Categoria: Esperança

  • A Nova Terra – Profecia, Bí­blia, João Paulo II

    A Nova Terra

    No fim dos tempos, o Reino de Deus chegará à sua plenitude. Depois do Juízo final, os justos reinarão para sempre com Cristo, glorificados em corpo e alma, e o próprio Universo será renovado . . (CIC 1042 )

    A esta misteriosa renovação , que há-de transformar a humanidade e o mundo, a Sagrada Escritura chama “os Novos Céus e Nova Terra” (2Pe 3,13). Será a realização definitiva do desígnio divino de ” reunir sob a chefia de Cristo todas as coisas que há nos Céus e na Terra” (Ef 1,10) (CIC 1043)

    As pessoas querem acreditar em ETs só porque a Bíblia nunca negou isso, mas recusam-se a acreditar no fim dos tempos e a vinda de uma Nova Terra no qual sempre se falou.

    Tem-se esperança em tudo nesse mundo, menos no Reino de Deus que o Senhor irá instaurar.

    Mensagens de Nossa Senhora ao Pe Gobbi:

    “A Criação voltará a ser um novo jardim onde Cristo será glorificado por todos.” (3 de Julho de 1987).

    “É o Seu Glorioso Retorno (de Jesus), para instaurar entre vós o Seu Reino e reconduzir toda a humanidade, redimida pelo Seu Sangue preciosíssimo, ao estado do seu Novo Paraíso Terrestre; o que se prepara é uma coisa tão grande que nunca houve desde a criação do mundo. ” (13 de Outubro de 1990)

    “Então, toda a Criação, libertada da escravidão do pecado e da morte, conhecerá os esplendores de um Segundo Paraíso Terrestre, no qual Deus habitará convosco.” (8 de Setembro de 1990)

    “…o milagre da Divina Misericórdia, na potência do Espírito Santo, renovará a face da Terra e ela tornar-se-á um Jardim Perfumado e Precioso, onde a Santíssima Trindade se reflectirá complacente e receberá de todo o universo criado a sua maior glória.” (7 de Outubro de 1995)

    E só vai acontecer depois das tribulações e da “aparente” vitória do mal:

    “Dia virá em que o meu adversário julgará ter obtido completa vitória sobre o mundo, sobre a Igreja e sobre as almas.”

    “Será somente então que Eu intervirei – terrível e vitoriosa – para tornar sua derrota tanto maior quanto mais convencido estava de ter vencido para sempre.” (18 de Outubro de 1975)

    “No momento em que Satanás se sentar como senhor do mundo e se sentir vencedor, Eu mesma arrancarei das suas mãos a presa. Encontrar-se-á, como por encanto, com as mãos vazias e por fim a vitória será só minha e do meu Filho: este será o triunfo do Meu Coração Imaculado no mundo.”

    “Será de admiração para os próprios Anjos de Deus; alegria para todos os justos da terra; misericórdia e salvação para grande número dos meus filhos perdidos; condenação severa e definitiva para Satanás e para os seus numerosos sequazes.” (19 de Dezembro de 1973)

    Conforme as Escrituras:

    ” Aguardando, e desejando ardentemente a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se dissolverão, e os elementos, ardendo, se fundirão.Nós, porém, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e uma nova Terra , nos quais habita a justiça.” 2Pedro 3,12.13

    “E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já se foram o primeiro céu e a primeira terra, e o mar já não existe.” Apocalipse 21,1

    Porque...

    “Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo ; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; entretanto o meu reino não é daqui” João 18,36

    E mais profecias:

    Mensagem de La Salette:

    ” Então a água e o fogo purificarão a Terra e consumirão todas as obras do orgulho dos homens e tudo será renovado : Deus será servido e glorificado.”

    J.N.S.R., “Testemunhas da Cruz”, 5 de Novembro de 1996:

      O vosso dinheiro, acumulado para eventuais necessidades que pudessem sobrevir, enquanto as crianças de guerras impiedosas morrem actualmente de fome e de doença, porque a sua pobreza ultrapassa tudo quanto os Anticristos puseram em acção para matar o Bem de Deus, a Vida, esse dinheiro irá desaparecer como fumo .

    J.N.S.R., “Testemunhas da Cruz”, 29 de Junho de 1995

    Eu quero unir-vos para sempre, os da Terra e os dos Céus, no mesmo Reino Eterno em que tudo é de Deus, tudo está em Deus, tudo é para Deus .

    Ouvi na Praça de São Pedro, no dia 16 de Outubro de 2003, o Papa João Paulo II dizer no fim da sua homilia:

    “Deveis viver na expectativa da Vinda Gloriosa de Jesus”.


    Outra Homilia:

    AUDIÊNCIA de João Paulo II

    Quarta-feira 31 de Janeiro de 2001

    Para um Novo Céu e uma Nova Terra

    Queridos Irmãos e Irmãs,

    1. A Segunda Carta de Pedro, recorrendo aos símbolos característicos da linguagem apocalíptica usada na literatura judaica, indica a nova criação como uma flor que desabrocha da cinza da história e do mundo (cf. 3, 11, 13). É uma imagem que marca o livro do Apocalipse, quando João proclama: “vi, depois, um novo Céu e uma nova Terra, porque o primeiro Céu e a primeira Terra haviam desaparecido, e o mar já não existia” (Ap 21, 1). O apóstolo Paulo, na Carta aos Romanos, descreve a criação que geme sob o peso do mal, mas destinada a “ser, também ela, libertada da servidão da corrupção para participar, livremente, da glória dos filhos de Deus” (Rm 8, 21).

    A Sagrada Escritura insere desta forma quase um fio de ouro no meio das debilidades, misérias, violências e injustiças da história humana e conduz para uma meta messiânica de libertação e paz. Sobre esta sólida base bíblica, o Catecismo da Igreja Católica ensina que “o Universo visível é, pois, também ele destinado a ser transformado, “a fim de que o próprio mundo, restaurado no seu estado primitivo, esteja sem mais nenhum obstáculo ao serviço dos justos” , participando na sua glorificação em Jesus Cristo Ressuscitado” (CIC, 1047; cf. Santo Ireneu, Adv haer., 5, 32, 1). Então finalmente, num mundo pacificado, “a terra está cheia da ciência do Senhor, tal como as águas que cobrem o mar” (Is 11, 9).

    2. Esta nova criação, humana e cósmica, é inaugurada com a ressurreição de Cristo, primazia daquela transfiguração a que todos estamos destinados. Paulo afirma isto na Primeira Carta aos Coríntios: “Cristo, como primícias; depois os que são de Cristo, por ocasião da sua vinda. Depois virá o fim, quando entregar o Reino de Deus Pai (…). O último inimigo a ser destruído será a morte… a fim de que Deus seja tudo em todos” (1 Cor 15, 23-24.26.28).

    Sem dúvida, é uma perspectiva de fé que por vezes pode ser tentada pela dúvida, no homem que vive na história sob o peso do mal, das contradições e da morte. Já a citada Segunda Carta de Pedro narra isto, reflectindo a objecção dos que suspeitam e são cépticos ou até “escarnecedores cheios de zombaria” que perguntam: “Onde está a promessa da Sua vinda? Desde que os nossos pais morreram, tudo continua da mesma maneira, como no princípio do mundo” (2 Pd 3, 3-4).

    3. Eis a atitude desencorajada dos que renunciam a qualquer empenho em relação à história e à sua transformação. Estes estão convencidos de que nada pode mudar, que qualquer esforço é vão, que Deus está ausente e não se interessa minimamente por este minúsculo ponto do universo que é a Terra. Já no mundo grego alguns pensadores ensinavam esta perspectiva e a Segunda Carta de Pedro talvez reaja também a esta visão fatalista com evidentes aspectos práticos. De facto, se nada pode mudar, que sentido tem esperar? A única coisa é pôr-se à margem da vida, deixando que o movimento repetitivo das vicissitudes cumpra o seu ciclo perene. Nesta perspectiva muitos homens e mulheres já caíram na margem da história, sem confiança, indiferentes a tudo, incapazes de lutar e de esperar. Pelo contrário, a visão cristã é ilustrada por Jesus de maneira clara, quando, “interrogado pelos fariseus sobre quando chegaria o reino de Deus, lhes respondeu: “O reino de Deus não vem de maneira ostensiva. Ninguém poderá afirmar: Ei-lo aqui ou ali, pois o reino de Deus está dentro de vós”” (Lc 17, 20-21).

