Revelações de Deus a Santa Angela de Foligno

As mensagens em itálico são de Deus na pessoa do Espírito Santo. Em escrito normal, são de Santa Angela de Foligno.

"Ouço uma voz que começa a falar-me: tu chamaste o meu servo Francisco, mas eu quis enviar-te outro mensageiro.

Eu sou o Espírito Santo, e venho justamente para dar-te uma consolação, como jamais provaste no passado. Quero penetrar em ti, e conversar contigo durante toda a tua jornada, sem cessar um momento. E tu não poderás

dar atenção a outra coisa. Porque eu te prendi a mim, e não me separarei de ti, senão quando passares por aqui outra vez. Então te deixarei, privando-te apenas dessa consolação. De resto, estarei sempre contigo, se me amares".

E para incitar-me a amá-lo, assim prosseguiu:

"Ó minha doce filha, filha minha e templo meu, filha minha e minha delícia, ama-me, porque eu te amo muito mais do que tu a mim" . E freqüentemente me repetia: "Minha filha e minha doce esposa" . E depois acrescentava:

"Amo-te mais que a qualquer outra do vale de Spoleto. Por isso, como eu vim a ti e em ti busquei o meu repouso, vem tu também a mim e descansa" .

"Eu estive com os apóstolos, que me viam com os olhos do corpo. Mas não me sentiam como tu me sentes. E quando chegares à tua casa, provarás nova e maior alegria; e então, me sentirás e não apenas ouvirás a minha voz como agora. Tu pediste ao meu servo Francisco, esperando com ele e por ele obter o que desejavas. Francisco muito me amou e por isso operei nele coisas admiráveis Mas em verdade te digo: se outra pessoa do mundo me amasse mais do que ele, eu saberia operar nela coisas mais admiráveis" .

Além disso me dizia: "Quão poucos são hoje os bons, e quão débil é sua fé."

Lamentando-se ajuntava:

"Amo com imenso amor a alma que me ama com amor sincero. Se eu encontrar uma alma que me ame com amor perfeito, enriquecê-la-ei com minha graça, como jamais fiz com os maiores santos, desde que o mundo é mundo. Não há quem possa recusar esse amor, porque cada um pode amar a Deus, e Ele, outra coisa não quer senão que a alma o busque e o ame, amando-a também Ele verdadeiramente, e sendo ademais o próprio amor da alma. Profundas são essas palavras" .

Mostrou-me, depois, que Ele é o amor da alma, com o grande argumento de sua vinda à terra e da cruz carregada por nós, Ele que é tão imenso e glorioso. E, explicando-me sua Paixão, e quanto fez por nós, acrescentou:

"Vê se em mim há outra coisa que não seja amor" . E minha alma bem compreendia que ali não existia, senão amor. Lamentava-se além disso de não encontrar nestes tempos senão poucos que são dignos de sua graça. E prometia que usaria, com aqueles que agora o amassem, de maior liberalidade em graças do que tinha usado, com outros santos. E me repetia: "Minha doce filha, ama-me sem medida, porque és muito mais amada por mim do que eu por ti. Minha amada, ama-me. Imenso é o amor que voto a cada alma que me ama sem sombra de malícia" .

E parecia-me que Ele queria que a alma, segundo sua virtude e capacidade, o amasse com aquele grande amor com que Ele a amava. E bastaria que ela manifestasse este desejo, para que ele suprisse a sua deficiência.

E, de novo, me dizia: "Ó minha amada, ó minha esposa dileta, queiras-me sempre bem. De fato, toda a tua vida, o comer, o beber, o dormir, toda a tua vida em suma, me é cara, se tu me amas" . E então, acrescentou: "Operarei em ti grandes coisas em presença dos povos. Em ti serei conhecido, glorificado e exaltado; meu nome será louvado em ti por muitas nações" . Essas e outras coisas mais me foram ditas.

Eu, porém, ao escutar-lhe a voz, enumerava os meus pecados e defeitos e me via completamente indigna de tão grande amor. E minha alma, voltando-se à voz que lhe falava: "Se fosses o Espírito Santo, dizia-lhe, tu não me dirias certas coisas, que de maneira alguma me convém; pois eu sou frágil e poderia surgir em mim a vanglória".

Responde: "Vê e pensa se consegues ensoberbecer-te às minhas palavras; vê se podes pensar em coisas diferentes dessas" . E eu, para ver se era verdade o que se me dizia, e se era mesmo o Espírito Santo, procurei ensoberbecer-me: olhei de um lado e do outro, os vinhedos, somente para distrair-me dessa voz: "Olha e contempla tudo isso que vês, é criatura minha" . E eu provava uma doçura inefável. Todavia, afluíam-me à mente, todos os meus pecados, e de minha parte nada via em mim senão pecados e defeitos, e senti-me mais humilde do que nunca"

(Santa Ângela de Foligno, em romaria a Assis)



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