Como a caridade católica mudou o mundo - Parte 3, final.

Continuando com os trechos do livro: Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental.

As obras de caridade cató1icas foram tão impressionantes que ate os próprios inimigos da Igreja, muito a contragosto, tiveram de reconhecê-lo. O escritor pagão Luciano (130-200) observou com espanto: "E inacreditável a determinação com que as pessoas dessa religião se ajudam umas as outras nas suas necessidades. Não se poupam em nada, o seu primeiro legislador meteu-lhes na cabeça que eles eram todos irmãos!"[29]

Juliano, o Apóstata, o imperador romano que, nos anos 360, fez a violenta, mas frustrada, tentativa de fazer o Império retornar ao seu primitivo paganismo, admitiu que os cristãos se avantajavam aos pagãos no seu devotamento às obras de caridade. "Enquanto os sacerdotes pagãos negligenciam os pobres - escreveu -, os odiados galileus [isto é, os cristãos] devotam-se às obras de caridade e, em um alarde de falsa compaixão, introduzem com eficácia os seus perniciosos erros. Vede os seus banquetes de amor e as suas mesas preparadas para os indigentes. Tal prática é habitual entre eles e provoca desprezo pelos nossos deuses"[30].

Martinho Lutero, o mais inveterado inimigo da Igreja Católica até o fim da vida, viu-se obrigado admitir: "Sob o Papado, o povo era ao menos caridoso e não havia necessidade de recorrer à força para obter esmolas. Hoje sob o reinado do Evangelho (com isso, referia-se ao protestantismo), em vez de dar, as pessoas roubam-se umas as outras, parece que ninguém julga possuir alguma coisa enquanto não se apropria dos bens do vizinho"[31].

[29] Vincent Carroll e David ShiOett, Christianity on Trial, pag. 143.
[30] Cajctan BaluFri, The Charity or the Church, pag. 16.
[31] Ibid., rag. 185.

O economista do século XX Simon Patten observou a propósito da ação da Igreja: "Na Idade Media, era muito comum dar comida e abrigo aos trabalhadores, tratar com caridade os desafortunados e aliviá-los das doenças, das pragas e da fome. Quando vemos o número de hospitais e enfermarias, a magna­nimidade dos monges e o sacrifício pessoal das freiras, não po­demos duvidar de que os marginalizados daqueles tempos eram pelo menos tão bem assistidos como os de agora"[32].

Fre­derick Hurter, um biógrafo do papa Inocêncio III no século XIX, chegou a declarar: "Todas as instituições de beneficência que a raça humana possui hoje em dia para minorar a sorte dos desafortunados, tudo o que tem sido feito para socorrer os indigentes e os aflitos nas vicissitudes das suas vidas e em qualquer tipo de sofrimento, procede direta ou indiretamente da Igreja de Roma. Ela deu o exemplo, perseverou na sua tare­fa e, com freqüência, proporcionou os meios necessários para leva-la a cabo"[33].

A extensão das atividades caritativas da Igreja aprecia-se às vezes com mais clareza quando deixam de existir. Na Inglater­ra do século XVI, por exemplo, o rei Henrique VIII (separou da Igreja Católica) suprimiu os mosteiros e confiscou-lhes as propriedades, distribuindo-as a preço de banana entre os homens influentes do seu reino. O pretexto para essa medida foi que os mosteiros se haviam tor­nado fonte de escândalo e imoralidade, embora restem poucas dívidas de que tais acusações fantasiosas não faziam mais do que dissimular a cobiça real. As consequências sociais da dis­solução dos mosteiros devem ter sido muito significativas. Os Levantes do Norte de 1536, uma rebelião popular também co­nhecida como a Peregrinação da Graça, tiveram muito a ver com a ira popular causada pelo desaparecimento da caridade monástica. Em uma petição dirigida ao rei dois anos mais tar­de, observava-se:

“A experiência que tivemos com a supressão dessas ca­sas mostra-nos claramente que se provocou e continuará a provocar-se neste reino de Vossa Majestade um grande mal e uma grande deterioração, assim como um grande empobrecimento de muitos dos vossos humildes súditos.”

[32] Citado em John A. Ryan, "Chal'ity and Charities", em Catholic Ency­clopedia.
[33] Cajetan Baluffi, The Charity or the Church, pag. 257.



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