    4. À tentação de todos os que imaginam cenas apocalípticas de irrupção do Reino de Deus e de todos os que fecham os olhos entorpecidos pelo sono da indiferença, Cristo opõe a vinda sem clamor dos novos céus e da nova terra. Esta vinda é semelhante ao escondido mas fervoroso germinar da semente na terra (cf. Mt 4, 26-29).

    Por conseguinte, Deus entrou nas vicissitudes humanas e no mundo e procede silenciosamente, esperando com paciência a humanidade, com os seus atrasos e condicionamentos. Ele respeita a sua liberdade, apoia-a quando ela é atormentada pelo desespero, condu-la de etapa em etapa e convida-a a colaborar no projecto de verdade, de justiça e de paz do Reino. Por conseguinte, a acção divina e o empenho humano devem entrelaçar-se entre si. ” A mensagem cristã não afasta os homens da construção do mundo nem os incita a desinteressar-se da sorte dos seus semelhantes: impõe-lhes, ao contrário, um dever mais rigoroso ” (Gaudium et spes, 34).

    5. Desta forma, abre-se diante de nós um tema de grande relevo que interessou sempre a reflexão e a obra da Igreja. Sem cair nos extremos opostos do isolamento sacro e do secularismo, o cristão deve exprimir a sua esperança também no interior das estruturas da vida secular . Se o reino é divino e eterno, ele está contudo espalhado no tempo e no espaço: está “no meio de nós” como diz Jesus.

    O Concílio Vaticano II realçou com vigor este vínculo íntimo e profundo: “a missão da Igreja é não só levar a mensagem e a graça de Cristo a todos os homens, mas também impregnar e aperfeiçoar com o espírito evangélico a ordem temporal” (Apostolicam actuositatem, 5). A ordem espiritual e a temporal, “embora distintas, estão de tal maneira unidas no único desígnio de Deus, que o próprio Deus deseja reintegrar, em Cristo, todo o mundo numa nova criatura, que começa na terra, e atinge a plenitude no último dia” (ibid.).

    Animados por esta certeza, o cristão caminha com coragem pelas estradas do mundo, procurando seguir os passos de Deus e colaborando com ele para fazer surgir um horizonte no qual “amor e fidelidade se encontrarão, justiça e paz se beijarão” (Sl 85 [84], 11).

  • O Céu, o inferno e o purgatório visto pelos videntes de Mediugorie

    Relato de dos videntes de Mediugorie

    Em 1981, no Dia de Todos os Santos, Nossa Senhora mostrou aos videntes o
    Paraíso. Dizem que o Paraíso é de uma beleza inexprimível, com uma
    legião de anjos e de santos.
    Naquele dia, Ivanka viu, no Céu, sua mãe e uma pessoa conhecida.
    Quatro dias depois, durante uma aparição, Nossa Senhora desapareceu e
    diante deles puderam ver o Inferno. Era horrível, indescritível, parecia
    um mar de fogo, onde moviam-se figuras negras e estranhas. As pessoas
    que lá chegavam tinham o aspecto humano, mas eram, logo, totalmente
    transformadas em monstros a blasfemar o tempo todo. Havia gente estranha
    com chifres e rabos, repugnantes, todas escuras, como demônios. Viram
    uma moça loira com cabelos longos e chifres, sofrendo no fogo, e rodeada
    por demônios a saltar. Dois dos videntes, com medo, não quiseram ver.
    Nossa Senhora respeitou sua liberdade.
    Cerca de quinze dias mais tarde, Nossa Senhora apareceu a Vicka e a
    Iakov, na casa deste, dizendo que os levaria ao além. Tiveram medo.
    Iakov começou a chorar e a gritar. Dizia ser filho único, não podendo
    ir; que a Vicka fosse sozinha. Nossa Senhora nada disse e Se pôs entre
    os dois. Olhando para eles, tomou Vicka pela mão direita e Iakov pela
    esquerda. Começaram a sair do chão. Atravessaram o teto da casa, que
    desapareceu, começando a afastar-se. Parecia que cada vez subiam mais
    alto. Logo no início da sua subida, também a terra desapareceu e queriam
    chegar logo ao Céu. Eles afirmam ser como diz São Paulo: O que os olhos
    humanos jamais viram nem os ouvidos escutaram. Tudo estava inundado por
    uma luz esplendorosa: as pessoas, as flores, os anjos. Descrevem o Céu
    como um lugar de alegria e muita luz, onde as pessoas, todas jovens e
    formosas, passeiam, cantam e rezam. A cor de suas vestes era
    indescritível, nas tonalidades amarela, vermelha e branca. Viram muitas
    flores e alguns anjos sobrevoando. Tudo estava repleto de extraordinária
    alegria. Não podiam ver o fim. Era como olhar para o mar.
     Onde eles
    estavam com Nossa Senhora havia um corredor com uma porta, diante da
    qual havia um homem. Nossa Senhora disse-lhes que nem todos podiam
    entrar por ela, sendo necessário um salvo-conduto. Todos deviam passar
    por um corredor.
    O Purgatório, um espaço sombrio, pleno de trevas, entre o Paraíso e o
    Inferno, onde mal vislumbrava-se os semblantes pálidos daqueles que ali
    se encontravam. Estava cheio de algo parecido com cinza. Era assustador.
    Nossa Senhora disse-lhes: ali é o lugar onde as almas se purificam; é
    preciso rezar por elas. Somente as nossas orações, sacrifícios e a graça
    de Deus podem libertá-las de lá. Tudo aquilo era terrível.
    Nossa Senhora explicou: Mostro-lhes o Céu e o Inferno para que vejam a
    recompensa preparada por Deus para os que O amam e a punição reservada
    aos que O ofendem.
    Depois, voltaram para a terra e Nossa Senhora os deixou onde os
    apanhara. Despedindo-se deles, partiu, sem ninguém os ver, ao chegar. A
    mãe de Iakov, em vão, procurava-o por toda a parte. Iakov estava cansado
    e com o rosto inchado. Aos poucos, foram-se recompondo e acalmando. A
    mãe de Iakov perguntou-lhes onde tinham-se metido mas, quando viu o
    aspecto do filho, começou a chorar. Logo depois tudo voltou ao normal.
    Aí chegaram os vizinhos e eles contaram o ocorrido para todos; mereceram
    crédito, pois, pelo aspecto dos seus rostos, viram que algo de
    extraordinário acontecera.
    Miriana conta ter visto no Purgatório pessoas sofrendo até mesmo
    flagelos físicos.

    Data: 01/01/2020

  • Sobre o Céu – revelação de Mediugorie

    Maria Pavlovic falou aos jovens sobre o Céu: “Se aprendermos a agradecer por tudo que temos, é já o Céu na terra. Maria pede-nos para criar o Paraíso aqui para que possamos vivenciá-lo no Céu. Nós, videntes, temos pedido a Nossa Senhora que todos que vêm a Mediugórie experimentem aqui pelo menos um dia do Céu. Desejo a todos vocês uma feliz viagem ao Céu!”

    O Paraíso é um grande espaço, sem limites. Na terra nada se compara com a sua luz. Há muitas pessoas e todas demonstram grande felicidade. Cantam e passeiam. Comunicam-se de forma diferente da nossa. Podiam nos ver, pois estávamos com elas. Sua idade aparenta mais ou menos trinta anos. São muito bonitas. Não há ninguém muito baixo ou muito alto. Não há pessoas gordas, magras ou aleijadas. Conhecem-se por dentro. Vestem-se com longas túnicas nas cores amarelo, cinza e vermelho, mas não se pode comparar com as que temos aqui na terra. Há também anjos no céu, Nossa Senhora explicava tudo. Não posso descrever a felicidade das pessoas que vivem no céu, somente a senti, porque não temos palavras para isso.

    Em 1986, Nossa Senhora transmitiu esta mensagem, através de Iélena Vasili: Se vocês se abandonarem a mim, não perceberão a passagem desta vida para a outra. Vocês começarão a viver a vida do céu já na terra.

    Ou seja Nossa Senhora chama a todos a abandonarem-se a ela porque ela conduzirá ao seu Filho, ela é a Mãe sempre presente.

