Medo do Cristão, esperança e coragem

“Assim se gera a maior ameaça, que «é o pragmatismo cinzento da vida quotidiana da Igreja, no qual aparentemente tudo procede dentro da normalidade” “Desiludidos com a realidade, com a Igreja ou consigo mesmos, vivem constantemente tentados a apegar-se a uma tristeza melosa, sem esperança, que se apodera do coração como 'o mais precioso elixir do demónio'*” 
Evangelium Gaudium 83

*Geroge Bernanos, Diário de um Pároco de Aldeia; o livro de Bernanos se refere ao pecado contra a esperança.

O medo e a falta de esperança corroem a pessoa sem ela saber. A visão do cristão sobre o seu papel de leigo no serviço da Igreja ou fazendo parte de uma comunidade pode ser muitas vezes diminuída pela falta de esperança e medo que o leva a imaginar que esse papel é insignificante e que pode não resultar em muita coisa, ou melhor, que outros podem fazer melhor que ele. Então a volta da esperança escatológica, o destino do cristão, e a alegria e oração, vão trazer a ele algo ainda aqui na terra; são os principais remédios. Há um remédio que é considerado um impulso: a coragem.

A coragem é exercida em relação a alguma coisa específica: Coragem de fazer o que? Importante no caso é o testemunho, porque por este alguém agirá nos casos específicos sem hesitar em medos e juízos, no caso deste, julgar se algo é conforme ou não sempre depende de pessoa buscar na sua memória se alguém já fez. Não tendo um testemunho para agir a pessoa vai compô-lo na sua imaginação e assim tentar julgar se algo estaria certo ou errado fazer. Mas como enriquecer a imaginação de forma saudável? Suponho que nesse caso literatura saudável de pessoas corajosas sejam heróis pagãos ou santos. Por isso o cristão deve fazer uso de literaturas mesmo que não seja especificamente religiosa. Ao compor na sua imaginação algo a fazer, a pessoa buscará usar o discernimento e algum testemunho próximo; somente com o discernimento não agirá por que vai acabar julgando como imprudente por ser algo muito ousado, enquanto somente com a imaginação poderá agir de forma imatura levada por algum sentimento de momento.

Importante notar que todos devem ter consciência de que cada pessoa tem uma missão específica vinculada aos seus dons específicos, portanto um papel não substituível. Cristo explica isso por meio da parábola dos convidados substitutos, no qual quem não quis comparecer mandou chamar outros e ficou então excluído da ceia. Podemos estar dos dois lados da parábola sendo o os substitutos ou os substituídos, qualquer um vai nos chamar sempre a fazer algo para o reino de Deus.

 

Angelo Alves
Sinais dos tempos



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