer, a partilhar a Cruz de Cristo. O profeta n\u00e3o procura nunca impor-se, e ser\u00e1 a Cruz de Cristo que ir\u00e1 verificar e confirmar a autenticidade da sua mensagem.<br><\/em><br><strong>16 &#8211; A frustra\u00e7\u00e3o \u00e9, pois, quase inevit\u00e1vel, sempre que se v\u00ea como a maior parte das figuras prof\u00e9ticas o foram, enquanto vivos, rejeitados pela Igreja, pelos seus cr\u00edticos e pelas suas tomadas de posi\u00e7\u00e3o negativas. Uma grande parte dos profetas crist\u00e3os, tanto homens como mulheres, confirmam-no&nbsp;<\/strong>.<br><br><em>&#8211; Justamente. Santo In\u00e1cio de Loiola foi preso, tal como S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz. Santa Br\u00edgida da Su\u00e9cia esteve quase a ponto de ser condenada pelo Conc\u00edlio de Bale. A este respeito, a pr\u00e1tica tradicional da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 \u00e9 dizer-nos que nos mantenhamos, num primeiro tempo, muito reservados, face \u00e0s afirma\u00e7\u00f5es dos m\u00edsticos. Justifica-se esta atitude, no sentido em que tamb\u00e9m existe muito falso misticismo, de casos patol\u00f3gicos. E esta a raz\u00e3o pela qual levamos um certo tempo a &#8220;ver a temperatura&#8221;, a fim de reconhecer se, no determinado caso, se n\u00e3o trata de sensacionalismo, de inven\u00e7\u00e3o ou de supersti\u00e7\u00e3o. Um m\u00edstico prova a sua autenticidade pelo sofrimento, pela submiss\u00e3o, pela sua paci\u00eancia e persist\u00eancia. E \u00e9 assim que ele se imp\u00f5e \u00e0 audi\u00eancia. Quanto \u00e0 Igreja, deve evitar emitir prematuramente um juizo definitivo, a fim de evitar esta acusa\u00e7\u00e3o: &#8220;matastes os profetas&#8221;.<br><\/em><br><strong>17 &#8211; A \u00faltima pergunta \u00e9 talvez, embara\u00e7osa. Relaciona-se com uma figura prof\u00e9tica contempor\u00e2nea, a greco-ortodoxa Vassula Ryden. \u00c9 considerada como mensageira de Cristo por muitos te\u00f3logos, sacerdotes e bispos da Igreja Cat\u00f3lica. As suas mensagens que, desde 1991, est\u00e3o traduzidas em 34 l\u00ednguas, foram difundidas em todo o mundo. A Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 pronunciou-se negativamente a seu respeito. A Notifica\u00e7\u00e3o de 1995, muito embora reconhe\u00e7a nos escritos de Vassula certos aspectos positivos, foi interpretada, por muitos comentadores, como uma condena\u00e7\u00e3o. \u00c9 esse o caso?<br><\/strong><br><em>&#8211; Abordou um tema muito delicado. N\u00e3o; a Notifica\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas um aviso; n\u00e3o \u00e9 uma condena\u00e7\u00e3o. Sob ponto de vista jur\u00eddico, ningu\u00e9m pode ser condenado sem ter sido ouvido e sem que primeiro se lhe tenha organizado um processo. O que diz o documento \u00e9 que, nos escritos em quest\u00e3o, muitas coisas est\u00e3o ainda por esclarecer. Encontram-se neles elementos apocal\u00edpticos e aspectos eclesiol\u00f3gicos aparentemente equ\u00edvocos. H\u00e1 muito de bom nestes escritos, mas a ciz\u00e2nia pode vir misturada com a boa semente. E \u00e9 este o motivo pelo qual convidamos os crist\u00e3os Cat\u00f3licos a manter-se prudentes no caso destes escritos e a deixar-se orientar pela F\u00e9, transmitida pela Igreja.<br><\/em><br><strong>18 &#8211; Isso querer\u00e1 ent\u00e3o dizer que, para esclarecer o assunto, est\u00e1 em vias de se organizar um processo?<br><br><\/strong><em>&#8211; Sim. E, enquanto esse processo estiver em curso, ser\u00e1 necess\u00e1rio que os fi\u00e9is se mantenham prudentes e vigilantes, num esp\u00edrito de discernimento. Sem d\u00favida que se pode tamb\u00e9m ver nesses escritos uma evolu\u00e7\u00e3o, que parece n\u00e3o estar ainda conclu\u00edda.