  • O Céu no relato das Aparições de Nossa Mãe Santí­ssima em Cuapa, Nicarágua

    Nossa Senhora apareceu sobre a pequena árvore de Norisco como da primeira vez. Ela olhava para o leste. À Sua esquerda, perto da pilha de rochas em que nasceu a pequena árvore, havia dois cedros. Atualmente um deles não existe mais, porque as pessoas tiraram o tronco pedaço a pedaço; o outro também estavam desaparecendo. Então os cedros não são mais cedros; desfolhados, sem folhas e ramos, eles estão secos. A única parte que resta é a parte em que o tronco se liga à raiz. Do pequeno Norisco nada resta; ele desapareceu completamente. À direita dela, mas um pouco mais longe, há quatro palmeiras de coyole. Entre a primeira e a segunda, como quem vem do rio, há um grande espaço. Erguendo Sua mão direita, Ela indicou aquele espaço e disse:

    “Olhe para o céu.”

    Eu olhei naquela direção. O Jocaro que fica em frente, entre as duas palmeiras, não impediu que eu pudesse ver, porque ele tem poucos troncos e é baixo. Ela mostrou algo como um filme no espaço que eu falei. Vi um grande grupo de pessoas vestidas de branco que caminhavam na direção em que o sol nasce. Estavam banhadas em luz e (muito?) felizes; elas cantavam. Eu podia ouvi-las mas não compreendia as palavras. Era uma festa celestial. Tanta felicidade… tanta alegria… como eu nunca havia visto. Nem mesmo em uma procissão eu havia visto tal coisa. Seus corpos radiavam luz. Senti como se tivesse sido transportado. Nem eu mesmo posso me explicar… no meio de minha admiração, eu A ouvi me falar:

    “Veja, estas são as primeiras comunidades quando começou o Cristianismo. São os primeiros catecúmenos; muitos deles foram mártires.”

    “Vocês querem ser mártires?”

    “Você mesmo deseja ser um mártir?”

    Naquele momento eu não sabia exatamente o significado de ser um mártir — sei agora, porque tenho perguntado, que é aquele que professa Jesus Cristo abertamente em público, que é uma testemunha Dele, até mesmo dando dando sua vida — mas respondi que sim. Depois daquilo vi outro grupo, também vestido de branco com com alguns rosários luminosos nas mãos. As contas eram extremamente brancos e irradiavam luzes de diferentes cores.* Um deles carregava um grande livro aberto. Ele lia e depois de escutarem eles meditavam em silêncio. Pareciam estar em oração. Depois desse período de oração silenciosa, eles rezavam o Pai Nosso e dez Ave-Marias. Rezei com eles. Quando o Rosário terminou, Nossa Senhora me disse:

    “Estes foram os primeiros para quem dei o Rosário. Essa é a forma em que desejo que todos vocês rezem o Rosário.”

    Respondi à Senhora que sim, faríamos assim. Algumas pessoas me disseram que isso provavelmente tem a ver com os Dominicanos. Não conheço essa ordem religiosa, e até hoje nunca vi alguém dessa ordem.

    Depois disso, vi um terceiro grupo, todos em vestes marrons. Mas estes eu reconheci como sendo semelhantes aos Franciscanos. Sempre o mesmo, com Rosários e rezando. Quando eles passavam depois de terem rezado, a Senhora me disse:

    “Estes receberam o Rosário das mãos dos primeiros.”

    Depois disso, um quarto grupo chegava. Era uma grande proceissão; agora, vestidos como nós. Era um grupo tão grande que era impossível contá-los. Nos primeiros eu via muitos homens e mulhers; mas agora, era como um exército em tamanho, e eles tinham Rosários nas mãos. Estavam vestido normalmente, em todas as cores. Fiquei feliz por vê-los. Quando alguém se veste diferente de outras pessoas, se sente algo estranho… vendo o primeiro grupo não me senti atraído a eles por causa disso… Eu os admirei, mas não me senti como se estivesse em seu meio, tal como quando vi o último grupo. Logo senti que poderia entrar naquela cena porque estavam vestido como eu. Mas… Olhei para minhas mãos e as vi negras. Eles, por sua vez, irradiavam luz como os outros que apareceram antes. Seus corpos eram bonitos. Então disse: “Senhora, vou com estes porque estão vestidos como eu.” Ela me disse:

    “Não. Você ainda está em falta. Você deve dizer às pessoas o que tem visto e ouvido.”

    E ela acrescentou:

    “Eu lhe mostrei a Glória de Nosso Senhor e vocês a terão se forem obedientes a Nosso Senhor, à Palavra do Senhor; se perseverarem na oração do Santo Rosário e colocarem em prática a Palavra do Senhor.”

    Depois de haver dito isso, a Visão da Glória de Deus desapareceu e a nuvem que A sustinha A elevou até o Céu. Ela parecia, como disse, a imagem da Assunção. E dessa forma, foi como se a nuvem que a elevava desaparecesse.

    Eu havia sido proibido pelo padre de dizer o que via e ouvia, e contei apenas a ele. Tomei o ônibus cedo na manhã do dia 9 de junho e contei ao padre. Pensei que, uma vez contado a ele, ele então iria me dar a permissão, e ele disse que não — que eu mantivesse em segredo. Então comecei a sentir uma tremenda (?) e tristeza que mal podia suportar, e continuei a ouvir uma voz que me dizia para contar. Comecei a sofrer como antes. Mas escolhi obedecer o padre e não relatei nada até que a permissão fosse dada. E isso aconteceu no dia 24 de junho, que é festa do patrono de Cuapa, então eu pude contar apenas para as pessoas daquela vila. Naquele dia a igreja estava cheia de gente, e fui esperar para encontrá-lo e pedir permissão. O padre me disse “não” duas vezes, e da terceira vez aceitou que eu contasse.

    *”Então, no Reino de seu Pai, os justos resplandecerão como o sol.” (Mt 13, 43)

    Data: 01/01/2020

  • Visão do céu – visão de Pedro Régis (Anguera, Bahia)

    Em novembro de 1987, Nossa Senhora me mostrou o céu. A visão foi como um bálsamo para mim. A Virgem me pediu que olhasse em direção ao reservatório de água ao lado da cruz onde Ela me aparece. Ao olhar vi uma grande multidão de pessoas, não sei dizer se milhares ou milhões , que caminhavam em direção a um grande trono. O lugar era cheio de luz, mas a luz que emanava do grande trono me chamou bastante atenção.Era algo espetacular. Sua altura era imensa e estava cercado por anjos. Tinha certeza que era exatamente ali que Jesus estava, apesar de não tê-lo visto, mas senti em meu coração que era exatamente ali que Deus se encontrava. Naquele momento, senti em meu coração uma grande paz e gostaria que a visão continuasse por muito tempo ,pois estava me sentindo bem em contemplar tamanha beleza. As vestes dos que lá se encontrava eram tão claras, que acredito não existir no mundo tamanho brancura. As pessoas se abraçavam felizes e vi que havia também um grande jardim. A felicidade das pessoas era tão grande que nada neste mundo poderia se comparar. Não vi entrada nem saída. Era como se eu estivesse vendo as cenas por dentro. Foi realmente uma visão prazerosa que eu jamais irei esquecer.

    Diante do grande trono vi que as pessoas estavam ajoelhadas, apesar de não ter escutado, senti que estavam cantando, ora ficavam em silêncio, olhando em direção ao grande trono, certamente contemplando o Senhor Deus Todo Poderoso.

    Todos traziam em seu rosto, repito, uma imensa felicidade. Passados alguns minutos ou segundos, não sei bem, aquela visão divina desapareceu, deixando dentro de mim uma imensa saudade. Nossa Senhora me disse que aquilo que Deus tem preparado para os seus, jamais os olhos humanos contemplaram completamente e que nenhum homem jamais experimentou. Ela me disse que seu desejo é que todos mudem de vida para que um dia possam estar com Ela e com Jesus na eternidade.

    Diante de tudo que vi, pude compreender melhor a palavra de Jesus, quando disse: “Na casa do Meu Pai há muitas moradas” (Jo 14,2). Jesus quis dizer que lá há lugar para todos e é por isso que Nossa Senhora vem nos chamando a mudar de vida,pois se não nos convertermos não entraremos no céu. Nunca poderia imaginar que um dia pudesse ver tamanha maravilha. Que tudo seja para a honra e glória de Jesus e de sua Mãe Maria Santíssima.

