Como a caridade Católica mudou o mundo - Parte 1

Esses trechos foram retirados do livro: Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental de Thomas Woods. Mostram que a verdadeira caridade só pode ter surgido com a Igreja que é o corpo místico de Jesus, a Igreja Católica (1Cor 12, Col 1,18 e etc). A verdadeira caridade continua e se manifesta quando seus membros estão em comunhão com a Igreja Católica.


No início do século IV, a fome e a doença assolavam exército do imperador Constantino. Pacômio, um soldado pagão, observava com assombro como muitos dos seus compa­nheiros romanos ofereciam comida e assistência aos que precisavam de ajuda, socorrendo-os sem qualquer discriminação. Cheio de curiosidade, quis saber quem eram essas pessoas e descobriu que eram cristãos. Que tipo de religião era aquela, admirou-se, que podia inspirar tais atos de generosidade e humanidade? Começou a instruir-se na fé e, antes de o perceber, já estava no caminho da conversão.(1)

Esse mesmo sentimento de assombro, continuaram a suscitá-lo as obras de caridade catóicas através dos tempos. O próprio Voltaire, talvez o mais prolífico propagandista anti-católico do século XVIII, se mostrou respeitosamente admirado com o heróico espírito de sacrifício que animou tantos dos filhos e filhas da Igreja. “Talvez não haja nada maior na terra - disse ele - que o sacrifício da juventude e da beleza com que belas jovens, muitas vezes nascidas em berço de ouro, se dedicam a trabalhar em hospitais pelo alívio da miséria humana, cuja vista causa tanta aversão a nossa sensibilidade. Tão generosa caridade tem sido imitada, mas de modo imperfeito, por gente afastada da religião de Roma"(2).

Exigiria volumes sem conta elaborar uma lista completa das obras de caridade católicas promovidas ao longo da história por pessoas, paróquias, dioceses, mosteiros, missionários, frades, freiras e organizações leigas. Basta dizer que a caridade católica não tem paralelo com nenhuma outra, em quantidade e variedade de boas obras, nem no alivio prestado ao sofrimento e miséria humanos. Podemos ir mais longe e dizer que foi a Igreja Católica que inventou a caridade tal como a conhecemos no Ocidente.

Tão importante como o puro volume das obras de benemerência é a diferença qualitativa que distinguiu a caridade da Igreja daquela que a havia precedido. Seria tolice negar que os grandes filósofos antigos proclamaram nobres sentimento traduzidos em filantropia; ou que homens de valor fizeram importantes e substanciais contribuições em prol das suas comunidades.

Não obstante, o espírito de caridade no mundo antigo era em certo sentido, deficiente, se compararmos com aquele que foi praticado pela Igreja. A maior parte dos gestos de generosidade nos tempos antigos envolvia um interesse próprio, não eram puramente gratuitos. Os edifícios financiados pelos ricos exibiam ostensivamente os seus nomes. As doações eram feitas de modo a deixar os beneficiários em dívida para com os doadores, ou então atraíam as atenções para as suas pessoas e a sua grande liberalidade. Servir de coração alegre os necessitados e ampara-los sem nenhuma expectativa de recompensa ou reciprocidade, não era certamente o princípio que prevalecia.

Cita-se por vezes o estoicismo - uma antiga escola de pensamento que remonta mais ou menos ao ano 300 a .C. e que permanecia viva nos primeiros séculos da era cristã. Os estóicos ensinavam que homem bom era aquele que, como cidadão do mundo, cultivava o espírito de fraternidade para com seus semelhantes e, por essa razão, parecia ser mensageiro da caridade. Mas também ensinavam que era preciso suprimir os sentimentos e emoções como coisas impróprias de um homem. Rodney Stack diz que a filosofia clássica “considerava a piedade e a compaixão como emoções patológicas, defeitos de caráter que os homens racionais deviam evitar”(3) Assim o filósofo romano Sêneca escreveu:

“O sábio poderá consolar aqueles que choram, mas sem chorar com eles; Não sentirá compaixão. Socorrerá e fará o bem porque nasceu para assistir os seus semelhantes. O seu rosto e sua alma não denunciarão nenhuma emoção quando olhar para o aleijado, o esfarrapado, o encurvado. Só os olhos doentes se umedecem ao verem lagrimas em outros olhos.”(4)

Entre muitos exemplos de estoicismo, ressalta o de Anaxágoras, um homem que, ao ser informado da morte de seu filho, se limitou a observar: “Eu nunca pensei que tivesse gerado um imortal”. Era simplesmente lógico que aqueles homens, tão impermeáveis à realidade do mal, fossem indolentes na hora de aliviar os seus efeitos sobre seus semelhantes: “Homens que se recusam a reconhecer a dor e doença como males – anota um observador – também estavam pouco propensos a aliviá-las aos outros”.(5)

O espírito de caridade na Igreja nasceu da inspiração do próprio ensinamento de Cristo: (Jo 13,34-35; cfr. Ti 4,11). São Paulo afirmou que os cuidados e caridade dos cristãos deviam ser oferecidos mesmo aos que não pertencessem a comunidade dos fiéis, ainda que inimigos da fé: (cfr. Rom 12,14-20; Gal 6,10).

De acordo com William Lecky, critico severo da Igreja, “não se pode sustentar nem na pratica nem na teoria, nem nas instituições fundadas, nem no lugar que a ela foi atribuído na escala dos deveres, que a caridade ocupasse na Antiguidade um lugar comparável aquele que atingiu no cristianismo.”

(1) Alvin J. Schmiclt, Under the Influence: How Christianitv Transformed Civilization, Zonclcrvan, Grancl Rapids, Michigan, 200 I, pag .. J 30.
(2) Michael Davies, For Altar and Throne: The Rising in the Vendee, Rill nant Press, St. Paul, Minnesota, 1997, pag. 13.
(3) Vicent Carroll e David Shiflett, Christianity on Trial, Encounter Books, San Francisco, 2001, pág. 142.
(4) William Edward Hartpole Lecky, History of European Morals from Augustus to Charlemagne, vol. 1, D. Appleton and Co., New York, 1870, págs. 199-200.
(5) Ibid., pág. 202.

Fonte: Woods Jr., Thomas E., Como a Igreja Católica construiu a civilização Ocidental, Editora Quadrante, 2008.



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