<br>E \u00e9 necess\u00e1rio n\u00e3o esquecer que, mesmo num m\u00edstico oficialmente reconhecido e autenticado, as palavras e as imagens inspiradas por Deus, no momento da revela\u00e7\u00e3o, dependem sempre das possibilidades de uma alma e formam-se segundo as suas limitadas capacidades.<br>N\u00f3s n\u00e3o fazemos confian\u00e7a, de um modo incondicional, sen\u00e3o na Palavra da Revela\u00e7\u00e3o, que encontramos na F\u00e9 transmitida pela Igreja.<br><\/em><br><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#1up\">1\u00a0<\/a>Cf. Karl Rabner, &#8220;Vision und Prophezeiung&#8221;, Friburg, 1958, p. 21 e segs.: &#8220;Nunca uma teologia ortodoxa estudou os profetas, se bem que nos interroguemos sobre se verdadeiramente existem profetas na Igreja depois do tempo dos ap\u00f3stolos, como discernir e reconhecer o seu carisma, que fun\u00e7\u00e3o ocupam na Igreja, qual a sua rela\u00e7\u00e3o com a Igreja institucional, que significa a sua miss\u00e3o na Igreja, tanto no interior como fora desta mesma Igreja&#8221;.<br><br><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#2up\">2\u00a0<\/a>Cf. Joseph Ratzinger, &#8220;Die Geschichtstheologie des hl. Bonaventura (A teologia da hist\u00f3ria de S\u00e3o Boaventura), Munich, 1959.<br><br><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#3up\">3\u00a0<\/a>Cf. Joseph Ratzinger, &#8220;La mia vita-Ricordi&#8221; (1927-1977), &#8220;A Minha vida &#8211; Mem\u00f3rias&#8221; (1927-1977), Roma, 1997, p\u00e1gs. 70 e segs.<br><br><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#4up\">4\u00a0<\/a>Cf. Joseph Ratzinger, &#8220;La mia vita-Ricordi&#8221; (1927-1977) &#8220;A minha Vida &#8211; Mem\u00f3rias&#8221; (1927-1977), Roma, p\u00e1gs. 68 e segs.; Joseph Cardinal Ratzinger, Auf Christus schauen -Voruberlegungen zum Sinn des Jubiaumsjahres 2000, (Erguer o olhar para Cristo &#8211; reflex\u00f5es preliminares sobre o sentido do jubileu do ano 2000), em Deutsche Tagespot, n. 31, 11 de Mar\u00e7o de 1997, 5.<br><br><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#5up\">5\u00a0<\/a>Cf. Joseph Cardinal Ratzinger, op. cit. em Deutsche Tagespot, n. 31, 11 de Mar\u00e7o de 1997, 5.<br><br><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#6up\">6\u00a0<\/a>Cf. Joseph Cardinal Ratzinger, &#8220;Wesenunid Auftrag der Theologie (A Ess\u00eancia e tarefa da Teologia)&#8221;, Freiburg 1993, p. 106.<br><br><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#7up\">7\u00a0<\/a>Desde 1994 que Niels Christian Hvidt realiza um trabalho de teologia sobre &#8220;a profecia crist\u00e3&#8221;. Foi este o tema do seu trabalho de licenciatura em teologia, intitulado &#8220;Prophecy and Revelation&#8221; (Profecia e Revela\u00e7\u00e3o) que ainda n\u00e3o est\u00e1 publicado, mas foi j\u00e1 apresentado \u00e0 faculdade de teologia da Universidade de Copenhague, em Janeiro de 1997. A Universidade atribuiu uma medalha de ouro a este trabalho, cujo resumo apareceu em &#8220;Studia Theologiae &#8211; Journal of Scandinavion Theology&#8221;, n. 2, 1998, sob o t\u00edtulo &#8220;Prophecy and Revelation &#8211; a Theological Survey on the Problem of Christian Prophecy&#8221; (Estudo teol\u00f3gico do problema da profecia crist\u00e3). A este prop\u00f3sito, um muito obrigado a Dr. Yvonne Maria Werner, do Instituto da Hist\u00f3ria da Universidade Lund, que estava presente, nesta entrevista.