    Pedro Regis Alves

    A VISÃO DO INFERNO

    No dia 07 de novembro de 1987, sábado, tive uma visão que me deixou extremamente angustiado: Nossa Senhora apareceu triste e transmitiu uma mensagem, na qual falou sobre a importância do perdão e disse que implorava aos homens que não pecassem, pois seu Coração Imaculado sofria pelas ingratidões cometidas pelos homens. Depois de transmitir a mensagem (Ver mensagem no livro Apelos Urgentes vol I) Nossa Senhora pediu que eu me levantasse e me conduziu até a parte mais alta do local. Chegando lá, Ela pediu que eu olhasse para baixo, e ao olhar, vi como que um mar de fogo. Parecia que eu estava flutuando por cima,pois a impressão que tinha era que estava tendo aquela visão de um lugar muito alto. Vi um grande número de pessoas que se agitavam em grande desespero em meio às chamas que, em certos momentos, pareciam lavas de vulcão. Naquele instante senti uma profunda tristeza invadir minha alma, pois antes mesmo que Nossa Senhora falasse, eu sabia que estava tendo uma visão do inferno. Via naquelas almas um desespero que jamais poderia imaginar. Ouvi vozes e vi que levantavam as mãos gritando,desesperadas , por um socorro. Não consegui identificar ninguém, mas posso dizer que a tristeza era tão grande que só em estar vendo tudo aquilo senti em meu interior algo muito ruim. Meu corpo tremia diante de tamanha visão e, por segundos, eu me recordei de todos os erros que eu tinha cometido no passado. Vi naquele momento almas que suplicavam por um socorro que jamais chegaria. Não sei explicar direito,mas foi como se dentro da minha mente passasse um filme da minha vida,mostrando as coisas erradas que fiz. As coisas aconteceram muito rápidas,mas foi tempo suficiente para que eu pudesse ver que as almas dos que se condenam ao inferno, sentem um desespero eterno. A verdade é que Deus não está brincando. Não sei se estão me entendendo,mas foi isso que aconteceu. Durante dias pensei naquela visão e comecei a entender melhor o porquê de Nossa Senhora aparecer. Vi no rosto da Virgem uma tristeza tão grande e senti dentro de mim um remorso, pois sabia que a Virgem estava triste por causa das almas que vão se perdendo em número cada vez maior e por causa dos nossos pecados. As pessoas me perguntam por que Deus deixa as almas se precipitarem no inferno? E como resposta digo sempre que Deus não quer a perdição dos seus filhos. Deus quer que todos os homens cheguem ao conhecimento da verdade e se salvem,mas quer também que o homem use sua liberdade de forma certa. As pessoas, na sua grande maioria, estão vivendo afastadas do Criador e, por esta razão, estão cavando sua própria sepultura eterna que é o inferno. Hoje muitas pessoas vivem uma vida de pecado, só pensam nas riquezas, nas vaidades, no poder e se esquecem de Deus. Passam a vida inteira cometendo pecado mortal, não rezam,não se aproximam dos sacramentos, acham que tudo é normal e por fim acabam se perdendo eternamente. Em Jesus, o Pai nos mostrou o caminho da salvação. Se nós usamos de forma errada a nossa liberdade e não queremos seguir este Caminho que é Jesus, certamente não chegaremos ao Paraíso. E onde está a culpa de Deus nisso? O Senhor já fez e continua fazendo sua parte: enviou seu único Filho para nos salvar, fundou sua Igreja (Mt 16,18) deixando nela sacramentos indispensáveis à nossa salvação e agora está enviando sua Mãe e nossa, Maria Santíssima, para nos alertar. Digo sempre que se nós fossemos fiéis a Jesus, Nossa Senhora não precisava aparecer, mas se Ela está vindo, não tenhamos isso como uma brincadeira. Que Deus seja louvado e o demônio acorrentado para sempre.

    Pedro Regis Alves
    Pedro Régis vê Nossa Senhora em Anguera – Bahia

    Autor: apelosurgentes.com.br

  • Sonho sobre passagem da tribulação para a nova terra

    São seis horas da manhã do dia 06 de março de 2011, ainda estou tremendo. Acabei de acordar e tive um sonho assustador e ao mesmo tempo maravilhoso, incrível e impossível de relatar através deste texto, agora vejo a dificuldade que João teve ao descrever suas visões no Apocalipse, mas vou tentar fazê-lo, pois mesmo querendo voltar a dormir não conseguiria. Uma voz veio no pensamento, escreva… Escreva antes que esqueça…

    Nesta hora todos riram e contemplaram o novo, (…Eis que faço nova todas as coisas ), não sabia se estávamos vivos ainda na terra, ou se estávamos no paraíso com uma nova visão de vida.

    Não costumo sonhar com este tipo de coisa, por isso sei que este sonho foi um alerta do que virá ou talvez parecido, só Deus sabe.

    Vi um grande astro vindo do céu, e deixando uma cortina de fumaça negra no horizonte, todos paravam para olhar, enquanto isso, eu corria desesperado pedindo para as pessoas se ajoelharem e rezarem, pois já sabia do que se tratava. Sabia o que era, e sabia que viria naquele dia e naquela hora.

    Lembro que ninguém deu atenção, ficaram cegos por aquela visão do astro passando, queriam continuar contemplando aquela visão aterradora. Mas ao cair à grande pedra, no mesmo instante o céu ficou negro, vi no horizonte dezenas de explosões, idênticas a bombas nucleares por toda parte, eram muitas, pareciam fogos de artifícios vistos de longe. Por pouco tempo, o local em que me encontrava estava seguro, pois as explosões eram distantes e foram ficando cada vez mais próximo, logo o vento começou a chegar e em segundos virou uma tempestade.

    Na mesma hora o céu escureceu, demônios voavam por toda parte, parecido com uma chuva de gafanhotos, mas eram demônios, igual como vimos no filme de Moisés, sobre uma das sete (7) pragas enviadas ao Egito, milhões deles! Eu pedia para as pessoas se ajoelharem e rezarem, nesta hora vi a face de Jesus no céu  e lembrei do que já havia sido profetizado, e o que deveria ser feito.

    Formei uma fileira de pessoas, uma ao lado da outra e de frente para a tempestade, recebemos todo o vento no rosto. Pedi para que todos rezassem e não olhassem para o céu, todos assim fizeram. Aqui me vi de olhos fechados, e ao mesmo tempo conseguia ver o que se passava por toda parte, era uma visão de mim mesmo, como se eu fosse dois. Vi um grande vendaval arrastando tudo. O vento era tão forte que tornava-se impossível resistir a tudo, parecia que estávamos no centro do tornado, me via com dificuldade de permanecer ali ajoelhado pois tamanha era a força do vento.

    Olhei para as pessoas que estavam ao meu lado, todos ajoelhados, gritavam e choravam, mas continuavam rezando. Vi o medo em cada um deles, e no céu um grande buraco sugando tudo, parecia um buraco negro. Um grande turbilhão puxava tudo com tamanha força que era impossível alguém resistir, tragava tudo para o seu centro, eram engolidos!

    Nós permanecemos ajoelhados, estávamos com os joelhos grudados no chão e mesmo com grande força do vento, não éramos sugados por ele.

    Tudo foi rápido, e vi de longe quando o chão foi sendo engolido, todos os prédios e construções afundaram e no mesmo instante brotou um lindo jardim, com gramas verdes e riachos magníficos.

    Aquele verde foi se aproximando, era como um efeito que costumo fazer no computador, um vídeo onde as coisas vão se transformando do negro para o colorido, após passar por nós o vento se acalmou, conseguimos levantar e olhando para trás vi que aquela força desesperadora prosseguia mudando tudo, o céu que era negro, com turbilhões, trovões e difícil de ver devido muito mato, chuva e escuridão, passou a se azul, com nuvens de algodão, brancas e perfeitas. A transformação foi proseguindo até sumir no horizonte.

    As coisas eram tão bonitas, pareciam como aquarela ( Pintura com cores frescas), o Céu azul, mas um azul forte que ofuscava meus olhos, assim como o chão com gramas verdes, tão verde que brilhavam, sem falar das nuvens, parecidas com algodão.

