Livro questiona autenticidade das palavras de Jesus

Nos EUA foi publicada a obra The Five Gospels. The Search for the Authentic Words of Jesus , de Roberto W.Funk, Roy W. Hoover e THE JESUS SEMINAR (um conjunto de 74 peritos). Tal obra conclui que somente 18% dos dizeres de Cristo nos Evangelhos são autênticos.

Tal equipe, durante seis anos, comparou frase por frase com paralelos bíblicos e extra-bíblicos. Chegou a conclusão de que existem dizeres autenticamente proferidos por Cristo, outros provavelmente ditos por Ele, alguns não proferidos, mas próximos do pensamento do Salvador e poucos de forma nenhuma ditos pelo Messias, oriundos de uma tradição posterior.

O dado interessante é que nenhuma das passagens típicas da doutrina de Cristo ensinada pela Igreja Católica é proveniente dos lábios de Jesus, como Mt 16,17-19; Lc 22,31s; Jo 21,15-17; as passagens sobre a Eucaristia, o poder de perdoar os pecados, a proibição do divórcio e as palavras finais sobre a missão de evangelizar mundo afora. Estas últimas palavras, segundo o grupo, PROVAVELMENTE não foram ditas por Cristo.

O que é impressionante são as explicações infundadas, estapafúrdias e irracionais para determinar que Cristo não disse isto ou aquilo.

Vejamos alguns exemplos:

A passagem de Mc 1,17 “Eu vos farei pescadores de homens” não seriam palavras de Jesus. Segundo o grupo, Jesus não angariava discípulos. Era um mestre itinerante. Apenas a metáfora de pescadores de homens pode ser considerada (ué?!?). Na verdade, as explicações são meras afirmações sem qualquer base, de um grupo de protestantes que relativizam o valor da Igreja, considerando-a apenas obra humana. Rejeitam Mt 16,17-19 – que traz a fundação da Igreja Católica – por puro preconceito filosófico-religioso.

Jesus não teria dito, também, “completou-se o tempo. O reino de Deus se aproxima, Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). Sabe qual a explicação do grupo de “peritos”? Que estas palavras seriam mais apropriadas para João Batista(!?!)... Mas João não preparou o caminho de Jesus? Jesus não poderia ter repetido a mesma idéia, com mais ênfase?

Tais conclusões do grupo JESUS SEMINAR são muito pobres e preconceituosas.

Jesus era judeu e, como tal, estava mergulhado na tradição de Israel. Para H. Riesenfeld, estudioso sueco sobre o assunto, os dizeres de Cristo nos Evangelhos não simbolizam o pensamento das primeiras comunidades cristãs, mas o próprio pensamento de Jesus. Jesus, como já falamos, era judeu e estes eram especialistas em transmitir as palavras recebidas dos mais velhos. A missão dos apóstolos era tida como um serviço da palavra (At 6,4; Lc 1,2), de testemunhas oculares que conviveram com Jesus (At 1,22).

Os processos de transmissão da Lei Judaica foram utilizados no Novo Testamento. Haviam escribas profissionais, crianças que aprendiam a decorar e recitar a Lei e as sinagogas, que ajudavam na fixação oral dos textos. Haviam também oficiais tannaim (repetidores) dos dizeres ( debarim ) e feitos dos grandes comentadores da Lei. Os judeus também aprendiam técnicas de memorização, usando palavras-chave, fórmulas concisas ( simanin), etc. Observe as passagens Mt 5,44; 7,17; 10,40; Mt 6,2-6: todos exemplos de métodos de transmissão de mensagens.

O método de transmissão oral dos ensinamentos dos mestres – entre os judeus – é repetido quando Lucas começa seu Evangelho (Lc 1,1s). São Paulo também, basta analisar Gl 1,13s; Fl 3,5s; 1 Cor 15,2; Gl 2,9; Gl1,1

Mais um dado que rechaça o estudo do grupo JESUS SEMINAR: na tradução do evangelho grego para o aramaico, nota-se a rima dos vocábulos nas traduções feitas para o aramaico, que era a língua falada por Jesus e pelos apóstolos. Ou seja, a própria raiz hebraica da árvore cristã oferece sólidas garantias de qualidade e fidelidade histórica nas palavras de Jesus e nas lembranças sobre Jesus.

Pe. Jean Carmignac, que dedicou-se especialmente aos manuscritos de Qumran desde 1954, teve grande surpresa em 1963, quando notou que, ao traduzir o Evangelho de Marcos para o hebraico de Qumran, encontrou extrema facilidade, concluindo que o texto de Marcos não foi redigido em grego, mas em hebraico, para depois ser traduzido para o grego, possibilitando a rápida e fácil transcrição para o mesmo hebraico. Para ele, o corpo visível de Marcos e de Mateus era grego, mas a alma invisível era hebraica, sem nenhuma sombra de dúvida. Isto reforça bastante a continuidade do Antigo para o Novo Testamento.

E por fim, mais um exemplo de contradição e parcialidade dos peritos do SEMINAR: o vocábulo parákletos (advogado, intercessor) só ocorre nos escritos joaneus (1Jo e Jo). Como estes foram escritos no fim do século I e no início do II os peritos concluíram que esta palavra não foi proferida por Jesus, sendo gerada pelas primeiras comunidades cristãs. Acontece que esta mesma palavra é proferida pelo judaísmo tardio, falando de muitos intercessores a Deus, como os profetas, patriarcas e os anjos. Seria perfeitamente cabível tal expressão ter sido usada por Cristo. Ou seja, as conclusões deste grupo são PRECIPITADAS, DESCABIDAS DE ARGUMENTOS, PRECONCEITUOSAS e RAREFEITAS.

Poderíamos aqui nos alongar imensamente, mostrando que os apóstolos estavam extremamente preocupados em transmitir fielmente as palavras de Jesus, mas basta se ater a estes argumentos explanados aqui e à matéria sobre “O JESUS HISTÓRICO E O JESUS REAL”, que confirma a autenticidade dos dizeres e feitos de Cristo.

A PAZ DE CRISTO PARA TODOS!

Fonte de Pesquisa: Curso de Cristologia, D. Estevão Tavares Bettencourt, Escola Mater Ecclesiae.



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