O segredo do livro O Segredo

O best-seller O Segredo, que pelo nome já da uma idéia de como é chamativo ao marketing, foi escrito por Rhonda Byrne, que andou lendo livros de auto-ajuda e conclui sua teoria, a lei da atração, que nada mais é como diz a Revista Veja: “sucesso estrondoso com a idéia de dar nova roupagem a uma formula antiga” (Revista Veja, 4 de Abril de 2007). Ela começou lendo um livro de auto-ajuda em 1910 sobre lei da atração, e resolveu publicar o seu inserindo prováveis justificativas.

A base principal consiste em você visualizar na mente aquilo que deseja e você receberá e atrairá o que quiser para sua vida. Vamos as citações, no livro é citado São Marcos, Jesus diz: “Por isso vos digo: tudo o que pedirdes na oração, crede que o tendes recebido, e ser-vos-á dado.” (Marcos 11,24). Ora, a oração cristã é diálogo com Deus, não uma simples visualização mental dos desejos, como pensa a auto-ajuda, seria ambicioso demais e interesseiro buscar a Deus só para visualizar desejos.

As pesquisas mostram que as pessoas que rezam por si ou mentalizam a cura têm maior chance de se livrar de uma doença do que as que se entregam ao derrotismo. A explicação obvia é de que os otimistas acreditam na própria cura por essa razão tendem a se cuidar mais seguindo o tratamento médico com mais disciplina. Mas a situação sai diferente quando são comparado pessoas que não puderam rezar por si mesmas porque estavam de recuperação no hospital, dividindo elas em dois grupos, os que receberam oração por intercessão de alguém e os que não receberam. O grupo que recebeu passou a melhorar mais.

Uma das tinturas que Rondha coloca em seu livro na lei da atração é a ciência quântica, ramo da física que, por navegar em campo altamente especulativo, vive sendo invocado por esotéricos, no qual ela tenta justificar suas teorias. Apenas tenta porque o ciência não se mistura com misticismo. São dois campos diferentes. É o famoso toque de pseudo-ciência característico do movimento nova era. Tentar usar a ciência como justificadora de teorias esotéricas.

O começo do livro é altamente apelativo assim como seu antecessor O Código da Vinci: “Altamente cobiçado, ele foi transmitido ao longo dos tempos, ocultado, perdido, roubado e comprado por grandes somas de dinheiro.” Um velho e pretensioso truque é colocar como algo novo e descoberto como um segredo que foi guardado por centenas de anos. Colocando pitadas de história e mais um pouco de cultura de alguma civilização distante e pouco conhecida, vai fazendo uma romântica aventura ao mesmo tempo com intenção de que seria amparado historicamente.

E o caldo de marketing do livro vai somando vários truques para tentar se justificar, um deles é misturar a relação causa e efeito: Não há como comprovar a relação entre o que ensinou no livro (causa) e o sucesso da pessoa (efeito), basta então colocar vários testemunhos de pessoas que enriqueceram não importando o motivo. É diferente do cristianismo católico, no qual não se fica mostrando se a pessoa ficou rica ou se conseguiu pagar as contas. Na religião de Cristo mostra-se como uma “experiência” de oração pelo qual a pessoa passou, sentiu uma presença de Deus, ou percebeu na vida dela uma intimidade permanente de um Deus sempre presente e que sabe o que nós estamos precisando.

Renunciando a modéstia, no livro é dito à pessoa que ela não vai apenas melhorar um pouco a vida, mas vai poder conseguir muita riqueza material e tudo o que quiser bastando sonhar alto. Ousando nos pedidos, ganância total. É dado as pessoas a sensação do direito de possuir o que quiser. E assim incentivando o espírito de ambição no qual hoje em dia já é grande, criamos pessoas cada vez mais sonhadoras longe da realidade e inconformada com o que já tem, criando assim pessoas infelizes que não descobrem que a felicidade está na simplicidade, desfrutar as pequenas coisas que já possui.

Angelo Farias



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