    O que seria isso meu Deus! Vi todos felizes e bendizerem ao Senhor que os salvou e os colocou ali, seguros e contemplando todas aquelas maravilhas.

    Ainda estou tremendo, foi um sonho incrível!

    Não temos noção do que Deus está preparando para nós.

    É Lindo, tudo é lindo, as cores não são como vemos na terra, apagadas, experimente tirar o brilho de sua TV, é esta dimensão que tenho agora, seria impossível explicar, mas passamos a contemplar o brilho 100%, tudo bem colorido e vivo.

    Primeiro vem a dor, depois vem a alegria, devemos ter fé e na tribulação pensar no que vem depois, a eternidade com Deus.

    Na foto abaixo, mostro mais ou menos como seria a imagem que ficou gravada em meus pensamentos, claro que é só um exemplo, mesmo assim ainda não se compara as coisas do céu.

    Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo porque faz nova todas as coisas!

    Para sempre seja louvado.

    “Quem é como Deus”

    Por james – http://www.espacojames.com.br/?cat=104&id=7422

  • Visita ao Céu – Sonho do Monsenhor Eymard – um dos três sonhos

    O mesmo anjo que, na vez passada, me levou ao Purgatório, veio chamar-me para ir ao Céu. Ele me havia dito que, em qualquer noite, poderia voltar para me fazer gozar, ao menos em sonho, a presença de Deus Onipotente, na eterna bem-aventurança. Passei a semana a esperar pela surpresa agradável. E, justamente, nesta noite, eu havia adormecido muito cansado pelos trabalhos e fadigas do dia, com muitos problemas e preocupações. Antes de rezar, fiquei pensando que seria uma boa oportunidade se aquele belo anjo me viesse buscar para ver o Céu.

                    E foi isto o que aconteceu!

                    Movido apenas por um sinal do meu companheiro divino, vi-me, de repente, na amplidão do infinito, atravessando as nuvens, subindo, sempre subindo. Uma alegria indescritível se apoderara de mim e, à proporção que ia subindo, sentia-me tão leve, tão diferente, que não pude deixar de fazer minha primeira pergunta:

                    Para onde me levas, anjo divino?

                    Vim buscar-te para o Céu! respondeu-me ele.

                    E por que estou ficando tão leve?

                    Então, explicou-me o anjo, o que se passava em mim:

                    Esta sensação que sentes é uma sensação de bem-estar, de alívio, de felicidade que sentem todos os que se aproximam do Céu. Como sabes, o Céu é o lugar que Deus reservou para as almas justas e santas, onde não há nem pode haver tristezas, sofrimentos ou contrariedades. O Céu é a própria felicidade, a alegria sem restrições dos que sempre desejaram o bem e a posse da eternidade com Deus.

                    É lá que tu moras?

                    Sim, moro no Céu. Sou dos querubins que estão sempre diante do trono de Deus, para servi-Lo e amá-Lo.

                    Então, sempre estás a ver Deus?

                   Sim, vejo Deus todos os dias. E quando tenho de afastar-me de sua presença, como agora, para o desempenho de alguma missão, sinto uma saudade imensa do meu lugar, porque ali a gente vive sempre feliz.

                    Pensei, então, que bom seria se Deus consentisse que eu ficasse no Céu. E que este sonho não fosse um sonho, mas a pura realidade!… Quanto mais voávamos, mais eu ficava transformado, sentindo algo diferente dentro de mim. Começava a ver os meus desejos satisfeitos e atendia a minha vontade. Via-me contente com tudo o que possuía e o mais interessante é que não desejava mais nada. E aquilo me trazia uma grande admiração, pois quantas coisas tenho ainda que fazer, negócios para resolver e, agora, tudo isso desaparece, por encanto, como se já estivesse realizado!

                    Num dado momento, o anjo olhou para mim e falou:

                    Estamos pertinho do Céu! Olha para baixo!

                    Olhei. A Terra me pareceu tão mesquinha, tão desprezível, tão sem atrações que fiquei admirado de me conformar em viver lá. Quis falar com o anjo, mas, quando olhei o seu rosto, fiquei espantado. O meu companheiro começava a transfigurar-se, ficando translúcido, tão lindo que fiquei abismado. Um sorriso divino, meigo e manso esboçava-se em seu rosto que parecia fitar alguma coisa lá muito distante. Não quis despertá-lo do seu êxtase e esperei que ele me falasse de novo, a fim de perguntar-lhe o que estava vendo. Por fim, comecei a ficar, também, transfigurado e pressenti que a velocidade do nosso vôo diminuía, como sinal de aproximação do Céu. Mais alguns instantes e encontramo-nos diante de um portão muito mais estreito do que o do Purgatório. Ao avistá-lo até pensei que por ele não pudéssemos passar e supus que se tratava de alguma ante-câmera do Céu. Depois que paramos, tive ânimo de perguntar ao anjo:

                    E agora, onde estamos?

                    Diante do portão do Céu! respondeu.

                    Assim, tão estreito?

                    E o anjo me explicou:

                    É que a entrada do Céu é muito difícil. O caminho é apertado e a portinha… bem que estás vendo!…

                    O anjo ajoelhou-se diante daquela porta esquisita, fez três reverências profundas e, aos poucos, ela abriu-se, deixando-nos ver o que estava lá dentro.

                    Meu Deus, que deslumbramento!

                    E, a um sinal do meu amigo, segui-o pelas belas alamedas da eternidade. Fomos andando, entre magníficos jardins de belas flores, sentindo o hálito perfumado daquele recanto esplendoroso, onde imperava uma beleza que ninguém pode descrever. Meu corpo se tornava cada vez mais leve. Por pouco, nem tocava mais no chão! Minha ansiedade era tão grande, que não pude deixar de perguntar ao anjo:

                    Isto aqui já é mesmo o Céu?

                    Sim, já estamos no Céu. respondeu o querubim. Mas o Céu tem muitos departamentos e agora é que estamos chegando ao primeiro degrau de felicidade.

                    E apontou-me para umas dependências muito lindas que íamos vendo e que, no sonho, não tinham portas e eram assim como se fosse de vidro, onde estavam as almas bem-aventuradas.

                    O anjo me foi mostrando aquelas mansões, cada uma mais deslumbrante, mais rica e mais cheia de encantamento. As pessoas que estavam lá dentro tinham uma fisionomia tão linda que fiquei confundido se eram anjos ou simples almas.

                    São almas, as almas puras. disse-me o anjo.

                    E continuou mostrando-me os diferentes degraus daquela felicidade:

                    Ali estão as almas humildes, lá adiante as almas obedientes e ali quero mostrar-te as almas das crianças.

                    Era um lugar maravilhoso, aureolado de luz, com anjinhos que iam e vinham, sorridentes e felizes. Umas estavam mais altas do que outras.

                    Por que? perguntei.

                    Aquelas mais altas estão mais perto de Deus. São as almas das crianças que, na Terra, respeitaram a Igreja, onde está a Eucaristia.

                    Aproximei-me um instante e pude ver a felicidade daquelas almas deslumbradas de luz pela suave magia da presença de Deus. E, como eu estivesse muito admirado, explicou-me o meu companheiro, o seguinte:

                    Na Terra, a Igreja é o lugar mais santo. É a casa de Deus por excelência, onde se realizam os atos litúrgicos em homenagem à Santíssima Trindade. A Santa Missa é o Sacrifício da Nova Lei, ao qual estão obrigados a assistir todos o que desejam salvar-se.

                    Atalhei o amigo, dizendo:

                    Sei disso, meu querubim. Esqueces que estás falando com um Sacerdote?

                    Não esqueci que és padre. Apenas quero chegar ao ponto seguinte: as crianças que se comportam bem na Igreja, respeitando a presença de Jesus Cristo, na Eucaristia, são aqui largamente recompensadas. Deus vem visitá-las duas vezes por dia e manda sempre seus anjos para ficarem com elas. Não vistes aquelas crianças que estavam rindo e conversando na Igreja, domingo, à hora em que celebravas a Santa Missa? Pois bem, crianças assim não merecem os favores de Deus, porque estão desprezando a sua casa e a sua presença. Crianças que assim procedem na Terra, ficarão muito tempo no Purgatório, antes de virem para o Céu.