<br><br><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#8up\">8\u00a0<\/a>Cf. Dt 34,10<br><br><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#9up\">9\u00a0<\/a>Cf. Jo 16,13<br><br><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#10up\">10\u00a0<\/a>Cf. Ef 2,20: Ef 4,11<br><br><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#11up\">11\u00a0<\/a>Vgl. Mt 11,11<br><br><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#12up\">12\u00a0<\/a>Jo 1,26 e segs.<br><br><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#13up\">13\u00a0<\/a>1 Ts 5,19 e segs.<br><br><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#14up\">14\u00a0<\/a>Cf. Karl Rahner, op. cit., p. 21: &#8220;Sim, pode talvez dizer-se &#8211; um pouco exageradamente &#8211; que a hist\u00f3ria da teologia m\u00edstica, do misticismo, \u00e9 uma hist\u00f3ria da discrimina\u00e7\u00e3o te\u00f3rica da profecia, do ser prof\u00e9tico, em detrimento da contempla\u00e7\u00e3o pura, inspirada e sem palavra&#8221;.<br><br><a href=\"https:\/\/sinaisdostempos.org\/revelacoes\/entrvratz.php#15up\">15\u00a0<\/a>Cf. Karl Rahner, op. cit., p. 15: &#8220;Pode dizer-se, em certo sentido, que as vis\u00f5es dos videntes, de que Deus e imagin\u00e1ria s\u00e3o os dois componentes principais, correspondem na sua maioria, ao aspecto incarnado da religi\u00e3o crist\u00e3, justamente em raz\u00e3o das concretas imagens de tais vis\u00f5es, muito mais que as vis\u00f5es por assim dizer puras, que levantam um velho problema, o saber se a piedade suscitada por semelhantes vis\u00f5es, isto \u00e9, sem nenhuma refer\u00eancia a qualquer objecto, que seja, puramente transcendente e desincarnado, \u00e9 pr\u00f3pria do cristianismo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Siga o link porque o site oficial http:\/\/www.30giorni.it n\u00e3o tem a entrevista: <a href=\"https:\/\/www.catholicculture.org\/culture\/library\/view.cfm?recnum=6439\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.catholicculture.org\/culture\/library\/view.cfm?recnum=6439<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Cristianismo traz sempre consigo uma estrutura de esperan\u00e7a &#8220;Faz-se cada vez mais urgente apresentar de modo compreens\u00edvel e viv\u00edvel a verdadeira estrutura de promessa e de cumprimento presente na f\u00e9 crist\u00e3&#8221; Entrevista com o\u00a0Cardeal Joseph Ratzinger para a revista 30 Dias, Nr. 1 &#8211; 1999 por Niels Christian Hvidt Quando se ouve pronunciar a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-137","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sinaisdostempos.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/137","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sinaisdostempos.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sinaisdostempos.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinaisdostempos.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinaisdostempos.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=137"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sinaisdostempos.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/137\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":138,"href":"https:\/\/sinaisdostempos.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/137\/revisions\/138"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sinaisdostempos.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=137"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinaisdostempos.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=137"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinaisdostempos.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=137"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}