A Idade Média cristã pacifica os povos

A Idade Média, tal como se apresentava, corria o risco de nunca conhecer senão caos e decomposição. Nascida de um império desmoronado e de vagas de invasões sucessivas, formada por povos desarmonicos.

Esta Europa tão dividida, tão perturbada aquando do seu nascimento, atravessa uma era de harmonia e de união tal como ela nunca conhecera e não conhecerá talvez mais no decorrer dos séculos.

Vemos a Europa inteira estremecer à palavra de um Urbano II, de um Pedro, o Eremita, mais tarde de um São Bernardo ou de um Foulques de Neuilly. Vemos monarcas, preferindo a arbitragem à guerra, submeter-se ao julgamento do papa ou de um rei estrangeiro para regularizar as suas dissensões.

Praticamente, a cristandade pode definir-se como a «universidade» dos príncipes e dos povos cristãos obedecendo a uma mesma doutrina, animados de uma mesma fé, e reconhecendo desde logo o mesmo magistério espiritual.

Esta comunidade de fé traduziu-se numa ordem europeia assaz desconcertante para cérebros modernos, bastante complexa nas suas ramificações, grandiosa, contudo, quando a examinamos no seu conjunto. A paz na Idade Média foi muito precisamente, segundo a bela definição de Santo Agostinho, a «tranquilidade» desta ordem.

Nas relações entre a Igreja e os Estados; estamos habituados a ver na autoridade espiritual e na autoridade temporal dois poderes claramente distintos. Contudo se nos integrarmos na mentalidade da época: não é a Santa Sé que impõe o seu poder aos príncipes e aos povos, mas estes príncipes e estes povos, sendo crentes, recorrem naturalmente ao poder espiritual, quer eles queiram fazer fortalecer a sua autoridade ou respeitar os seus direitos, quer desejem fazer solucionar as suas questões por um árbitro imparcial. A tentativa audaciosa de unir os dois poderes, o espiritual e o temporal, para o bem comum se salda num êxito. Era uma garantia de paz e de justiça este poder moral (da Igreja) do qual não se podiam infringir as decisões sem correr perigos precisos, entre outros o de se ver despojado da sua própria autoridade e afastado da estima dos seus súditos.

Durante a maior parte da Idade Média, o direito de guerra privada continua considerado como inviolável pelo poder civil e pela mentalidade geral; manter a paz entre os barões e os Estados apresenta, portanto, imensas dificuldades, e, se não fosse a cristandade, a Europa corria o risco de nunca passar de um vasto campo de batalha .

O sistema feudal maneja toda uma sucessão de arbitragens naturais: o vassalo pode sempre recorrer de um senhor ao suserano deste último; o rei, à medida que a sua autoridade se estende, exerce cada vez mais o seu papel de mediador; o Papa, enfim, continua o árbitro supremo. Basta, frequentemente, a reputação de justiça ou de santidade de um grande personagem para que se recorra, assim, a ele.

A Idade Média não contestou o problema da guerra em geral mas, por uma série de soluções práticas e de medidas aplicadas no conjunto da cristandade, restringiu sucessivamente o domínio da guerra, as crueldades da guerra, as durações da guerra. É assim, com leis precisas, que se edificou a cristandade pacífica.

A primeira destas medidas foi a Paz de Deus, instaurada desde o fim o século X : é também a primeira distinção que foi feita, na história do mundo, entre o fraco e o forte é feita proibição de maltratar as mulheres, as crianças, os camponeses e os clérigos; as casas dos agricultores são, como as igrejas, declaradas invioláveis.

A grande glória da Idade Média é ter empreendido a educação do soldado, é ter feito do soldado da velha guarda um cavaleiro. Aquele que se batia por amor dos grandes golpes, da violência e da pilhagem tornou-se o defensor do fraco; transformou a sua brutalidade em força útil, o seu gosto pelo risco em coragem consciente, a sua turbulência em actividade fecunda; A cavalaria é a instituição medieval da qual com maior gosto se guardou a recordação.

O cavaleiro deve ser piedoso, dedicado à Igreja, respeitador das suas leis: a sua iniciação começa com uma noile inteira passada em orações diante do altar sobre o qual está deposta a espada que ele cingirá.

A cavalaria foi o grande entusiasmo da Idade Média; o sentido da palavra: cavalheiresco, que ela nos legou, traduz muito fielmente o conjunto de qualidades que suscitavam a sua admiração. Basta percorrer a sua literatura, contemplar as obras de arte que dela nos restam, para ver por todo o lado, nos romances, nos poemas, nos quadros, nas esculturas, surgir este cavaleiro do qual se representa

Quando uma máquina de guerra é demasiado mortífera, o papado proíbe o seu emprego; o uso da pólvora de canhão, cujos efeitos e composição se conhecem desde o século XIII, só começa a propagar-se no dia em que a sua autoridade já não é suficientemente forte e em que já se começam a esboroar os princípios da cristandade.

Escreve Orderic Vital, «por temor de Deus, por cavalaria, procurava-se aprisionar de preferência a matar. Guerreiros cristãos não têm sede de espalhar sangue».

Fonte: Pernoud, Régine, Luz sobre a Idade Média, 1996, Publicações Europa-América.

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Comentário do site:

Vemos que bem diferente do Islamismo que uma vez instalado em uma sociedade impõe rígidos deveres e autoridade a quem quer que faça parte dela, na Idade média católica era os cidadãos que recorriam ao poder da Igreja que possui pastor único, o Papa, como árbitro em muitos conflitos do qual os reis não conseguiam dar jeito, sendo todos esses reis católicos.

Nem tampouco poderíamos comparar com o exército de paz da ONU que seria uma tentativa de resolver conflitos no qual as partes envolvidas como nos balcãs não dão a mínima se há algum poder espiritual censurador, se não mal há religião hoje em dia, não há como prestar contas depois da morte, então qualquer matança é possível.

A Igreja católica com suas virtudes mostra que o soldado foi tranformado em cavaleiro, quanto mais os cristãos que sempre foram pacficos e não precisavam evangelizar impondo religião. Nem jamais colocaria tortura em quem não quisesse ser católico como mostrou falsamente o filme Rei Arthur.

Angelo
Sinaisdostempos.org



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