                    Rapidamente meu pensamento voltou-se para a Terra. E, imediatamente, fiz o propósito de iniciar a minha pregação sobre o comportamento na Igreja, logo que voltasse ao mundo. Porque, se as crianças que são pequenas sofrem, no Purgatório, pela falta de respeito na Igreja, que sofrimento não estará reservado aos adultos?

                    E continuei meu passeio pelo Céu, olhando a beleza divina da morada dos santos, seguindo a indicação que me fazia o anjo. Estava deslumbrado com tanta felicidade e apesar de estar ali, apenas em sonho, sentia-me tão feliz que fiquei admirado quando o anjo me disse que já fazia um mês que estávamos no Paraíso.

                    É tão grande a felicidade que Deus reserva às suas almas que nem tomamos conhecimento do tempo. Aqui se vive a plenitude do que é bom, sem notar que já faz mais de um mês que deixamos a Terra!

                    Isso tudo? perguntei. Parece que foi neste instante que chegamos.

                    E, ansiosamente, temendo que já estivesse na hora de regressar, perguntei, aflito:

                    E já vamos voltar?

                    Não. respondeu o anjo. Ainda ficarás aqui por vários dias, porque tenho uma surpresa para ti.

                    Qual é?

                    Terás a grande alegria de falar com Deus.

                    Ouvindo estas palavras, meu coração estremeceu de contentamento. Falar com Deus. Tantas vezes, na Terra, invocara o seu Nome sagrado, e, agora, ia vê-Lo, face a face!

                    Quero mostrar-te também os teus santos protetores e a beleza do lugar onde eles moram. Olha para trás e vê a grande distância que nos separa do portão de entrada.

                    Foi então que percebi que há muitos dias ali estávamos, pois, no sonho, eu via o portão tão longe, tão distante, sumindo-se, pequenino, entre as nuvens douradas da pátria celeste. E, por uma intuição divina, percebia que tal distância só se podia andar, no Céu, dentro de muitos dias.

                    O anjo levou-me pelas galerias do Céu, ornamentadas com tapeçarias de raro valor, por onde anjos passavam, sempre calmos, mas com a fisionomia de quem ia fazer alguma coisa. Quando passavam por nós, faziam profunda reverência e continuavam seu caminho.

                    Para onde é que eles vão? perguntei.

                    São anjos, mensageiros de Deus, que vão à Terra para o cumprimento de alguma missão, assim como eu estou cumprindo a minha.

                    E por que fazem uma reverência quando passam por ti?

                    Por mim, não. Quando passam por ti respondeu o celestial amigo. Bem sabes que o Sacerdote tem grandes poderes no mundo e, no Céu, eles então, imediatamente, juntos de Deus.

                    E, para meu espanto, afirmou:

                    Sabes de uma coisa? Se um anjo encontrasse, aqui, um Sacerdote e Nossa Senhora, saudaria, primeiro, ao Sacerdote, para depois saudar à Mãe de Deus!

                    Foi, então, que um calafrio percorreu a minha espinha.

                    Meu Deus, em que situação estou colocado? Chamado por Deus para o desempenho de uma grande missão. Morar no Céu, junto ao Onipotente e ser saudado primeiro do que Nossa Senhora!

                    E onde estão as almas dos padres?

                    O anjo baixou a cabeça, tristemente, e respondeu:

                    Infelizmente, não poderás vê-las. A grandeza do padre, no Céu, compara-se à grandeza do próprio Deus. Tenho ordens do Onipotente para mostrar-te o lugar que eles ocupam, no Inferno, quando são condenados.

                    Fiquei assombrado com aquela notícia e perguntei:

                    E daqui vamos ao Inferno?

                    Não. Daqui não poderemos passar para o Inferno. Verás a condenação eterna de outra vez.

                    Então, ainda irás buscar-me para o Inferno?

                    Foi esta a ordem que recebi.

                    E, apesar de toda aquela felicidade, da mística alegria que antes invadira o meu coração, comecei a chorar. Ir ao Inferno para ver o lugar onde sofrem as almas dos Sacerdotes que não se salvaram!…

                    Mas o anjo consolou-me, dizendo:

                    Não te preocupes. São poucos os que se condenam.

                    Tu, por certo, estarás salvo. Não vês a predileção que Deus te dá? Protege as tuas obras, ajuda-te, inspira-te bons pensamentos, tudo isso por causa da tua devoção ao divino Espírito Santo.

                    Aquelas palavras do anjo caíram em mim assim como um bálsamo em ferida magoada. E meu semblante encheu-se de luz, enquanto continuávamos nossa visita pelos paramos celestiais de bem-aventurança.

                    Estamos diante dos aposentos dos teus santos de estimação. Não podes entrar porque ainda não morrestes. Mas verás os teus protetores, através das paredes de vidro que cercam a mansão dos santos.

                    E, descerrando uma grande cortina de veludo vermelho, apresentou-me os meus amigos celestiais que, na Terra, são tão invocados por mim.

                    No sonho, aquele recanto se me afigurava como um imenso campo coberto de mil flores, embaladas pelas carícias da brisa, como se toda a beleza do mundo, isto é, do Céu, ali tivesse sido posta pela mão misteriosa do próprio Deus. Minha alegria chegou ao auge, quando divisei a primeira fisionomia conhecida – Santa Maria Goretti! Lá estava ela. Olhando-me, esboçou um sorriso tão lindo que não pude deixar de exclamar:

                   Mas, que beleza… que indizível felicidade naquele rosto!…

                   Disse-me o anjo:

                   No Céu, os que morrem em defesa de sua pureza trazem sempre sorriso no rosto. Até Deus gosta de contemplar as almas que vivem aqui, por causa de sua pureza!

            São Luís de Gonzaga, o patrono do Colégio que eu dirijo na Terra. São Francisco de Assis, o pobre. São Francisco que foi humilde e amigo da Natureza. Ali eu o via beijando a irmã água e contemplando a irmã lua. Santo Antônio, falando aos peixinhos do mar. Santa Teresinha, abraçando o seu crucifixo. São Domingos Sávio, bradando ao mundo que é melhor morrer do que pecar. Agora é que vejo porque ele dizia isso.

                    E minha admiração continuava e iria muito adiante, se eu não tivesse sido abordado pelo anjo, que me perguntou:

                    Queres ver o lugar dos papas?

                    Quero, sim! respondi.

                    E fomos caminhando pelos gloriosos caminhos do Céu, até, chegarmos diante de uma monumental basílica, assim como a Basílica de São Pedro, em Roma. Uma grande porta se abriu, enquanto belos anjos se apresentavam a nós, perguntando-nos o que desejávamos:

                    Ver os papas santos respondemos.

                    Mostra-nos o último que aqui chegou! disse o meu companheiro, dirigindo-se a um colega.

                    E, fazendo uma grande reverência a mim, o guardião da morada celestial dos papas, disse-nos:

                    Acompanhai-me!

                    E fomos andando. Os três, em silêncio. O último papa devia ser Pio X. Tinha vontade de perguntar, mas controlei-me e esperei. Quando fomos introduzidos no recinto dos Santos Padres, o anjo que nos acompanhava tomou de uma trombeta de ouro e tocou uma bela música.

                    Que significa isso? perguntei ao meu amigo.

                    Aqui, cada papa atende por uma música diferente. Cada um tem o seu toque de chamada.

                    E quem é que ele está chamando?

                    Espere e verás.

                    E qual não foi a minha surpresa quando, abrindo-se uma cortina de nuvens suaves e macias, apareceu diante de nós o Santo Padre, o Papa João Paulo I. Não resisti de emoção e cai, de joelhos, diante dele. Foi um momento de grande alegria. Fazia pouco tempo que eu havia assistido, na Terra ao seu enterro. Havia rezado diante de seu corpo exposto na Basílica de São Pedro e, agora, eu o tinha ali, junto de mim, podendo até tocar-lhe a batina branca como a própria pureza.

                    Mas aquilo tudo se passou muito rapidamente e deveríamos continuar nossa visita até a mansão divina onde morava o próprio Deus.

                    O anjo preparou o meu espírito, dizendo-me que eu ia ter a imensa felicidade, que só é dada às almas bem-aventuradas. E que, se eu tivesse algum pedido a fazer, fosse logo me preparando, porque diante de Deus só se podia falar muito pouco. No Céu não se fala. As almas se inter-compreendem por meio de um dom especial que lhes é concedido. Isso faz parte da felicidade eterna. Entretanto eu ia poder falar pelo simples motivo de ainda não ter morrido e estar ali como simples visitante.

                    Enquanto íamos caminhando, pisando num tapete de nuvens, concatenava meus pensamentos para fazer um pedido ao meu Criador. Mas, meu coração pulava tanto e uma ansiedade esquisita me apertava tanto a alma, que nem podia acertar com as palavras que eu haveria de dizer, quando estivesse diante de Deus. Por fim, paramos em frente a uma entrada defendida por vários anjos enfeitados de luz. Quando nos viram, ajoelharam-se todos.

                    Estes são os anjos que velam a presença eterna de Deus disse-me o querubim que me acompanhava.

                    E, apontando para um lugar vazio, entre eles, continuou:

                    Vês aquele lugar desocupado?

                    Vejo-o, sim.

                    Pois é o meu lugar. Dali saí, chamado por Deus, para trazer-te ao Céu, neste sonho, assim como te levei ao Purgatório, na semana passada.

                    Enquanto contemplava aquela imensa legião de anjos, vestidos com grandes túnicas, trazendo espadas de ouro flamejante nas mãos, todos de joelhos diante de nós, continuou o meu companheiro:

                    Nós aqui só nos ajoelhamos diante dos Sacerdotes e diante de Nossa Senhora.

                    E diante de Deus? perguntei.

                    Sim, diante de Deus, estamos todos de joelhos. Agora, dá sinal para que se levantem.

                    E, a um pequeno sinal que fiz com a mão, todos se levantaram.

                    Isso me deixava, cada vez mais, impressionado. Os Sacerdotes, no Céu, são tão reverenciados quase como o próprio Deus.

                    E agora, prepara-te para entrar! disse-me o anjo.

                   Com o coração ofegante e a alma transbordada de emoção, entrei nos aposentos sagrados de Deus Onipotente, o Criador do mundo.

                    Atônito, deslumbrado, fiquei caído diante da Majestade Divina, sem poder olhar direito aquele resplendor que me cercava de luz. Imóvel, sereno e sem mesmo bater os olhos, ali me deixei ficar, naquele silêncio feliz e tranqüilo que me fazia um bem imenso. Face a face, diante do meu Deus, vislumbrava o grande mistério da Santíssima Trindade, vendo ao mesmo tempo o Pai Eterno, o Filho Jesus Cristo, aquele de quem eu me tornara um representante e o Espírito Santo, inspirador dos meus bons pensamentos. E, enquanto os via assim, em três pessoas distintas, contemplava-as, por uma misteriosa intuição divina, como um só único Deus. Embevecido, maravilhado com aquela visão que eu nunca poderia descrever, perdi a noção do tempo, sentindo uma felicidade que não posso explicar em que consistia, pois era sentida, vivida por mim e não vista! Esqueci-me de tudo o que se passara antes, e até de mim próprio extasiado diante do meu Senhor. E só despertei desta entrega de mim próprio à felicidade que me inundava de satisfação e me enchia de amor, porque o meu companheiro celestial tocou, de leve, em meu ombro, fazendo-me compreender que estava na hora de sair. E, segredando-me ao ouvido, disse:

                    Faz um ano que estás aqui. Deves retornar à Terra para continuares o teu trabalho junto às almas que te foram confiadas.

                    E, numa pergunta meio aflita:

                    Já disseste o que tinhas a dizer?

                    Não, respondi. Ainda posso falar?

                    Podes, sim. Aproveita que vou esperar por ti aqui fora.

                    E retirou-se o anjo, sempre de joelhos, indo colocar-se no seu lugar, junto aos outros querubins e serafins assistentes de Deus.

                    Foi, então, que recebi uma graça especial e tive coragem de falar.

                    Meu Senhor e meu Deus! exclamei.

                    E uma voz maviosa como sussurro de brisa, tão terna, tão meiga que me encheu de coragem para continuar, respondeu:

                    Fala, servo bom e fiel!

                    Que doces palavras saídas da boca de Deus. Como me sentia feliz e animado naquela hora que eu desejaria nunca terminasse. Podia compreender, muito bem, toda a satisfação do Apóstolo São Pedro, quando pediu a Jesus para permanecer no monte da transfiguração, propondo-se fazer três tendas, três casas, para Jesus, Moisés e Elias.

                    Se eu pudesse, também, nunca sairia da presença de Deus e ficaria sempre a escutar a beleza divina de suas palavras de carinho, alentando-me a fazer o meu pedido.

                    Meu Senhor e meu Deus! continuei. Venho para Vos fazer um único pedido. Venho com a alma cheia de súplica, implorar de Vossa misericórdia perdão para os meus pecados. Se não sou um Sacerdote de acordo com o que deseja o Vosso coração, perdoai-me, Senhor, e ensinai-me a viver como desejais.

                    E aquela mesma voz suave e terna, deixou-me a brandura deste consolo, enchendo-me de indizível comoção e felicidade:

                    Sim, meu filho. Teus pecados serão perdoados, na medida do teu arrependimento. Receberás a graça deste arrependimento.

                    E, parando um instante, deixou que eu experimentasse daquela divina promessa. Por fim, voltou a falar.

                    Que mais desejas? Pede em nome de Jesus Cristo, de quem tu és um representante!

                    E pedi. Pedi aquilo que eu julgava imprescindível para o equilíbrio do mundo e para a subsistência da sociedade. Pedi, animado para receber, em nome de Jesus Cristo, o meu Senhor e Mestre. Pedi assim:

                    Ó Deus Onipotente, já que tenho a ventura de Vos poder falar, peço-Vos uma grande coisa. Suplico-Vos que não Vos esqueçais das mães de todo o mundo. Das mães que me pedem para rezar por elas. Das mães que não sabem ser mães. Das mães que não cuidam de seus filhos. Das mães que escandalizam os filhos. Das mães que desrespeitam a maternidade. Das mães que não são verdadeiras mães. Das mães…

                    Ia eu assim entusiasmado, fazendo o meu grande e importante pedido a Deus, quando o anjo tocou no meu ombro, dizendo-me:

                    Deus tem outras coisas para resolver. Já faz mais de um ano que estás aqui, diante dele. Chegou a hora de regressares à Terra. E, mesmo, Deus não poderá atender a todos os seus pedidos sobre as mães. O mais necessário seria que elas, lá na Terra, empregassem os meios para conseguir a salvação. Mas, se não se convertem, se não procuram a Deus, não O podem encontrar. Bom seria se voltasse à Terra e tratasse de prepará-las com tuas pregações, para a grande missão da maternidade, para a sublime vocação de poder dar santos ao mundo.

                    E puxando-me, de pé:

                    Ergue-te, vamos, não vês que Deus não está mais aqui?

                    Verdade, sim. Deus não estava mais ali. E eu a querer continuar falando, pedindo, insistindo. Puro egoísmo de minha parte. Aproveitando-me da oportunidade para querer tudo de uma só vez. Sim, Deus não estava mais ali e fiquei sem saber como Ele havia recebido este outro meu pedido.

                    Acompanhei o meu guia até o portão de saída do Céu e ali me despedi, perguntando-lhe:

                    Virás ainda buscar-me para visitar o Inferno?

                    Sim, foi esta ordem que recebi de Deus.

                    Estremeci de susto.

                    E quando será?

                    BREVEMENTE! exclamou o mensageiro divino.

                    Nesta hora, despertei e sentei-me, imediatamente, na cama. Meu Deus, que teria sido isso? Um pesadelo? Um simples sonho? Um aviso de Deus?

                    Enquanto me preparava para celebrar a Santa Missa, pensava, unicamente, na resposta do anjo, avisando-me de que, brevemente, levar-me-ia a visitar o Inferno.

                    E pedi, com toda a alma, a Deus que me livrasse deste outro sonho!…

    Comentário: O Céu

                       É dogma de fé de nossa Santa Igreja que as almas dos justos que no instante da morte se acham livres de toda culpa e pena do pecado entrem no Céu. O Céu, ensina-nos a Mãe Igreja, é um lugar e estado de perfeita felicidade sobrenatural, a qual tem sua razão de ser na visão de Deus e no perfeito amor a Deus que dela resulta.

                       O coração humano é uma exigência de felicidade e todos nós temos uma nostalgia, uma saudade imensa do Paraíso perdido. Quantas vezes não sentimos uma saudade forte e não sabemos bem de quê. É do Céu, pois Deus nos criou para a Vida Eterna, para a Felicidade Eterna. A Sagrada Escritura registra a verdade sobre a imortalidade da alma (Salmo 48, 16; 72, 26; Daniel 12, 2; II Macabeus 6, 26; 7, 29.36). A Bíblia fala da ressurreição em muitas passagens e condena a superstição reencarnacionista, pois só temos essa vida aqui na Terra, vindo depois a Eternidade (Hebreus 9, 27).

                       O livro de Sabedoria nos descreve a felicidade e a paz das almas dos justos, que descansam nas mãos de Deus e vivem eternamente com Ele (Sabedoria 3, 1-9; 5, 15-16). Nosso Senhor representa a felicidade do Céu sob a imagem de um banquete de casamento (Mateus 25, 10; 22, 1ss; Lucas 14, 15ss) designado esta bem-aventurança de vida ou vida eterna (Mateus 19, 19; 25, 46; João 3, 15ss; 4, 14; 5, 24; 6, 35-39; 10, 28; 12, 25; 17, 2). A condição para alcançar a vida eterna é conhecer a Deus e a Cristo (João 17, 3). Aos puros de coração, Cristo promete que verão a Deus (Mateus 5, 8).

                       Nada na Terra pode ser comparado à beleza e à felicidade do Céu, embora a beleza e a felicidade aqui neste mundo, seja uma pálida imagem da realidade do Céu. Leia-se as palavras do Apóstolo São Paulo, que foi arrebatado até o Céu (I Coríntios 2, 9; II Coríntios 12, 4). Aos fiéis que perseverarem até o fim está garantida uma recompensa da vida eterna (Romanos 2, 7; 6, 22s) e uma glória que não tem proporção com os sofrimentos deste mundo (Romanos 8, 18). Em lugar do conhecimento imperfeito de Deus que possuíamos aqui nesta vida, então veremos a Deus imediatamente (I Coríntios 13, 12; II Coríntios 5, 7).

                       Uma idéia fundamental da teologia de São João é que pela fé em Jesus, Messias e Filho de Deus, consegue-se a vida eterna (João 3, 16.36; 20, 31; I João 5, 13). A vida eterna consiste na visão imediata de Deus (I João 3, 2). O livro do Apocalipse nos descreve a felicidade dos bem-aventurados que se acham na presença de Deus e do Cordeiro, isto é, Cristo glorificado. Todos os males físicos desaparecerão (Apocalipse 7, 9-17; 21, 3-7).

                       No Céu, os que permanecerem na fé verdadeira, também serão extraordinariamente felizes, pois estarão na companhia de Cristo (no tocante a Sua humanidade), da Virgem Santíssima, dos anjos, dos santos e voltarão a reunir-se com os seres queridos, familiares e amigos, que tiveram durante a vida terrena e conhecerem as obras de Deus.

                       Diz-nos, ainda, o dogma de nossa fé católica, que a felicidade do Céu dura por toda a eternidade. Nosso Senhor compara a recompensa pelas boas obras aos tesouros guardados no Céu, o que não se podem perder (Mateus 6, 20; Lucas 12, 33; 16, 9). Os justos, diz a Sagrada Escritura, irão para vida eterna (Mateus 25,46; 19,29; Romanos 2, 7; João 3, 15s). São Paulo fala da eterna bem-aventurança empregando a imagem de uma coroa incorruptível (I Coríntios 9, 25). São Pedro, nosso primeiro Papa, a chama de coroa imperecível de glória (I Pedro 5, 4).

                       O Céu é o cumprimento de todos os desejos legítimos e análogos ao estado futuro do homem (Salmo 16, 15). Para o provar, bastam estes dois princípios: primeiramente, o Céu é o livramento completo do mal e o gozo completo da pura felicidade sem fim; em segundo lugar, o homem será, no Céu, verdadeiro homem, isto é, em corpo e alma. O Céu será pois, a felicidade completíssima do corpo e da alma. Assim nos ensina a Santa Mãe Igreja baseada na Sagrada Escritura, na tradição e a nossa razão, o nosso coração diz amém! O Céu é uma exigência fundamental do coração humano.

                       Eis, pois, a razão porque o homem deseja o Céu com todas as forças do seu ser. Criado para a felicidade, gravita incessante e irrestivelmente para o seu fim, como a agulha tocada com o ímã para o pólo, e como tudo na natureza para o seu centro. Desde o berço até o túmulo, este ser abatido e desgraçado busca a sua reabilitação e o livramento do mal; este rei destronado busca o seu trono; busca-o por toda a parte, lembrando-se do Céu. Lamentavelmente, o homem sem a estrela, a bússola que o conduz ao Céu, a Igreja Católica, na sua procura de felicidade coloca-a onde ela não está e essa é uma terrível conseqüência de sua degradação. Dir-se-ia uma grande criança que, colocada na margem de sereno lago, vê de súbito no espelho das águas a imagem da lua. Toma-a pelo próprio astro, e no seu erro, precipita-se no lago, e a imagem de despedaça; e quanto mais se agita para a apanhar, menos a alcança. E o que resulta dos seus penosos esforços é a fadiga, o desespero, a morte no meio das águas. É o homem a buscar a seus pés o que está acima dele, perseguindo a sombra e não a realidade. Seu coração deseja felicidade, o Céu, mas o homem sem a razão iluminada pela fé segue o instinto e como pecador abraça a sombra dos prazeres da carne e erra o alvo; ao invés do Céu e da liberdade, encontra o Inferno, a escravidão. Diácono Francisco Almeida Araújo

    Fonte: www.universocatolico.com.br

  • Sobre o medo do Cristão, esperança e coragem

    “Assim se gera a maior ameaça, que «é o pragmatismo cinzento da vida quotidiana da Igreja, no qual aparentemente tudo procede dentro da normalidade” “Desiludidos com a realidade, com a Igreja ou consigo mesmos, vivem constantemente tentados a apegar-se a uma tristeza melosa, sem esperança, que se apodera do coração como ‘o mais precioso elixir do demónio’*”
    Evangelium Gaudium 83

    *Geroge Bernanos, Diário de um Pároco de Aldeia; o livro de Bernanos se refere ao pecado contra a esperança.

    O medo e a falta de esperança corroem a pessoa sem ela saber. A visão do cristão sobre o seu papel de leigo no serviço da Igreja ou fazendo parte de uma comunidade pode ser muitas vezes diminuída pela falta de esperança e medo que o leva a imaginar que esse papel é insignificante e que pode não resultar em muita coisa, ou melhor, que outros podem fazer melhor que ele. Então a volta da esperança escatológica, o destino do cristão, e a alegria e oração, vão trazer a ele algo ainda aqui na terra; são os principais remédios. Há um remédio que é considerado um impulso: a coragem.

    A coragem é exercida em relação a alguma coisa específica: Coragem de fazer o que? Importante no caso é o testemunho, porque por este alguém agirá nos casos específicos sem hesitar em medos e juízos, no caso deste, julgar se algo é conforme ou não sempre depende de pessoa buscar na sua memória se alguém já fez. Não tendo um testemunho para agir a pessoa vai compô-lo na sua imaginação e assim tentar julgar se algo estaria certo ou errado fazer. Mas como enriquecer a imaginação de forma saudável? Suponho que nesse caso literatura saudável de pessoas corajosas sejam heróis pagãos ou santos. Por isso o cristão deve fazer uso de literaturas mesmo que não seja especificamente religiosa. Ao compor na sua imaginação algo a fazer, a pessoa buscará usar o discernimento e algum testemunho próximo; somente com o discernimento não agirá por que vai acabar julgando como imprudente por ser algo muito ousado, enquanto somente com a imaginação poderá agir de forma imatura levada por algum sentimento de momento.

    Importante notar que todos devem ter consciência de que cada pessoa tem uma missão específica vinculada aos seus dons específicos, portanto um papel não substituível. Cristo explica isso por meio da parábola dos convidados substitutos, no qual quem não quis comparecer mandou chamar outros e ficou então excluído da ceia. Podemos estar dos dois lados da parábola sendo o os substitutos ou os substituídos, qualquer um vai nos chamar sempre a fazer algo para o reino de Deus.